<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-544535753828386859</id><updated>2012-03-20T13:42:28.482-03:00</updated><category term='Eventos'/><category term='Notícias'/><category term='Artigos'/><category term='Encontros do GEF'/><category term='Ensaios'/><title type='text'>GEF - Grupo de Estudos Foucaultianos da UEM</title><subtitle type='html'>O GEF - Grupo de Estudos Foucaultianos da UEM atua junto ao Programa de Pós-Graduação em Letras - PLE (Mestrado e Doutorado) da Universidade Estadual de Maringá - UEM. Os trabalhos do grupo abrangem discussões em torno da obra de Michel Foucault e de seu alcance quando da análise dos regimes de verdade que, em diferentes épocas, produzem os sujeitos/objetos dos discursos sobre a educação, mídia e política.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://gefuem.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Jefferson Voss</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04299945059708219069</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>33</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-544535753828386859.post-3065104224545373733</id><published>2011-09-11T21:23:00.002-03:00</published><updated>2011-09-11T21:24:55.583-03:00</updated><title type='text'>Os limites da vida: da biopolítica aos cuidados de si</title><content type='html'>Orientação: Prof. Dr. Pedro Navarro&lt;br /&gt;Organização: Bruno Franceschini&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os limites da vida: da biopolítica aos cuidados de si&lt;br /&gt;PORTOCARRERO, V. Os limites da vida: da biopolítica aos cuidados de si. In: ALBUQUERQUE JUNIOR, D. M. de.; VEIGA-NETO, A.; SOUZA FILHO, A. (orgs). Cartografia de Foucault. Belo Horizonte: Autêntica, 2008. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste texto, Vera Portocarrero discute um importante conceito que perpassa o trabalho de Michel Foucault: a noção de vida. O homem e a vida enquanto objetos de estudo são trabalhos pelo filósofo em três grandes instâncias de sua ontologia, a saber: a arqueologia, a genealogia e a estética de si. Em cada uma dessas instâncias, Foucault procurou problematizar a questão da vida sob diferentes vieses.&lt;br /&gt;Num primeiro momento, em sua empreitada arqueológica, Foucault buscou na biologia, na economia e na história as condições de existência e de possibilidade da vida enquanto objeto de saber, aquilo que propiciou ao homem à possibilidade de tornar-se “objeto das ciências empíricas”. &lt;br /&gt;Já na perspectiva genealógica, Foucault procura pensar acerca das relações de poder que incidem sobre a vida e o homem com vistas a descrever de que modo a articulação das ciências biológicas “com outros campos de saber e de práticas (como as pedagógicas, militares, industriais, médicas, por exemplo)” produzem saberes sobre os indivíduos, objetivam-no.&lt;br /&gt;Por fim, na última fase dos trabalhos de Foucault, a vida e o homem remontam à Grécia antiga, onde a vida era tomada “como obra de arte”. Nessa fase, Foucault baseia-se nos conceitos de askesis e da parrhesia, os quais dizem respeito aos cuidados de si, às “experiências modificadoras da existência do indivíduo, cuja finalidade é transformar o ser mesmo do sujeito.”. &lt;br /&gt;Nessas práticas do cuidado de si, o sujeito subjetiva-se de modo a relacionar-se melhor consigo mesmo, procurando harmonizar os conceitos morais da sociedade com os conceitos éticos estabelecidos por ele, haja vista que nesse processo de transformação, o sujeito procura “ter acesso à verdade e estabelecer para si um modo de vida ético, belo, brilhante e heróico”.&lt;br /&gt;Desse modo, a autora levanta alguns questionamentos acerca da noção de vida nos trabalhos de Foucault:&lt;br /&gt;A) As condições de existência das formas modernas de objetivação do sujeito pelos saberes;&lt;br /&gt;B) As formas de objetivação pelos poderes;&lt;br /&gt;C) As condições de possibilidade de formas de subjetivação ativas realizadas por meio de experiências de transformação do modo de vida do indivíduo por si mesmo, afastada dos procedimentos modernos de normalização.&lt;br /&gt;Sobre o primeiro e segundo tópicos, é preciso compreender a arqueologia e a genealogia foucaultiana. A respeito da primeira, Foucault pretendeu pensar sobre a singularidade de um acontecimento, a irrupção de um saber, em especial de um saber sobre o homem e a vida. Já a genealogia está voltada à compreensão de como houve investimento de poder para a constituição de uma determinada singularidade para a ocorrência de um acontecimento.&lt;br /&gt;Na perspectiva de uma genealogia sobre a vida e o homem, o trabalho com o conceito de biopolítica se mostra importante, uma vez que a genealogia, de forma ampla, compreende o poder disciplinar e o exercício desse poder que individualiza o sujeito, já a biopolítica, parte integrante da genealogia, diz respeito ao poder “que se exerce sobre a vida das populações” e que “opera com controles precisos, regulações de conjunto e mecanismos de segurança para exigir mais vida, majorá-la, geri-la.”&lt;br /&gt;É nesse ponto que há um encontro entre o governo de si e o governo dos outros, haja vista que o sujeito, em um momento, está investido por uma rede de poder a qual tem legitimidade para distinguir o normal-anormal, e, em outro momento, o sujeito precisa governar a si mesmo sendo, desta forma, estabelecida pelo sujeito uma relação de resistência, como expõe Portocarrero:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Pois uma relação de poder se articula sobre dois elementos que lhe são indispensáveis: primeiro, que o outro (aquele sobre cuja vida se exerce) seja inteiramente reconhecido e mantido, até o fim, como sujeito de ação; segundo, que se abra, diante da relação de poder, todo um campo de respostas, reações, efeitos e invenções possíveis.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, Foucault observa que o governo de si e dos outros é exercido pelas práticas de confissão, quando o sujeito tem de dizer a verdade, em especial em relação ao sexo. A esse respeito, o filósofo, segundo a autora, elaborou “a genealogia do homem e do desejo – um trabalho histórico e crítico, que estabelece um elo entre sexo, subjetividade e verdade”.&lt;br /&gt;Quanto à subjetividade e à verdade, Foucault retoma ao conceito de aphrodisia e à moral judaico-cristã de modo a encontrar “o arcabouço fundamental da moral sexual européia moderna”, em especial, o filósofo procurava trabalhar os conceitos de moral e de ética, conceitos estes intimamente ligados às formas de subjetivação e aos cuidados de si.&lt;br /&gt;A moral está relacionada aos valores e regras estabelecidos pelas instituições sociais às quais os indivíduos submetem-se ou não às condutas e os valores estabelecidos socialmente. Já a ética está voltada ao modo pelo qual o sujeito estabelece para si o seu próprio estilo de portar-se perante aos códigos morais estabelecidos. Portanto, no pensamento foucaultiano, o sujeito é livre para pensar sobre como comportar-se. A essa liberdade do sujeito para governar a si mesmo, está imbricada, também, a questão do discurso e da verdade, a parrhesia. &lt;br /&gt;O conceito de parrhesia está ligado à questão da verdade, a qual era verificada com base na “correspondência entre o discurso e o modo de vida com o qual aquele que fala se acha comprometido”. Ao fazer a arqueogenealogia dos saberes sobre a vida e o homem enquanto objetos de poder e de saber que determinavam a conduta dos indivíduos, bem como das técnicas de si, quando o sujeito efetua mudanças em seu comportamento visando certa melhora no seu modo de agir.&lt;br /&gt;A questão da parrhesia, para Foucault, serviu de base para a formulação de certos aspectos teóricos como as modalidades enunciativas, em especial, naquilo que diz respeito à questão de quem está autorizado a dizer a verdade e sob quais circunstâncias. Nessa perspectiva, a autora finaliza o texto evidenciando o objetivo das problematizações de Foucault, as quais estavam voltadas à emergência de certos acontecimentos até então sem importância, irrompem e passam a ser discursivizados, a ser problematizados, como a questão da loucura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/544535753828386859-3065104224545373733?l=gefuem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gefuem.blogspot.com/feeds/3065104224545373733/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2011/09/os-limites-da-vida-da-biopolitica-aos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/3065104224545373733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/3065104224545373733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2011/09/os-limites-da-vida-da-biopolitica-aos.html' title='Os limites da vida: da biopolítica aos cuidados de si'/><author><name>Bruno Franceschini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06992527797626559473</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_0SP2DbHcLm4/TUolDW_PWgI/AAAAAAAAAoI/5leymeaM2yo/s220/Sem%2Bt%25C3%25ADtulo%2B-%2BC%25C3%25B3pia.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-544535753828386859.post-4322995770143812710</id><published>2011-09-11T21:21:00.000-03:00</published><updated>2011-09-11T21:23:03.597-03:00</updated><title type='text'>Entre a vida governada e o governo de si</title><content type='html'>Orientação: Prof. Dr. Pedro Navarro&lt;br /&gt;Organização do resumo: Andréa Zíngara                                                   Agosto de 2011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre a vida governada e o governo de si&lt;br /&gt;Márcio Alves da Fonseca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No artigo intitulado Entre o governo da vida e o governo de si, Márcio Alves da Fonseca (2008) traz à tona a problemática do tema do “governo” que, por sua vez, rege toda analítica do Poder vislumbrada nos escritos do filósofo Michel Foucault. Segundo Fonseca (idem), é em torno desse tema que Foucault, partindo de duas abordagens, trata dos mecanismos de poder que efetivam o “governo da vida” e das práticas que regem o “governo de si”.&lt;br /&gt;Nas primeiras abordagens sobre o poder presentes principalmente em Vigiar e Punir e em alguns cursos ministrados no Collège de France, Foucault tratou basicamente da constatação da insuficiência de um modelo de análise essencialista do poder que era caracterizado como repressão, como um poder disciplinar ou que era confundido com a ordem instaurada pela lei.&lt;br /&gt;No entanto, a partir do primeiro volume da História da sexualidade e do curso Em defesa da sociedade, é evidenciado nos escritos de Foucault, um movimento de ampliação dos instrumentos teóricos utilizados por ele ao analisar o poder. Assim, contra a concepção do poder como repressão, o filósofo o define como relações de força naquele texto e pensa as relações de poder a partir da matriz teórica consistente no embate de forças ou na guerra neste último. Disso constata-se que o poder é percebido como um conjunto de mecanismos que incide e atua sobre a vida, logo a necessidade de se estudar os mecanismos de segurança e de controle da vida através de uma biopolítica.&lt;br /&gt;Se com o biopoder havia um corpo específico que era objeto e sujeito das estratégias de poder, com a biopolítica esse corpo passa a ser o corpo coletivo das populações. A normalização nesse caso irá se referir aos mecanismos de regulação que atuam sobre os processos gerais da vida. Com isso, ressalta Fonseca (idem), chega-se ao tema do problema da “vida como objeto de governo”, fase em que podemos constatar estudos de Michel Foucault acerca do poder pastoral e das “artes de governar”.&lt;br /&gt;Entretanto, relembra o autor do artigo, na terceira fase dos escritos de Foucault vislumbramos estudos voltados para o “governo de si” que não deixa de ter relação com “o governo da vida”, mas que pode também ser contrário a ele. Fonseca (idem) aponta para o fato de que não se trataria de uma mudança de trajeto por parte do filósofo do poder, mas de uma inflexão na qual se alojaria um “lugar de implicação” entre as duas abordagens.&lt;br /&gt;Ao indagar-se acerca de como compreender o significado dessa implicação entre o governo da vida e o governo de si em Foucault, o autor sugere partir da noção de “crítica” desenvolvida pelo filósofo francês na qual encontraríamos uma resposta. Para tanto, Fonseca (idem) discorre primeiramente sobre o conceito de crítica presente em uma conferência proferida por Foucault em maio de 1978 intitulada Qu’est-ce que la critique e em segundo lugar, tenta identificar esse conceito no modo pelo qual Foucault opera sua filosofia.&lt;br /&gt;Partindo do próprio texto da conferência, Fonseca (idem) explica que Foucault definiu “crítica” como uma atitude e que por isso só pode existir em relação à outra coisa, diferente dela própria. O filósofo proferiu ainda, nessa conferência, que existem vários caminhos possíveis para se construir a história da “atitude crítica”. Assim, parte da ideia disseminada pelas práticas da pastoral cristã na qual todo e qualquer indivíduo deveria ser governado e deixar-se governar em sinal de obediência, objetivando sua salvação.&lt;br /&gt;A arte de governar os homens, descrita acima, era principalmente associada à vida religiosa; no entanto houve uma expansão de tal arte para além dessa esfera, ou seja, não se tratava mais de governar apenas a vida do cristão, mas como governar as crianças, os pobres, as cidades e mesmo o próprio corpo? A essas indagações, Foucault teria lançado uma questão fundamental e indissociável, a saber, “como não ser governado?” A tal atitude, a tal maneira de pensar, como por exemplo, como não ser governado de tal ou tal maneira, por meio de tais ou quais princípios, etc., que Foucault chamaria “crítica”. &lt;br /&gt;Sempre em relação à conferência, Foucault indicaria três pontos precisos e historicamente localizados da atitude crítica, os quais seriam exemplos da “arte de não ser governado”: o primeiro, relacionado à arte de governar religiosa; o segundo, relacionado à arte de governar do direito; e o terceiro, relacionado à arte de governar que estaria associada ao domínio do conhecimento. &lt;br /&gt;No primeiro, a crítica se expressaria como forma de não-aceitação da interpretação das Escrituras pela Igreja. Há, dessa forma, um movimento de retorno às Escrituras nas quais se encontraria a verdade autêntica que seria superior ao que dizia a Igreja. Já no segundo, a crítica se faria presente quando da valorização do direito natural face às leis em detrimento do direito público (espécie de justiça com as próprias mãos). Finalmente, no terceiro ponto, se teria uma atitude crítica quando não se aceitasse uma “verdade” simplesmente pelo fato de ter sido formulada por uma autoridade, mas aceitar como verdade aquilo a respeito do que se pode encontrar. &lt;br /&gt;Ainda sobre o conceito de “crítica”, o próprio Foucault, segundo Fonseca (idem), apontaria para uma aproximação de sua formulação do conceito com aquela de Kant a propósito das Luzez   na qual o pensador alemão definiu crítica como algo oposto ao estado de menoridade à qual se submeteria a humanidade face ao governo de um outro. Para esse pensador, seria o “esclarecimento” a chave de acesso à saída desse estado de menoridade em direção à emancipação, caráter este também vislumbrado em Foucault ao preconizar a crítica como expressão concreta de uma vontade de não ser governado.&lt;br /&gt;Diante do exposto, Fonseca (idem) considera correto afirmar que em ambos pensadores o problema que se coloca seria o da “autonomia”; seja nas Luzes de Kant seja no conceito de crítica de Foucault. Afirma também que a retomada da questão da crítica pela filosofia se daria pela indagação acerca da razão, já que houve para este como para aquele, uma suspeita desta ter sido responsável pelos excessos de poder experimentados pela história do Ocidente moderno.&lt;br /&gt;Disso decorre que Foucault, segundo Fonseca (idem), engaja-se em certa prática histórico-filosófica, isto é, recorre ao conteúdo histórico no intuito de desubjetivar a filosofia e ao mesmo tempo liberar esse conteúdo pela interrogação sobre os efeitos de poder produzidos pela verdade.&lt;br /&gt;Retomando o segundo passo proposto por Fonseca quanto à identificação do conceito de crítica no modo pelo qual Foucault opera sua filosofia, o autor explica que no conjunto de trabalhos de Foucault, seguindo as próprias palavras deste, ele não teria procurado tratar propriamente de uma “pesquisa pela legitimidade dos modos históricos do conhecer”, mas que foi antes uma tentativa de verificar diferentes conjuntos de elementos nos quais haveria conexões entre mecanismos de coerção e conteúdos de conhecimento.&lt;br /&gt;Quanto aos mecanismos, estes podem ser conjuntos de leis, de regulamentos, de dispositivos de materiais ou de fenômenos de autoridade. Os conteúdos de conhecimento serão apreendidos em sua heterogeneidade e selecionados conforme os efeitos de poder que carregam em si. Assim, entende-se que Foucault não buscou, em seus trabalhos, indagar o que seria verdadeiro ou falso, real ou ilusório, científico ou ideológico, mas identificar as conexões entre os mecanismos de coerção e os conteúdos de conhecimentos descritos anteriormente, perguntando-se o que faz com que determinado elemento de conhecimento possa assumir efeitos de poder ou o que faz com que certo elemento de coerção possa ter a forma de um elemento racional.&lt;br /&gt;Com tudo, uma análise pautada no binômio “saber-poder”, explica Fonseca (idem), deve descrever um nexo entre saber e poder o qual permite entender a constituição histórica de certa aceitabilidade de um sistema seja da doença mental, da penalidade, da sexualidade, etc. (no caso dos trabalhos de Foucault). Isso seria adotar um procedimento arqueológico de análise, ou seja, uma história arqueológica que procura somente as condições da aceitabilidade; apreender nos sistemas sua positividade e singularidade.&lt;br /&gt;Por singularidade não se deve entender, no pensamento de Foucault, como aquela com base em um princípio de unidade ou identidade, mas como efeito de multiplicidade de relações, em uma rede causal. Para tanto, uma análise arqueológica completa-se com o procedimento da genealogia que por sua vez, procura restituir as condições de aparecimento de uma singularidade a partir de seus múltiplos elementos determinantes.&lt;br /&gt;Para exemplificar esse procedimento de análise, Fonseca (idem) cita Paul Veyne que faz referência, em seu artigo Un archéologue scetique (2001), à História da Loucura na Idade Clássica de Foucault para explicar que diferentemente da compreensão da obra pelos historiadores franceses que acreditavam que Foucault apenas teria mostrado como a loucura era concebida em diferentes épocas, teria explorado, primeiramente, uma concepção de verdade diferente daquela entendida como relacionada a um referente; em segundo lugar que para o autor da História da loucura todo fato histórico é um singularidade, daí o fato de não se ter procurado uma verdade sobre a loucura, já que para ele não existem verdades gerais; e terceiro lugar, os fatos humanos não se originariam de uma racionalidade entendida como seu molde comum.&lt;br /&gt;Assim, ao final de seu artigo, Fonseca (idem) nos explicita em que consiste a perspectiva da história arqueológica empreendida por Foucault. Se para o pensador francês não se deve partir do pressuposto da existência de verdades gerais, a tarefa que ele propõe então é a de realizar o discernimento e a explicitação da singularidade dos acontecimentos que seria mais do que explicar seus sentidos. Acontecimento que pode ser considerado como a irrupção de uma singularidade não-necessária, mas que ainda nos atravessa; acontecimentos passados, mas que estão, no entanto, presentes na nossa atualidade. Daí a importância de não só identificar esses acontecimentos por meio de uma história arqueológica, mas de fazer a sua genealogia.&lt;br /&gt;Nesse âmbito, a história arqueológica se caracteriza como aquela que identifica e descreve a singularidade dos objetos históricos, liberando-se dos universais antropológicos que preconizam a existência de uma suposta identidade, de uma origem, de um sujeito fundante, de uma razão ou de uma verdade; e uma história genealogicamente dirigida, percorre a formação de uma determinada singularidade, acentuando as relações de poder que lhe são constituintes no intuito de perceber o modo como tais singularidades modelaram o presente.&lt;br /&gt;Após esse percurso necessário, Fonseca (idem) finaliza afirmando que ao entendermos a noção de crítica como a definiu Foucault, isto é, como a vontade decisória de não ser governado, e ao identificarmo-na na articulação entre os procedimentos da arqueologia e da genealogia, chegamos à questão presente na história sobre a ética, que consiste na tarefa moral de como organizar a própria existência, isto é, o “governo de si”. Logo, entre a vida governada e o governo de si, não haveria uma linha divisória que separaria esses domínios, mas sim uma fronteira onde se alojaria a crítica que por sua vez desempenharia o papel de remeter, incessantemente, um ao outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;REFERÊNCIA&lt;br /&gt;FONSECA, M. A. Entre a vida governada e o governo de si. In: ALBUQUERQUE JUNIOR, D. M. de.; VEIGA-NETO, A.; SOUZA FILHO, A. (orgs). Cartografia de Foucault. Belo Horizonte: Autêntica, 2008. (p. )&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/544535753828386859-4322995770143812710?l=gefuem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gefuem.blogspot.com/feeds/4322995770143812710/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2011/09/entre-vida-governada-e-o-governo-de-si.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/4322995770143812710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/4322995770143812710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2011/09/entre-vida-governada-e-o-governo-de-si.html' title='Entre a vida governada e o governo de si'/><author><name>Bruno Franceschini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06992527797626559473</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_0SP2DbHcLm4/TUolDW_PWgI/AAAAAAAAAoI/5leymeaM2yo/s220/Sem%2Bt%25C3%25ADtulo%2B-%2BC%25C3%25B3pia.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-544535753828386859.post-4298813987284980861</id><published>2011-07-03T04:10:00.004-03:00</published><updated>2011-07-03T04:24:12.529-03:00</updated><title type='text'>Programação - Segundo semestre</title><content type='html'>O GEF encerrou, no dia 29/06, os trabalhos do primeiro semestre com a discussão do texto Poder e Saber (Ditos e Escritos - Volume 4). &lt;br /&gt;Para o segundo semestre, a programação das leituras é, até o momento, a seguinte: &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Entre a vida governada e o governo de si&lt;/span&gt; (FONSECA, Márcio Alves da)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Os limites da vida: da biopolítica aos cuidados de si.&lt;/span&gt; (PORTOCARRERO, Vera)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses textos estão presentes no livro &lt;span style="font-weight:bold;"&gt; &lt;br /&gt;CARTOGRAFIAS DE FOUCAULT&lt;br /&gt;Durval Muniz de Albuquerque Júnior, Alfredo Veiga-Neto e Alípio de Souza Filho (orgs.) Belo Horizonte: Autêntica, 2008.&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao retorno, os encontros serão retomados, no dia 03/08, às 18h, no LAAP (Bloco H-35).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom descanso a todos!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/544535753828386859-4298813987284980861?l=gefuem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gefuem.blogspot.com/feeds/4298813987284980861/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2011/07/programacao-segundo-semestre.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/4298813987284980861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/4298813987284980861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2011/07/programacao-segundo-semestre.html' title='Programação - Segundo semestre'/><author><name>Bruno Franceschini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06992527797626559473</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_0SP2DbHcLm4/TUolDW_PWgI/AAAAAAAAAoI/5leymeaM2yo/s220/Sem%2Bt%25C3%25ADtulo%2B-%2BC%25C3%25B3pia.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-544535753828386859.post-677802213369339291</id><published>2011-07-03T04:07:00.001-03:00</published><updated>2011-07-03T04:10:11.168-03:00</updated><title type='text'>A vida dos homens infames</title><content type='html'>Texto organizado por Alessandro Alves e Daniela Polla &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“No momento em que se instaura um dispositivo para forçar a dizer o ‘ínfimo’, o que não se dizia, o que não merece nenhuma glória, o ‘infame’ portanto, um novo imperativo se forma, o qual vai discutir o que se poderá chamar a ética imanente ao discurso literário do Ocidente”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                    A Vida dos Homens Infames&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; No texto “A Vida dos Homens Infames”, Michel Foucault realiza uma espécie de reconstituição da conjuntura de poder – e do uso social deste – que regia os discursos oficiais e que acabou influenciando a literatura, bem como mobilizando uma série de outros discursos. Para tanto, o autor parte da seleção de textos como, por exemplo, petições, cartas régias, documentos de internamentos, entre outros, objetivando realizar não uma obra histórica, mas “uma antologia de existências”.&lt;br /&gt; Inspirado pela leitura de um registro de internamento do início do século XVIII, Foucault resolve produzir um tipo de herbário de vidas singulares, de estranhos poemas. Ele justifica sua escolha de corpus pelas emoções e “impressões físicas” que documentos como o citado lhe provocavam. Porém, segundo ele, as impressões primeiras que o motivaram ficavam de fora das análises. Por conta disso, a ideia da realização de uma compilação de “poemas-vidas”, realizada em “A Vida dos Homens Infames”.&lt;br /&gt; Para a seleção dos documentos, o autor coloca que quis que se tratassem sempre de existências reais. Portanto, todos os traços de literatura ou imaginação foram banidos. Além disso, revela-se a busca pelo maior número de relações possíveis com a realidade, bem como o desejo de falar sobre personagens sem traços de grandeza. Neste sentido, Foucault afirma que tratará de vidas reais que existiram em poucas palavras ou frases. De acordo com ele, “esses discursos realmente atravessaram vidas; essas existências foram efetivamente riscadas e perdidas nessas palavras” (FOUCAULT, 2006, p. 207).&lt;br /&gt; Essas existências simples e, de certa forma, cinzas e obscuras, teriam permanecido esquecidas, não fosse sua relação com o poder. “O que as arranca da noite em que elas teriam podido, e talvez sempre devido, permanecer é o encontro com o poder” (FOUCAULT, 2006, p. 207). O texto nos apresenta aqui o fato dessas vidas simples e sem grandeza serem destinadas a não figurar nos discursos, sendo que somente puderam deixar rastros – mesmo que muito breves e por vezes enigmáticos – a partir de sua relação com o poder naquela época estabelecido.&lt;br /&gt; Neste ponto do texto Foucault pressente críticas e afirma que podem até mesmo dizer que ele não quebra as barreiras, que não atravessa o discurso e que trata sempre sobre as relações de poder. Porém, rebate essas asserções revelando que o ponto mais intenso das vidas retratadas nos discursos analisados é justamente quando se encontram com o poder, fato que leva o autor mais uma vez a se debruçar sobre este ponto.&lt;br /&gt; Estes “poemas-vidas” somente existiram por esse choque com o poder, que quis simplesmente aniquilá-las, bani-las, apagá-las. Os relatos destas vidas nos chegam apenas por acaso. É dessa infâmia que o autor nos quer falar. Assim, apesar de&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aparentemente infames, por causa das lembranças abomináveis que deixaram, dos delitos que lhe atribuem, do horror respeitoso que inspiraram, eles de fato são homens da lenda gloriosa, mesmo se as razões dessa fama são inversas àquelas que fazem ou deveriam fazer a grandeza dos homens. Sua infâmia não é senão uma modalidade da universal fama. (FOUCAULT, 2006, p. 210).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Após uma pausa, Foucault coloca que não faz uma grande compilação sobre a infâmia, que reuniria arquivos de todas as partes do mundo. Ao contrário, seleciona somente documentos que datam de 1660 até 1760, basicamente com a mesma fonte: arquivos do internamento, das petições ao rei e das cartas régias com ordem de prisão. Escolha justificada por uma familiaridade do autor com estes textos, bem como pelo fato do filósofo vislumbrar aí apenas o começo do estudo e, “em todo caso, um acontecimento importante em que se cruzam mecanismos políticos e efeitos de discurso.” (FOUCAULT, 2006, p. 211).&lt;br /&gt; Os textos estudados, do século XVII e XVIII, possuem um tom diferenciado e próprio. Segundo Foucault, esses discursos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Têm um brilho, eles revelam no meandro de uma frase um esplendor, uma violência que desmente, ao menos aos nossos olhos, a pequenez do caso ou a mesquinhez bastante vergonhosa das intenções. As vidas mais dignas de pena aí são descritas com sd imprecações ou com a ênfase que parecem convir às mais trágicas. Efeito cômico, sem dúvida; há alguma coisa de irrisório ao se convocar todo o poder das palavras, e através delas a soberania do céu e da terra, em torno de desordens insignificantes ou de desgraças tão comuns (FOUCAULT, 2006, p. 211).&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Após isso, aparece um exemplo de uma petição ao rei. Em seguida, o autor coloca que a grandiosidade e o rebuscamento da linguagem nesses textos é diretamente proporcional ao uso do poder estabelecido para impor os castigos solicitados.&lt;br /&gt; Neste ponto do texto nos é apresentada a forma primeira com a qual o cristianismo tomava o poder sobre os fatos do dia-a-dia: a confissão. Apesar de falar do cotidiano, os discursos não eram registrados textualmente e se apagavam no momento mesmo do exercício da confissão. Mas, a partir do final do século VII, o mecanismo da confissão ficou ultrapassado e foi substituído pelos meios administrativos. Assim, o método religioso perdeu espaço para o mecanismo de registro e não mais do perdão.&lt;br /&gt; Com a referida inversão, a forma de passagem do cotidiano ao discurso passou da confissão para as denúncias, as queixas, a inquirição, os relatórios. Tudo é registrado por escrito e passa a compor uma espécie de banco de dados. O que temos, então,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um tipo de relações completamente diferente que se estabelece entre o poder, o discurso e o cotidiano, uma maneira totalmente diferente de o reger e de o formular. Nasce, para a vida comum, uma nova forma de mise em scène.” (FOUCAULT, 2006, p. 213).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Os instrumentos dessa novidade das relações entre poder, discurso e cotidiano são conhecidos: as petições, as cartas régias e os registros de internamentos diversos. O autor nos fala da intensidade e de certa beleza com as quais são revestidas as imagens dos homens que nos chegam com o rosto da infâmia, embora afirme o fato de esses documentos evocarem a ideia de um monarca absoluto. Nesta parte do texto Foucault nos revela que as “ordens do rei” contidas nos documentos analisados raramente partiam do próprio, como uma imposição de cima para baixo. Ao contrário, na maior parte do tempo eram solicitadas pela família, pelos amigos ou pelos vizinhos dos acusados, eventualmente por um membro representativo da sociedade. Apesar disso, o pedido não era concedido sem antes um procedimento de inquirição, destinado a avaliar a pertinência da demanda.&lt;br /&gt; Ao considerar as características absolutistas do poder monárquico, percebe-se o fato de que, sabendo jogar o jogo do poder estabelecido, qualquer um pode ser, para o outro, um monarca, fazendo toda uma cadeia política cruzar o cotidiano dos homens infames.&lt;br /&gt; Assim, torna-se especialmente relevante o fato de estas novas relações surgirem, fazendo circular uma infinidade de novos discursos. Houve, dessa forma, um apelo para se pôr em discurso “agitações e cada um dos pequenos sofrimentos.” (FOUCAULT, 2006, p. 216). Isto tudo nos propicia a percepção de que, durante muito tempo, apenas gestos grandiosos e dignos de admiração figuravam nos textos escritos; com o cotidiano atravessado por mecanismos do poder político tem-se o comum e o detalhe podendo fazer parte dos discursos.&lt;br /&gt; Em sua forma inicial, estes discursos a respeito do dia-a-dia somente puderam circular em função do rei. Caso contrário, o banal não poderia ser dito. Surge desta remissão ao monarca, a forma singular, cativa ou suplicante desses discursos. Sendo assim,&lt;br /&gt;Cada uma dessas pequenas histórias do dia-a-dia devia ser dita com a ênfase dos raros acontecimentos que são dignos de reter a atenção dos monarcas. Nunca, mais tarde, a morna administração policial nem os dossiês da medicina ou da psiquiatria encontrarão semelhantes efeitos de linguagem. (FOUCAULT, 2006, p. 217).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Além disso, o autor nos lembra que os autores destes textos do cotidiano vinham de condições muito baixas, sendo pouco ou nada alfabetizados, ocorrendo com isso a mistura de um vocabulário destinado ao tratamento de um rei com palavras inapropriadas ou violentas. A isto, Foucault chamou de disparate. Ocorre, para ele, um disparate entre a coisa dita e a maneira de dizê-las; o mesmo disparate se dá na relação dos que pedem, suplicam com aqueles que detêm todo o poder. Porém, esses discursos guardam “toda uma turbulência popular, toda uma miséria e um violência, toda uma ‘baixeza’ como se dizia, que nenhuma literatura nessa época teria podido acolher.” (FOUCAULT, 2006, p. 218).&lt;br /&gt; Neste sentido, o autor alerta para o fato de todo este disparate ser apagado um dia. Isto porque o poder não mais se dará de forma absolutista e sim por meio de uma rede fina, diferenciada e contínua na qual atuam diversas instituições. Assim sendo, os homens infames passarão a ser vistos como ‘negócios’, crônicas ou casos.&lt;br /&gt; Dando início ao encerramento do texto, Foucault nos fala da importância da massa ter podido falar de si mesma, mesmo por meio dos documentos analisados. Para ele, esta maquinaria do poder constituída nesses discursos dos homens infames, contribuiu para a constituição de novos saberes. O que ele afirma é que na virada dos séculos XVII e XVIII a relação entre discurso, cotidiano, vida e verdade se entrelaçam de forma a abarcar também a literatura.&lt;br /&gt; Retoma-se neste ponto a ideia de que por muito tempo o cotidiano figurou nos discursos somente sob a forma de “chiste” ou do fabuloso, fato este que mudou graças às relações entre poder, cotidiano e discurso, vigentes nos séculos XVII e XVII. Com isso, passa-se a usar o discurso para fazer aparecer o que não aparece, o que se dá pela instauração de um dispositivo que força a dizer o ínfimo, constituindo o novo imperativo da literatura do Ocidente.&lt;br /&gt; Assim, a literatura engaja-se a esta conjuntura social - apesar de não se reduzir a ela – na medida em que substitui o fabuloso pelo fictício e contribuiu para que o cotidiano fosse posto em discurso. Porém, ela vai além disso: a literatura busca e apresenta o cotidiano por baixo dele mesmo, fazendo dizer o inconfessável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;REFERÊNCIAS&lt;br /&gt;FOUCAULT, M. A Vida dos Homens Infames. In: FOUCAULT, M. Estratégia, Poder-Saber. 2ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2006. (p. 203-222)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/544535753828386859-677802213369339291?l=gefuem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gefuem.blogspot.com/feeds/677802213369339291/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2011/07/vida-dos-homens-infames.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/677802213369339291'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/677802213369339291'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2011/07/vida-dos-homens-infames.html' title='A vida dos homens infames'/><author><name>Bruno Franceschini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06992527797626559473</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_0SP2DbHcLm4/TUolDW_PWgI/AAAAAAAAAoI/5leymeaM2yo/s220/Sem%2Bt%25C3%25ADtulo%2B-%2BC%25C3%25B3pia.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-544535753828386859.post-6493069158330284882</id><published>2011-07-03T04:04:00.001-03:00</published><updated>2011-07-03T04:07:44.777-03:00</updated><title type='text'>História na introdução de A Arqueologia do Saber</title><content type='html'>A História e o Discurso em Michel Foucault&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                        Pedro Navarro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1)Fase arqueológica (história) dos saberes em 3 livros: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;História da Loucura (o louco), &lt;br /&gt;História da Clínica (o doente, o discurso médico), &lt;br /&gt;As palavras e as coisas (o homem em relação ao trabalho – história das riquezas, da economia -, o homem em relação à linguagem – filologia, gramática -, o homem em relação à vida – biologia).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2)Exposição do método de análise dos discursos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Arqueologia do Saber&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3)Noção de história apresentada por oposições: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;História Global versus História Geral&lt;br /&gt;       cronologia vs diferentes temporalidades&lt;br /&gt;     continuidade vs descontinuidade &lt;br /&gt; sujeito fundante vs descentramento do sujeito&lt;br /&gt;documento (verdade) vs monumento (interpretação) &lt;br /&gt;          unidade vs série&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4)Proposta metodológica:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recorta-se uma série enunciativa para verificar as relações entre os elementos dessas séries e o modo como elas significam, constroem, produzem sentidos sobre esses acontecimentos. Isola-se a instância do acontecimento buscando relacioná-lo não à atividade fundadora de um autor, de uma obra, da tradição ou espírito de época, mas a outros enunciados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5)A suspensão das unidades do discurso (tradição, influência, desenvolvimento e evolução, mentalidade ou espírito, livro, obra, autor) e renúncia aos temas da origem e já-dito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6)Distinção entre descrição lingüística e análise arqueologia &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7)O enunciado como acontecimento&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/544535753828386859-6493069158330284882?l=gefuem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gefuem.blogspot.com/feeds/6493069158330284882/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2011/07/historia-na-introducao-de-arqueologia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/6493069158330284882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/6493069158330284882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2011/07/historia-na-introducao-de-arqueologia.html' title='História na introdução de A Arqueologia do Saber'/><author><name>Bruno Franceschini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06992527797626559473</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_0SP2DbHcLm4/TUolDW_PWgI/AAAAAAAAAoI/5leymeaM2yo/s220/Sem%2Bt%25C3%25ADtulo%2B-%2BC%25C3%25B3pia.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-544535753828386859.post-7894511099863447653</id><published>2011-06-07T00:51:00.000-03:00</published><updated>2011-06-07T00:52:13.716-03:00</updated><title type='text'>A sombra do paradoxo: Epistémê e acontecimento</title><content type='html'>Orientação: Prof. Dr. Pedro Navarro&lt;br /&gt;Organização: Bruno Franceschini&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sombra do paradoxo: Epistémê e acontecimento&lt;br /&gt;QUEIROZ, André. Foucault: o paradoxo das passagens. Rio de Janeiro: Pazulin, 1999. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Arqueologia do Saber foi escrita de modo a rebater as críticas surgidas de “As Palavras e as Coisas”, de 1966, a qual suscitou diversas críticas à Michel Foucault por conta de delimitação precisa das epistémês “como o espaço de definição e da configuração de certos saberes em determinadas épocas” (p.40).&lt;br /&gt;Ao confrontar essas críticas e esclarecer os objetivos da análise arqueológica, Foucault, em “A Arqueologia do Saber”, procurou delimitar as regras de formação dos saberes, das práticas discursivas em conceitos tais como: enunciado, formação discursiva e arquivo, os quais têm por função a descrição do “nível de penetração” e da “razão de ser” de um discurso, de uma prática discursiva. &lt;br /&gt;A preocupação em pontuar esses conceitos é justificada pela “crítica à continuidade e ao antropologismo” (p. 41) apresentado em “As Palavras e as Coisas”. Assim, a Arqueologia tem por mote definir os parâmetros da análise arqueológica com vistas à “eliminar as hipóteses de uma (sua) predisposição à descontinuidade.” (p. 41). Para Foucault, segundo Queiroz (1999), o método proposto na Arqueologia está fundado nas regras de formação, na regularidade discursiva, nos “a priori” históricos e nos arquivos.&lt;br /&gt;A crítica à noção de epistémê é um tanto quanto curiosa, porque este conceito é praticamente excluído na Arqueologia. Se, em As Palavras e as Coisas, Foucault a epistémê diz respeito, nas palavras de Machado (apud Queiroz, 1999), à “existência necessária de uma ordem, de um princípio de ordenação histórica dos saberes anterior à ordenação do discurso.” (p.42), Já na Arqueologia, Foucault trabalha este conceito como o “conjunto de relações que podem unir formações discursivas que dão lugar a figuras epistemológicas” (p.47). Ou seja, A Arqueologia procura, na descrição dos “a priori” históricos, a “profundidade anterior aos discursos, a cientificidade destes, mas contemporâneo aos processos de formação dos discursos” (p. 43).&lt;br /&gt;É neste entremeio que, segundo Queiroz (1999, p. 44), está o paradoxo foucaultiano acerca da epistémê, posto que a epistémê, num primeiro momento, é “solo de regência do que é possível (saberes, enunciados, formações discursivas)”, no entanto, surge o questionamento sobre a inserção destes aspectos “num solo epistemológico datado e não nas regiões dos seus limites”, ocorrendo, deste modo, o questionamento quanto à descontinuidade das epistémês com relação aos aspectos de globalidade e de profundidade deste conceito. Para Foucault, “a descontinuidade encerrada em solos de simultaneidade e uma quase impossibilidade lógica de pensarmos as mutações históricas... ou como Foucault preferia dizer: os acontecimentos.”. Ao tratar do descontínuo, das multiplicidades, das dispersões, é que o filósofo, delimita os conceitos de epistémê e de acontecimento na análise arqueológica e reformula o que fora apresentado em As Palavras e as Coisas e na A Arqueologia do Saber.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/544535753828386859-7894511099863447653?l=gefuem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gefuem.blogspot.com/feeds/7894511099863447653/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2011/06/sombra-do-paradoxo-episteme-e.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/7894511099863447653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/7894511099863447653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2011/06/sombra-do-paradoxo-episteme-e.html' title='A sombra do paradoxo: Epistémê e acontecimento'/><author><name>Bruno Franceschini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06992527797626559473</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_0SP2DbHcLm4/TUolDW_PWgI/AAAAAAAAAoI/5leymeaM2yo/s220/Sem%2Bt%25C3%25ADtulo%2B-%2BC%25C3%25B3pia.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-544535753828386859.post-7151495194455803699</id><published>2011-06-07T00:50:00.000-03:00</published><updated>2011-06-07T00:51:42.031-03:00</updated><title type='text'>Retornar à História</title><content type='html'>Orientação: Prof. Dr. Pedro Navarro&lt;br /&gt;Organização: Bruno Franceschini&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retornar à História&lt;br /&gt;FOUCAULT, M. Arqueologia das Ciências e História dos sistemas de pensamento. 2 ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em “Retornar à História”, Foucault trata das implicações do Estruturalismo e da História na estratégia de reformulação do conceito de acontecimento. Um aspecto tratado no texto diz respeito ao propósito inicial dessa corrente filosófica: a oferta de “um método mais preciso e mais rigoroso às pesquisas históricas” (p. 282). Assim, o Estruturalismo procurava fazer uma história “rigorosa e sistemática” (p. 282), como exemplificado no texto:&lt;br /&gt; a) método estrutural em Etnologia;&lt;br /&gt;b) Linguística - fonética histórica;&lt;br /&gt;c) aplicação do Estruturalismo à Literatura.&lt;br /&gt;No entanto, às aplicações do método estrutural à essas ciências não foram bem sucedidas, uma vez que o aspecto histórico não havia sido considerado em sua dimensão. Foucault questiona então alguns entraves deste método, tais como: “Como é possível fazer história, se não se leva em conta o tempo? Mas há mais. Como se poderia dizer que a análise estrutural é histórica, se ela privilegia não somente a simultaneidade sobre o sucessivo, mas, por outro lado, o lógico sobre o causal?” (p. 285)&lt;br /&gt;Foucault ainda aponta outra brecha deixada pelo Estruturalismo ao mostrar a consideração da estrutura e das regras de coerção em detrimento à prática humana. Sobre as influências do movimento marxista na corrente estruturalista, o filósofo traz a releitura empreendida por Althusser acerca do Marxismo.&lt;br /&gt;A análise althusseriana mostrou a finalidade da História até o século XX: a reconstrução do “passado dos grandes conjuntos nacionais, conforme os quais a sociedade industrial capitalista se dividia ou se agrupava.” (p. 286). Desse modo, a História, na ideologia burguesa, foi fundamental para mostrar a unidade desses conjuntos nacionais necessários para a manutenção do Capitalismo, porque o sistema ideológico no qual a História estava inscrita servia para reforçar a “totalidade do passado nacional” (p. 286).&lt;br /&gt;Porém, para a compreensão do papel da História “ela deve ser preferencialmente compreendida como a análise das transformações das quais as sociedades são efetivamente capazes” (p. 287). Em perspectiva foucaultiana, é preciso considerar, a partir de agora, a mudança e o acontecimento, e não mais o tempo e o passado, como Foucault propõe a prática de uma “história serial”, a qual tem por objetivo estudar, “a partir de um conjunto de documentos dos quais ela dispõe”, e estabelecer, com base nesses documentos, um certo número de relações, “assim, a história serial faz emergir diferentes estratos de acontecimentos, dos quais são visíveis, imediatamente conhecidos até pelos contemporâneos, e em seguida, debaixo desses acontecimentos que são de qualquer forma a espuma da história, há outros acontecimentos invisíveis, imperceptíveis para os contemporâneos, e que são de um tipo completamente diferente.” (p. 291). &lt;br /&gt;No que se refere a isto, Foucault (2008, p. 5) atesta que &lt;br /&gt;não se trata de colocar tudo num certo plano, que seria o do acontecimento, mas de considerar que existe todo um escalonamento de tipos de acontecimentos que não têm o mesmo alcance, a mesma amplitude cronológica, nem a mesma capacidade de produzir efeitos. O problema é ao mesmo tempo distinguir os acontecimentos, diferenciar as redes e os níveis a que pertencem e reconstituir os fios que os ligam e que fazem com que se engendrem, uns a partir dos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Dessa forma, os acontecimentos pertencem a níveis diferenciados e podem se constituir como fatos comuns ou mesmo extraordinários, contudo, estão sempre apontando para as diferentes temporalidades que compõem a história, ou seja, enquanto relações discursivas, estes se justapõem, sobrepõem, interpelam, atualizam e coexistem.&lt;br /&gt;Em oposição à História Tradicional, aquela na qual o historiador buscava a causa ou o sentido escondido por trás de um determinado fato visível, assim, a história serial permitiu ao historiador a descoberta, no interior da História, tipos de durações diferentes.&lt;br /&gt;Foucault finaliza o texto tecendo comentários sobre a necessidade da substituição da “noção de tempo pela noção de duração múltipla” (p. 293). Ou seja, não há uma corrente evolutiva que engloba todos os acontecimentos sociais, ocorre, “na verdade, durações múltiplas, e cada uma delas é portadora de um certo tipo de acontecimentos.” (p. 294).&lt;br /&gt;Há ainda a ressalva a não-consideração da interpretação por parte dos historiadores e dos estruturalistas, porque “eles tratam o documento do ponto de vista de suas relações internas e externas” (p. 294). Nesse movimento de descrição apenas, os estruturalistas e os historiadores falham em definir as transformações e os tipos de acontecimentos e suas durações, respectivamente, pois não atentam ao “aparecimento das descontinuidades na História e o aparecimento de transformações regradas e coerentes.” (p. 295).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/544535753828386859-7151495194455803699?l=gefuem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gefuem.blogspot.com/feeds/7151495194455803699/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2011/06/retornar-historia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/7151495194455803699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/7151495194455803699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2011/06/retornar-historia.html' title='Retornar à História'/><author><name>Bruno Franceschini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06992527797626559473</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_0SP2DbHcLm4/TUolDW_PWgI/AAAAAAAAAoI/5leymeaM2yo/s220/Sem%2Bt%25C3%25ADtulo%2B-%2BC%25C3%25B3pia.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-544535753828386859.post-1483109315980273834</id><published>2011-05-16T02:19:00.003-03:00</published><updated>2011-05-20T16:26:47.350-03:00</updated><title type='text'>GEF participa de congresso em Assis</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-FbzC3QcGl5w/Tda8f5FTEhI/AAAAAAAAAp0/2brAZAyWZpw/s1600/OgAAAFEEG8Gfsoy86Gxkp4D8k06tkD6Sd8z_ITVnBCoXsReKYMIAQfY060pGo0-9Hgs1NSOo9_GSlMfTdMYvKZQltmIAm1T1UFGtfjJGAbPnYTmZPOFdlGkqmqqo.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-FbzC3QcGl5w/Tda8f5FTEhI/AAAAAAAAAp0/2brAZAyWZpw/s320/OgAAAFEEG8Gfsoy86Gxkp4D8k06tkD6Sd8z_ITVnBCoXsReKYMIAQfY060pGo0-9Hgs1NSOo9_GSlMfTdMYvKZQltmIAm1T1UFGtfjJGAbPnYTmZPOFdlGkqmqqo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5608877642021540370" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O GEF esteve presente no I CITED (I Colóquio Internacional de Texto e Discurso) realizado na UNESP, em Assis (SP), entre os dias 16 e 20 de maio. Durante o evento, o grupo participou do simpósio "DISCURSO E SUJEITO: PERSPECTIVAS FOUCAULTIANAS", sob a coordenação do Prof. Dr. Pedro Navarro. As pesquisas apresentadas e as discussões realizadas estavam centradas nos três eixos estudados por Foucault: ser-saber, ser-poder e a estética de si aplicados à diferentes materialidades analíticas e sujeitos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/544535753828386859-1483109315980273834?l=gefuem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gefuem.blogspot.com/feeds/1483109315980273834/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2011/05/gef-participa-de-congresso-em-assis.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/1483109315980273834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/1483109315980273834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2011/05/gef-participa-de-congresso-em-assis.html' title='GEF participa de congresso em Assis'/><author><name>Bruno Franceschini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06992527797626559473</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_0SP2DbHcLm4/TUolDW_PWgI/AAAAAAAAAoI/5leymeaM2yo/s220/Sem%2Bt%25C3%25ADtulo%2B-%2BC%25C3%25B3pia.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-FbzC3QcGl5w/Tda8f5FTEhI/AAAAAAAAAp0/2brAZAyWZpw/s72-c/OgAAAFEEG8Gfsoy86Gxkp4D8k06tkD6Sd8z_ITVnBCoXsReKYMIAQfY060pGo0-9Hgs1NSOo9_GSlMfTdMYvKZQltmIAm1T1UFGtfjJGAbPnYTmZPOFdlGkqmqqo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-544535753828386859.post-4179077371963334257</id><published>2011-04-27T19:22:00.003-03:00</published><updated>2011-04-27T19:26:24.907-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Encontros do GEF'/><title type='text'>Resumo: Retornar à História (Michel Foucault)</title><content type='html'>Organização: Bruno Franceschini&lt;br /&gt;Orientação: Prof. Dr. Pedro Navarro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                               Retornar à História&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FOUCAULT, M. Arqueologia das Ciências e História dos sistemas de pensamento. 2 ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em “Retornar à História”, Foucault trata das implicações do Estruturalismo e da História na estratégia de reformulação do conceito de acontecimento. Um aspecto tratado no texto diz respeito ao propósito inicial dessa corrente filosófica: a oferta de “um método mais preciso e mais rigoroso às pesquisas históricas” (p. 282). Assim, o Estruturalismo procurava fazer uma história “rigorosa e sistemática” (p. 282), como exemplificado no texto:&lt;br /&gt; a) método estrutural em Etnologia;&lt;br /&gt;b) Linguística - fonética histórica;&lt;br /&gt;c) aplicação do Estruturalismo à Literatura.&lt;br /&gt;No entanto, às aplicações do método estrutural à essas ciências não foram bem sucedidas, uma vez que o aspecto histórico não havia sido considerado em sua dimensão. Foucault questiona então alguns entraves deste método, tais como: “Como é possível fazer história, se não se leva em conta o tempo? Mas há mais. Como se poderia dizer que a análise estrutural é histórica, se ela privilegia não somente a simultaneidade sobre o sucessivo, mas, por outro lado, o lógico sobre o causal?” (p. 285)&lt;br /&gt;Foucault ainda aponta outra brecha deixada pelo Estruturalismo ao mostrar a consideração da estrutura e das regras de coerção em detrimento à prática humana. Sobre as influências do movimento marxista na corrente estruturalista, o filósofo traz a releitura empreendida por Althusser acerca do Marxismo.&lt;br /&gt;A análise althusseriana mostrou a finalidade da História até o século XX: a reconstrução do “passado dos grandes conjuntos nacionais, conforme os quais a sociedade industrial capitalista se dividia ou se agrupava.” (p. 286). Desse modo, a História, na ideologia burguesa, foi fundamental para mostrar a unidade desses conjuntos nacionais necessários para a manutenção do Capitalismo, porque o sistema ideológico no qual a História estava inscrita servia para reforçar a “totalidade do passado nacional” (p. 286).&lt;br /&gt;Porém, para a compreensão do papel da História “ela deve ser preferencialmente compreendida como a análise das transformações das quais as sociedades são efetivamente capazes” (p. 287). Em perspectiva foucaultiana, é preciso considerar, a partir de agora, a mudança e o acontecimento, e não mais o tempo e o passado, como Foucault propõe a prática de uma “história serial”, a qual tem por objetivo estudar, “a partir de um conjunto de documentos dos quais ela dispõe”, e estabelecer, com base nesses documentos, um certo número de relações, “assim, a história serial faz emergir diferentes estratos de acontecimentos, dos quais são visíveis, imediatamente conhecidos até pelos contemporâneos, e em seguida, debaixo desses acontecimentos que são de qualquer forma a espuma da história, há outros acontecimentos invisíveis, imperceptíveis para os contemporâneos, e que são de um tipo completamente diferente.” (p. 291). &lt;br /&gt;No que se refere a isto, Foucault (2008, p. 5) atesta que &lt;br /&gt;não se trata de colocar tudo num certo plano, que seria o do acontecimento, mas de considerar que existe todo um escalonamento de tipos de acontecimentos que não têm o mesmo alcance, a mesma amplitude cronológica, nem a mesma capacidade de produzir efeitos. O problema é ao mesmo tempo distinguir os acontecimentos, diferenciar as redes e os níveis a que pertencem e reconstituir os fios que os ligam e que fazem com que se engendrem, uns a partir dos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Dessa forma, os acontecimentos pertencem a níveis diferenciados e podem se constituir como fatos comuns ou mesmo extraordinários, contudo, estão sempre apontando para as diferentes temporalidades que compõem a história, ou seja, enquanto relações discursivas, estes se justapõem, sobrepõem, interpelam, atualizam e coexistem.&lt;br /&gt;Em oposição à História Tradicional, aquela na qual o historiador buscava a causa ou o sentido escondido por trás de um determinado fato visível, assim, a história serial permitiu ao historiador a descoberta, no interior da História, tipos de durações diferentes.&lt;br /&gt;Foucault finaliza o texto tecendo comentários sobre a necessidade da substituição da “noção de tempo pela noção de duração múltipla” (p. 293). Ou seja, não há uma corrente evolutiva que engloba todos os acontecimentos sociais, ocorre, “na verdade, durações múltiplas, e cada uma delas é portadora de um certo tipo de acontecimentos.” (p. 294).&lt;br /&gt;Há ainda a ressalva a não-consideração da interpretação por parte dos historiadores e dos estruturalistas, porque “eles tratam o documento do ponto de vista de suas relações internas e externas” (p. 294). Nesse movimento de descrição apenas, os estruturalistas e os historiadores falham em definir as transformações e os tipos de acontecimentos e suas durações, respectivamente, pois não atentam ao “aparecimento das descontinuidades na História e o aparecimento de transformações regradas e coerentes.” (p. 295).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/544535753828386859-4179077371963334257?l=gefuem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gefuem.blogspot.com/feeds/4179077371963334257/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2011/04/resumo-retornar-historia-michel.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/4179077371963334257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/4179077371963334257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2011/04/resumo-retornar-historia-michel.html' title='Resumo: Retornar à História (Michel Foucault)'/><author><name>Bruno Franceschini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06992527797626559473</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_0SP2DbHcLm4/TUolDW_PWgI/AAAAAAAAAoI/5leymeaM2yo/s220/Sem%2Bt%25C3%25ADtulo%2B-%2BC%25C3%25B3pia.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-544535753828386859.post-2279360549731472330</id><published>2011-04-27T19:16:00.003-03:00</published><updated>2011-04-27T19:27:06.987-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Encontros do GEF'/><title type='text'>Resumo: Alguma Arqueologia (André Queiroz)</title><content type='html'>Organização do resumo: Andréa Zíngara&lt;br /&gt;Orientação: Prof. Dr. Pedro Navarro                                                &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...) Podemos então perguntar o que é a “arqueologia”, se não é nem uma teoria nem uma metodologia. Minha resposta é que é alguma coisa como a designação de um objeto: uma tentativa de identificar o nível no qual precisava situar-me para fazer emergir esses objetivos que eu tinha manipulado durante muito tempo sem saber sequer que eles existiam, e portanto sem poder nomeá-los.&lt;br /&gt;Michel Foucault&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguma Arqueologia insere-se no livro intitulado Foucault: o paradoxo das passagens de André Queiroz, cujo título já suscitaria discussão. No entanto, em poucas páginas o leitor é situado a propósito desse paradoxo principalmente relacionado ao estatuto da noção de descontinuidade presente em dois textos de Michel Foucault, A história da Loucura (1961) e As palavras e as Coisas (1966).&lt;br /&gt;Vale lembrar que na fase chamada “arqueológica” o filósofo francês trata da história dos saberes. Suas pesquisas resultaram em três obras, talvez as mais polêmicas, a saber, História da Loucura (idem), O nascimento da Clínica (1963) e As palavras e as Coisas (idem) as quais inspirariam ou “exigiriam” a escrita de uma quarta obra, A arqueologia do saber (1969), na qual Foucault procura esclarecer alguns conceitos até então mal interpretados por uma parcela de intelectuais de seu tempo. Nela também o filósofo deseja, segundo Lecourt (1996), libertar-se dos aspectos “estruturalistas” da episteme vislumbrada, sobretudo na obra de 1966.&lt;br /&gt;Segundo Queiroz (1999), a pesquisa arqueológica de Foucault caracteriza-se pelo fato deste colocar-se fora do eixo da continuidade, para além do estigma do progresso científico, ou da inteligibilidade da história. Sua arqueologia não consiste, porém, em um método e tampouco em uma teoria, pois conforme o próprio filósofo ela “é alguma coisa como a designação de um objeto: uma tentativa de identificar o nível no qual precisava situar-me para fazer emergir esses objetivos que eu tinha manipulado durante muito tempo sem saber sequer que eles existiam, portanto, sem poder nomeá-los” (p. 33). &lt;br /&gt;Se seu empreendimento não constitui um método nem uma teoria, ele configura-se, pelo menos, como uma trajetória na qual se observa, conforme Queiroz (idem), um sem-número de passagens. Assim, o projeto maior desse empreendimento seria o de opor-se às histórias totalizantes, contínuas e retrospectivas; opor-se à história das ideias e das ciências para apoiar-se em uma arqueologia que se define por sistemas de simultaneidade e por série de mutações necessárias e suficientes para circunscrever o limiar de uma positividade nova . Todavia, sua obra não foi assim interpretada por boa parcela de leitores, já que Foucault teria sido alvo de duras críticas, sendo tachado de “estruturalista” e até mesmo apontado como alguém que teria recusado a história. &lt;br /&gt;O autor de Alguma arqueologia chama atenção para o fato de que ficar entre uma determinada análise conceitual e uma renovação de procedimentos técnico-conceituais, isto é, novos postulados de pesquisa, é ficar restrito ao nível dos temas e das ideias, dos fantasmas da quase-continuidade que por sua vez é regida pelos avanços de uma história como discursividade de um espaço sem fissura.  Mas, essa quase-continuidade é rompida pela análise foucaultiana que se desarticula do nível dos temas e das ideias, e se coloca ao nível dos estratos, das formas, do arquivo, excluindo o tema geral do conhecimento.&lt;br /&gt;As passagens às quais se refere o autor dizem respeito aos textos das referidas obras sobre os quais os pressupostos críticos de Foucault se articulam, ainda que ele não fale a partir dos mesmos instrumentais, conforme explica Queiroz (idem, p. 33-34). &lt;br /&gt;Um grande equívoco acerca dos discursos sobre a loucura é denunciado em História da Loucura (1961), já que aí os mesmos são destituídos de uma história retrospectiva que pretendia que passado e presente se articulassem por meio de argumentos que invocam precursores e continuidades. Assim, a loucura como doença mental pode ser, segundo Foucault, historicizada, datada e localizada a partir do século XIX.&lt;br /&gt;Já em O nascimento da Clínica (1963) contemplam-se críticas às análises que assimilam a medicina moderna à medicina clássica, quando Foucault apoia-se no “a priori” concreto de cada época e na disposição arqueológica que caracteriza as práticas médicas em suas descontinuidades. Rompe, mais uma vez, com a pretensa continuidade.&lt;br /&gt;Como não seria diferente, em As palavras e as Coisas (1966), Michel Foucault persiste em mostrar as descontinuidades ou rupturas arqueológicas (transformações que se referem ao regime geral de uma ou várias formações discursivas) que promovem os deslocamentos dos saberes. Em busca de uma análise das experiências empíricas da vida, do trabalho e da linguagem, o autor busca situar a emergência das ciências humanas que deslocaram o saber do espaço da representação clássica. Descarta-se, assim, a teoria geral das representações para dar lugar à noção de epistémê (ordem histórica dos saberes).&lt;br /&gt;Nesse ponto, Queiroz atenta-se para o fato de que se deve questionar a propósito de alguns aspectos dessas passagens ao indagar: da História da Loucura à As Palavras e as Coisas, a descontinuidade empreendida por Foucault tem o mesmo estatuto?&lt;br /&gt;Para tanto, o autor explica que no Renascimento havia uma ambiguidade na percepção da loucura que era percebida como crítica ou trágica tendo sido a primeira predominante; Nela a loucura era desprovida de seu saber ou de suas verdades fundamentais. Na idade clássica o louco era assimilado à desordem ética do libertino, do herege, do promíscuo. Esse louco torna-se o “outro” da razão, aquele que desrespeita as leis do mundo e que é considerado como que “culpado” pela sua condição e como punição, o isolamento. Finalmente, na modernidade, o louco ficaria também apartado, já que havia perdido sua razão; no entanto, é percebido mais como vítima do que agente de seu infortúnio e de sua dor, diferentemente do louco da idade clássica que passa a ser visto como útil para a demanda de mão-de-obra do capitalismo, não havendo razão, dessa forma, para ficar internado.&lt;br /&gt;Nesse panorama, destaca-se que na dimensão fundamental da loucura observa-se a descontinuidade nas práticas de poder sobre o louco, no entanto o espaço onde se dá sua experiência fundamental deveria ser pensado como um elemento de continuidade. A própria loucura se sobreporia à história de sua captura, logo a descontinuidade não se daria por completo.&lt;br /&gt;Em As Palavras e as Coisas (1966), o conhecimento baseado no visível é rejeitado para dar lugar à ordem do empírico. A epistémê é uma ordem histórica dos saberes. Aqui o homem aparece como objeto do saber, como ser que trabalha, vive e fala, está preso à produção e à linguagem. Todavia, essas problematizações e novos saberes puderam emergir graças ao deslocamento da epistémê clássica da representação que deu lugar a uma nova epistémê.&lt;br /&gt;Ao comparar o pensamento do filósofo Michel Foucault nas duas obras, Queiroz (1999) conclui ou deixa concluir que nesta última não há resquícios de uma continuidade fundamental como aquela presente em A história da loucura, uma vez que a partir do plano da epistémê, o qual rege os objetos e todos os saberes, vislumbra-se um plano de simultaneidades que delimitam o que pode ou não ser pensado e a partir dele permanece atado ao presente de sua época.&lt;br /&gt;O autor ressalta ainda que a arqueologia foucaultiana, caracterizada principalmente pela crítica a um modelo historicizante característico das histórias das ideias e das ciências, esbarra no paradoxo de seu próprio discurso já que se percebe uma “quase-continuidade” da loucura, pensada como “experiência fundamental”, em A história da loucura que seria incoerente com a descontinuidade radical constatada da epistémê, levando a pensar que o estatuto da descontinuidade não pode ser o mesmo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Referências&lt;br /&gt;LECOURT, D. A Arqueologia e o Saber. In: ROUANET, S. P.; MERQUIOR, J.G. (orgs.) O homem e o discurso. A arqueologia de Michel Foucault. 2ª.ed. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2008, p. 43-66.&lt;br /&gt;QUEIROZ, A. Alguma Arqueologia. In: ______. Foucault: o paradoxo das passagens. Rio de Janeiro: Pazulin, 1999. p. 29-38.&lt;br /&gt;Referências consultadas&lt;br /&gt;GREGOLIN, M.R.V. O enunciado e o arquivo: Foucault (entre)vistas. In: SARGENTINI, V.; NAVARRO-BARBOSA, P. (orgs). Foucault e os domínios da linguagem: discurso, poder, subjetividade. São Carlos: Claraluz, 2004, p. 23-44.&lt;br /&gt;MACHADO, R. Uma Arqueologia do Saber. In: ______. Foucault: a ciência e o saber. 4ª. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2009. p.111-142.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1)Por que alguma (coisa ou quantidade indefinida) arqueologia? Se a arqueologia foucautiana é indefinida ou incompleta, onde, exatamente, estaria sua inconsistência, ou sua incompletude?&lt;br /&gt;2)O paradoxo do qual trata Queiroz faz referência a que e de que/qual passagem (ens) fala o autor?&lt;br /&gt;3)Em que consiste a fase arqueológica ou história dos saberes e quais são as obras de Foucault que representariam essa fase?&lt;br /&gt;4)Foaucault é tachado de “estruturalista” e como alguém que teria recusado a história. No entanto, o filósofo se diz totalmente “anti-estruturalista”. Como é resolvido esse “impasse”? &lt;br /&gt;5)Como Foucault define “positividade” e “a priori histórico”?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/544535753828386859-2279360549731472330?l=gefuem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gefuem.blogspot.com/feeds/2279360549731472330/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2011/04/resumo-alguma-arqueologia-andre-queiroz.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/2279360549731472330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/2279360549731472330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2011/04/resumo-alguma-arqueologia-andre-queiroz.html' title='Resumo: Alguma Arqueologia (André Queiroz)'/><author><name>Bruno Franceschini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06992527797626559473</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_0SP2DbHcLm4/TUolDW_PWgI/AAAAAAAAAoI/5leymeaM2yo/s220/Sem%2Bt%25C3%25ADtulo%2B-%2BC%25C3%25B3pia.png'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-544535753828386859.post-8757271664287627665</id><published>2011-02-22T00:56:00.002-03:00</published><updated>2011-02-22T01:49:34.058-03:00</updated><title type='text'>CICLO DE ESTUDOS: DISCURSO E SUJEITO</title><content type='html'>Na ocasião das defesas das dissertações que ocorrerão em março, o Programa de   Pós-graduação em Letras da UEM (PLE) e o GEF estão organizando um ciclo de estudos que contará com a presença do Prof. Dr. Cleudemar Alves Fernandes (UFU), da Prof.ª Dr.ª Maria do Rosário Gregolin (UNESP) e do Prof. Dr. Sírio Possenti (UNICAMP). Os temas a serem abordados são: a questão do sujeito em AD e o Discurso e a produção de subjetividade. As palestras acontecerão no Bloco G-34 - sala 203, nos seguintes dias:&lt;br /&gt;- 10/03/2011 (19h às 21h)&lt;br /&gt;- 22/03/2011 (14h às 18h)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As inscrições serão feitas na secretaria do PLE (Bloco G-34 - Térreo) do dia 28 de fevereiro ao dia 10 de março, das 08 às 11h e das 13h30min às 17h, e a taxa de inscrição é de R$ 15,00 (quinze) reais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As vagas são limitadas e haverá emissão de certificados para os participantes, sendo a carga horária 6h.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maiores informações: &lt;br /&gt;PLE - 3011-4830 &lt;br /&gt;E-mail: sec-ple@uem.br&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/544535753828386859-8757271664287627665?l=gefuem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gefuem.blogspot.com/feeds/8757271664287627665/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2011/02/ciclo-de-estudos-discurso-e-sujeito.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/8757271664287627665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/8757271664287627665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2011/02/ciclo-de-estudos-discurso-e-sujeito.html' title='CICLO DE ESTUDOS: DISCURSO E SUJEITO'/><author><name>Bruno Franceschini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06992527797626559473</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_0SP2DbHcLm4/TUolDW_PWgI/AAAAAAAAAoI/5leymeaM2yo/s220/Sem%2Bt%25C3%25ADtulo%2B-%2BC%25C3%25B3pia.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-544535753828386859.post-5158038532858184195</id><published>2011-02-12T20:54:00.006-02:00</published><updated>2011-02-15T09:50:01.290-02:00</updated><title type='text'>Calendário de defesas de dissertação</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O GEF está feliz em anunciar a defesa pública de dissertação de três de seus membros e convida todos a participarem deste momento:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O membro do GEF e já doutorando pela Unicamp Jefferson Voss defenderá, no dia 11 de março, sexta-feira, às 9h, no auditório do PLE (Bloco G-34, sala 203), o seu trabalho de dissertação intitulado "O Conceito de Formação Discursiva de Foucault e o Tratamento de Objetos da Mídia: sobre a responsabilidade social na publicidade impressa brasileira". Este trabalho foi orientado pelo Prof. Dr. Pedro Navarro e a banca será formada pelo  Prof. Dr. Sírio Possenti (UNICAMP) e pela Profa. Dra. Sônia Benites (UEM).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 21 de março, às 14h, será a vez do também membro do GEF e doutorando Vinícius Dorne defender o seu trabalho de dissertação intitulado "Práticas Discursivas Midiáticas na/sobre a identidade do jornalista sem diploma". A banca de defesa contará com a presença do líder do GEF e orientador do trabalho, Prof. Dr. Pedro Navarro, além da Profa. Dra. Maria do Rosário Gregolin (Unesp - Araraquara) e do Prof. Dr. Edson Carlos Romualdo (UEM).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, no dia 22 de março, às 9h, também no auditório do PLE, a companheira do GEF Adriana Beloti defenderá sua dissertação intitulada "A Revista Nova Escola e a construção de identidades do professor". Estarão presentes na banca o Prof. Dr. Renilson Menegassi (UEM), Prof. Dr. Cleudemar Fernandes (UFU) e o orientador do trabalho, Prof. Dr. Pedro Navarro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/544535753828386859-5158038532858184195?l=gefuem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gefuem.blogspot.com/feeds/5158038532858184195/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2011/02/defesa-de-dissertacao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/5158038532858184195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/5158038532858184195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2011/02/defesa-de-dissertacao.html' title='Calendário de defesas de dissertação'/><author><name>Bruno Franceschini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06992527797626559473</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_0SP2DbHcLm4/TUolDW_PWgI/AAAAAAAAAoI/5leymeaM2yo/s220/Sem%2Bt%25C3%25ADtulo%2B-%2BC%25C3%25B3pia.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-544535753828386859.post-8057581192414588523</id><published>2011-02-03T09:12:00.002-02:00</published><updated>2011-02-03T09:19:59.219-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eventos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notícias'/><title type='text'>Prorrogadas as inscrições para o I CITeD</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda se encontram abertas as inscrições para comunicadores em Simpósios no I Colóquio Internacional de Texto e Discurso (&lt;a href="http://www.fundepe.com/novo/cited/index.php"&gt;clique aqui&lt;/a&gt;). O evento acontecerá entre os dias 16 e 20 de maio de 2011 na UNESP de Assis e contará com a presença do Prof. Dominique Maingueneau, da Universidade de Paris 12 - Val-de-Marne. As inscrições prorrogadas vão até o dia 28 de fevereiro de 2011 e podem ser feitas diretamente no sítio do evento. Vale ressaltar que haverá um simpósio coordenado pelo líder do GEF, Prof. Pedro Navarro, e pelo Prof. Roberto Baronas, da UFSCar. O simpósio recebe o título de "Discurso e Sujeito: perspectivas foucaultianas" e busca integrar discussões sobre o sujeito nas três fases da obra de Michel Foucault.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/544535753828386859-8057581192414588523?l=gefuem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gefuem.blogspot.com/feeds/8057581192414588523/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2011/02/prorrogadas-as-inscricoes-para-o-i.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/8057581192414588523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/8057581192414588523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2011/02/prorrogadas-as-inscricoes-para-o-i.html' title='Prorrogadas as inscrições para o I CITeD'/><author><name>Jefferson Voss</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04299945059708219069</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-544535753828386859.post-217910843612961916</id><published>2011-02-03T08:56:00.003-02:00</published><updated>2011-02-03T09:09:57.942-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notícias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Encontros do GEF'/><title type='text'>Matrícula na UEM promove o primeiro encontro do GEF em 2011</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;No último dia 02, grande parte dos integrantes do GEF se reuniram na UEM para a matrícula semestral no Programa de Pós-Graduação em Letras. O encontro já serviu também para uma discussão preliminar sobre os rumos do Grupo durante o ano de 2011. &lt;/span&gt;Ficou decidido que as leituras e discussões se centrarão sobre os textos de Foucault da chamada terceira fase de sua obra - aquela que aborda os dispositivos de subjetivação.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Ainda no encontro, pudemos conhecer dois novos integrantes do Grupo: &lt;a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4248222U2"&gt;Alessandro Alves da Silva &lt;/a&gt;e &lt;a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4254683J1"&gt;Daniela Polla&lt;/a&gt;. Ambos passaram no último processo seletivo para o Mestrado em Letras da UEM e serão orientados pelo líder do GEF, Prof. Dr. Pedro Navarro.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Sobre os encontros do Grupo, já está acertado que o primeiro deles se dará na primeira semana de março. A data e horário ainda serão definidos.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/544535753828386859-217910843612961916?l=gefuem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gefuem.blogspot.com/feeds/217910843612961916/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2011/02/matricula-na-uem-promove-o-primeiro.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/217910843612961916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/217910843612961916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2011/02/matricula-na-uem-promove-o-primeiro.html' title='Matrícula na UEM promove o primeiro encontro do GEF em 2011'/><author><name>Jefferson Voss</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04299945059708219069</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-544535753828386859.post-3424804650829964276</id><published>2010-11-04T15:45:00.004-02:00</published><updated>2011-02-03T09:11:52.711-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Encontros do GEF'/><title type='text'>Resumo: Uma Arqueologia do Saber (Roberto Machado)</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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Uma Arqueologia do Saber. In: ________. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Foucault: a ciência e o saber&lt;/span&gt;. 4 ed.Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2009. pp.111-142.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify; font-family: lucida grande;font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify; font-weight: bold; font-family: lucida grande;font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Encontro do dia 03 de novembro de 2010.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify; font-weight: bold; font-family: lucida grande;font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Organizadora: Aline Cordeiro&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify; font-family: lucida grande;font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify; font-family: lucida grande;font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Machado aponta que o objetivo de As palavras e as coisas é fazer uma análise das ciências humanas considerando os saberes sobre o homem (algo que intriga Foucault). Em trabalhos anteriores (História da Loucura, Nascimento da Clínica) não foi possível abordar as questões que envolvem as ciências humanas, Foucault encontra solo fértil na era moderna que permite tematizar o homem com objeto e sujeito da ciência. Diferentemente da discussão filosófica sobre esse tema que leva para o lado da cientificidade e da matematização – Foucault traz uma análise arqueológica que contempla a historicidade que atravessa os saberes sobre o homem. Esse olhar que ele lança sobre as ciências humanas aponta que o homem tem duas funções no campo do saber (como algo empírico e também como fundamento filosófico). A primeira entende a vida, o trabalho e a linguagem como objetos, Foucault denomina isso como &lt;i style=""&gt;priori &lt;/i&gt;histórico, e a segunda entende o homem como algo que possibilita o saber. Essas funções explicam a emergência das ciências humanas que compreende o homem como representação.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify; font-family: lucida grande;font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Antes do saber moderno surgir, o saber clássico predominava e se constituía na ordem do científico, isto é, o conhecimento se baseava naquilo que era possível ver, excluindo o saber formado pelas lendas, tradições, entre outros. A título de ilustração temos o papel da descrição na história natural, que era traduzir em palavras o que era visto. Nessa descrição contemplavam-se aspectos essenciais dos seres vivos como as linhas, superfícies e volumes, desconsiderando os sentidos. A configuração do saber nesse momento sobre a natureza sofre modificações no final do século XVIII. A essência dessa mudança era que o conhecimento baseado no visível passa para a ordem do empírico, marcando a passagem da história natural para a biologia. Além disso, a economia também passa por transformações, ao passo que o trabalho é visto como uma atividade de produção que é a fonte valor, assim, o trabalho é considerado um produto. Outra área que tem sua base modificada é a linguagem que passa a ter uma organização, pois é considerada um objeto. Esses campos do saber – vida, trabalho e linguagem – ao serem tematizados, definem o homem como objeto do saber.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify; font-family: lucida grande;font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Como resultado da constituição do saber moderno, o homem passa a ter dupla função – como objeto e como sujeito do conhecimento – estabelecido a &lt;i style=""&gt;priori&lt;/i&gt; histórico. O espaço entre essas funções é o da representação. Na modernidade a representação vai se referir ao homem, isto é, ela deixa “de ser co-extensiva ao saber, ela se torna um fenômeno de ordem empírico que se produz no homem” (p.125). A representação que o homem faz sobre a vida, trabalho e a linguagem, são os objetos das ciências humanas, assim, essas ciências estudam o homem enquanto ele se representa fisicamente, a sociedade em que trabalha e o sentido das palavras. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify; font-family: lucida grande;font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A abordagem que Foucault faz do método arqueológico para estudar as ciências humanas, revela uma característica que é “a definição da especificidade do objeto de análise como sendo a episteme” (p.132). A questão da episteme surge nas reflexões de Foucault, em um momento de investigação de uma ordem interna que constitui o saber. Nesse sentido, episteme não é o mesmo que saber. A episteme revela uma ordem histórica dos saberes anterior à uma ordem do discurso definida pelos critérios de cientificidade e dela independente. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify; font-family: lucida grande;font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;À luz do exposto, a episteme de uma época revela a relação da arqueologia com a história das idéias e com a história epistemológica.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;A história das idéias é criticada em As palavras e as coisas, pois seu objetivo é explicar os saberes a partir de seu exterior, considerando as condições econômicas ou considerando outros saberes ou experiências que lhe teriam determinando a existência. Para Foucault essa perspectiva mesmo sendo explicativa, não dava conta do conceito. As palavras e as coisas abordam tanto exterior quanto o interior dos saberes, aponta seus conceitos essenciais e estabelece inter-relações conceituais, sempre no nível do saber. Outro aspecto criticado por Foucault é que a história das idéias procura numa mesma época contradições entre diferentes teorias. A análise feita em As palavras e as coisas entende essas contradições como um efeito de superfície, assim para se ter uma análise profunda e coerente é necessário realizar uma análise arqueológica que considera o &lt;i style=""&gt;a priori&lt;/i&gt; histórico de dado saber. Por último a história da idéias tem caráter contínuo, ao contrário disso, a arqueologia, assim como a epistemologia, apontam a descontinuidade na história.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div  style="text-align: justify; font-family: lucida grande;font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;            &lt;span style="font-size:12pt;"&gt;A epistemologia e a arqueologia têm objeto de estudo distinto, enquanto uma tem como objeto as ciências, a outra tem como objeto o saber, respectivamente. Vale ressaltar que a arqueologia estabelece uma descontinuidade diferente da epistemológica, visto que, a arqueologia não contempla apenas uma ciência ou apenas um conceito, ela vai além e busca estabelecer o saber a partir de uma época. A arqueologia procura, no interior do saber, definir a verdade de uma época,e, assim estabelecer as condições de possibilidade desses saberes.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/544535753828386859-3424804650829964276?l=gefuem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gefuem.blogspot.com/feeds/3424804650829964276/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2010/11/resumo-uma-arqueologia-do-saber-roberto.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/3424804650829964276'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/3424804650829964276'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2010/11/resumo-uma-arqueologia-do-saber-roberto.html' title='Resumo: Uma Arqueologia do Saber (Roberto Machado)'/><author><name>Jefferson Voss</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04299945059708219069</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-544535753828386859.post-6607745817084843532</id><published>2010-09-26T11:57:00.005-03:00</published><updated>2010-09-26T12:05:29.630-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notícias'/><title type='text'>Membro do GEF defenderá dissertação</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;No próximo dia 30 de setembro, quinta-feira, Poliana Lachi, membro do Grupo de Estudos Foucaultianos da UEM, defenderá publicamente sua dissertação de mestrado, intitulada "Um corpo de sentidos: discurso, subjetividade e mídia". A defesa começará às 14h00min e contará com uma banca formada pela Profa. Dra. Kátia Menezes de Souza, da UFG, e pela Profa. Dra. Maria Célia Cortez Passetti, da UEM, além, é claro, do orientador do trabalho, o líder do GEF, Prof. Dr. Pedro Navarro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/544535753828386859-6607745817084843532?l=gefuem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gefuem.blogspot.com/feeds/6607745817084843532/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2010/09/membro-do-gef-defendera-dissertacao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/6607745817084843532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/6607745817084843532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2010/09/membro-do-gef-defendera-dissertacao.html' title='Membro do GEF defenderá dissertação'/><author><name>Jefferson Voss</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04299945059708219069</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-544535753828386859.post-7087311976476644307</id><published>2010-09-23T15:08:00.005-03:00</published><updated>2010-09-23T15:15:48.851-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eventos'/><title type='text'>PLE promove palestra sobre Foucault</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;O Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Estadual de Maringá convida todos os interessados a participarem da palestra "A Ordem do Discurso (Corpo, Língua, Imagem) em Textos Midiáticos: ressonâncias foucaultianas", a ser conduzida pelo Prof. Dr. Pedro Navarro, líder do GEF, e pela Profa. Dra. Kátia Menezes de Souza, da UFG. A palestra acontecerá no dia 30 de setembro de 2010 das 8h00min às 12h00min. As inscrições vão até o dia 29/09/2010 e custam R$10,00. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/544535753828386859-7087311976476644307?l=gefuem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gefuem.blogspot.com/feeds/7087311976476644307/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2010/09/ple-promove-palestra-sobre-foucault.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/7087311976476644307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/7087311976476644307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2010/09/ple-promove-palestra-sobre-foucault.html' title='PLE promove palestra sobre Foucault'/><author><name>Jefferson Voss</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04299945059708219069</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-544535753828386859.post-32067559854807067</id><published>2010-09-23T15:03:00.005-03:00</published><updated>2010-09-23T15:15:09.064-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notícias'/><title type='text'>GEF-UEM é credenciado pelo CNPq</title><content type='html'>&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;O Grupo de Estudos Foucaultianos da UEM já recebeu o credenciamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq. Para ter acesso às diretrizes de pesquisa do Grupo, às linhas de pesquisa e também ao currículo de seus participantes, acesse o link a seguir:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://dgp.cnpq.br/buscaoperacional/detalhegrupo.jsp?grupo=0329801Z7GS29I"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;color:#800080;"&gt;http://dgp.cnpq.br/buscaoperacional/detalhegrupo.jsp?grupo=0329801Z7GS29I&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;.&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/544535753828386859-32067559854807067?l=gefuem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gefuem.blogspot.com/feeds/32067559854807067/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2010/09/gef-uem-e-credenciado-pelo-cnpq.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/32067559854807067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/32067559854807067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2010/09/gef-uem-e-credenciado-pelo-cnpq.html' title='GEF-UEM é credenciado pelo CNPq'/><author><name>Jefferson Voss</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04299945059708219069</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-544535753828386859.post-5422385033056817097</id><published>2010-09-23T14:54:00.006-03:00</published><updated>2010-09-23T15:20:58.790-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Encontros do GEF'/><title type='text'>A Arqueologia do Saber: As Regularidades Discursivas (Parte 3)</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR;font-size:11;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:'Lucida Sans', 'sans-serif';"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;u&gt;_RESUMO_&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/u&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="center"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-family:'Lucida Sans', 'sans-serif';"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="TEXT-DECORATION: none"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR;font-family:'Lucida Sans', 'sans-serif';" &gt;FOUCAULT, M. As Regularidades Discursivas. In: ________. &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;A Arqueologia do Saber&lt;/b&gt;. Trad. Luiz Felipe Baeta Neves. 7. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2008&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:'Lucida Sans', 'sans-serif';"&gt;. pp. 21-85.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-family:'Lucida Sans', 'sans-serif';"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:100%;"&gt;A Formação dos Conceitos&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="center"&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;“Antes que querer repor os conceitos em um edifício dedutivo virtual, seria necessário descrever a organização do campo de enunciados em que aparecem e circulam” (2008, p. 62). Essa organização compreende:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR;font-family:lucida grande;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;A) As formas de sucessão, as diversas disposições das séries enunciativas, os diversos tipos de correlação, os diversos esquemas: “A história natural, nos séculos XVII e XVIII, não é simplesmente uma forma de conhecimento que deu uma nova definição aos conceitos de ‘gênero’ ou de ‘caráter’ e que introduziu conceitos novos como o de ‘classificação natural’ ou de ‘mamífero’; é, antes de tudo, um conjunto de regras para dispor em série enunciados, um conjunto obrigatório de esquemas de dependências, de ordem e de sucessões em que se distribuem os elementos recorrentes que podem valer como conceitos” (2008, p, 63). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;B) Formas de coexistência (campo de presença, campo de concomitância, domínio de memória). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;C) Procedimentos de intervenção (técnicas de reescrita, métodos de transcrição, modos de tradução, aproximação, delimitação, transferência, a sistematização e a redistribuição). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR;font-family:lucida grande;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;“O que pertence propriamente a uma formação discursiva e o que permite delimitar o grupo de conceitos, embora discordantes, que lhe são específicos, é a maneira pela qual esses diferentes elementos estão relacionados uns aos outros: a maneira, por exemplo, pela qual a disposição das descrições ou das narrações está ligada às técnicas de reescrita”, etc. (2008, p. 65-6). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR;font-family:lucida grande;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;“Tal análise refere-se, pois, a um nível de certa forma &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;pré-conceitual&lt;/i&gt;, ao campo em que os conceitos podem coexistir e às regras às quais esse campo está submetido” (2008, p. 66). “O nível ‘pré-conceitual’ assim descrito, em lugar de delinear um horizonte que viria do fundo da história e se amnteria atravé dela, é, pelo contrário, no nível mais ‘superficial’ (no nível dos discursos), o conjunto de regras que aí se encontram efetivamente aplicadas” (2008, p. 69). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR;font-family:lucida grande;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;“O campo pré-conceitual deixa aparecerem as regularidades e coações discursivas que tornaram possível a multiplicidade heterogênea dos conceitos, e, em seguida, mais além ainda, a abundância desses temas, dessas crenças, dessas representações às quais nos dirigimos naturalmente quando fazemos a história das idéias” (2008, p. 70).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="center"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR;font-family:lucida grande;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="center"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR;font-family:lucida grande;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="center"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;A Formação das Estratégias&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="center"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;De antemão, há certa dificuldade de demarcar a formação das estratégias (temas e teorias), visto que Foucault admite não tê-los tratado especificamente em seus trabalhos anteriores à Arqueologia; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;1ª direção: &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;Pontos de difração&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;: pontos de incompatibilidade, pontos de equivalência e pontos de ligação de uma sistematização;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR;font-family:lucida grande;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;Pontos de incompatibilidade:&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt; onde &lt;/span&gt;dois objetos, tipos de enunciação ou conceitos distintos não podem ocupar o mesmo lugar em uma série de enunciados (FOUCAULT, p. 73); no caso em que isso acontecer, corre-se o risco de gerar a contradição;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;Pontos de equivalência: &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;há a incompatibilidade entre os objetos, mas as condições de aparecimento destes são as mesmas;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;Pontos de ligação de uma sistematização:&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt; cadeia de novos objetos, conceitos e tipos de enunciação que são dados a partir de determinados temas e teorias. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR;font-family:lucida grande;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;2ª direção:&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt; &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Determinação de uma economia da constelação discursiva&lt;/i&gt;: &lt;/span&gt;relação entre certas práticas discursivas e um domínio maior de regras de formação que determinam seu funcionamento, podendo servir como modelo concreto num nível de abstração mais elevado ou um sistema formal que indica bases de aplicação para outros discursos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR;font-family:lucida grande;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;3ª direção:&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt; &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Estabelecimento de relação entre as práticas discursivas e as práticas não discursivas&lt;/i&gt;: regime e processos de apropriação do discurso e as posições possíveis do desejo em relação ao discurso. &lt;/span&gt;Não se trata de entender essas relações com as práticas não discursivas como extrínsecas às formações discursivas, mas sim como elementos também formadores.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR;font-family:lucida grande;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;“Ao final, Foucault sintetiza as oposições elencadas no desdobrar de suas quatro hipóteses sobre os agrupamentos discursivos e o funcionamento das regras de formação:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;[...] E assim, como não seria preciso relacionar a formação dos objetos nem às palavras nem às coisas, a das enunciações, nem à forma pura do conhecimento nem ao sujeito psicológico, a dos conceitos, nem à estrutura da idealidade nem à sucessão das idéias, não é preciso relacionar a formação das escolhas teóricas nem a um &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;projeto&lt;/i&gt; fundamental nem ao jogo secundário das &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;opiniões&lt;/i&gt; (FOUCAULT, p. 78).&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Lucida Sans', 'sans-serif';"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Podemos nos questionar, daí, sobre o que haveria de semelhante entre as palavras, as coisas, a forma pura do conhecimento, o sujeito psicológico, a estrutura da idealidade, a sucessão das ideias, um projeto fundamental e um jogo de opiniões, a ponto de serem todos negados na empreitada que pressupõe a demarcação de uma formação discursiva. De modo geral, devemos entender em todos esses conceitos e fenômenos o fechamento da prática discursiva ora a algo que é exterior ao discurso e que determina definitivamente todo seu movimento, ora um teor de escolha que é depositado nas mãos de um único indivíduo, ou ainda conceitos e teorias que preexistem à própria prática e que esperam para serem ativados. Em todos esses casos, a regularidade do discurso é dada pelo seu caráter &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;local&lt;/i&gt;, &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;fundante&lt;/i&gt;, &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;homogêneo&lt;/i&gt;, e, de modo oposto, Foucault insiste, continuadamente, na dispersão.” &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/544535753828386859-5422385033056817097?l=gefuem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gefuem.blogspot.com/feeds/5422385033056817097/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2010/09/arqueologia-do-saber-as-regularidades.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/5422385033056817097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/5422385033056817097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2010/09/arqueologia-do-saber-as-regularidades.html' title='A Arqueologia do Saber: As Regularidades Discursivas (Parte 3)'/><author><name>Jefferson Voss</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04299945059708219069</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-544535753828386859.post-7400041564440472872</id><published>2010-09-23T14:45:00.002-03:00</published><updated>2010-09-23T14:53:09.574-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Encontros do GEF'/><title type='text'>A Arqueologia do Saber: As Regularidades Discursivas (Parte 2)</title><content type='html'>&lt;p style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="center"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;_RESUMO_&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="center"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;u&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="TEXT-DECORATION: none"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;FOUCAULT, M. As Regularidades Discursivas. In: ________. &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;A Arqueologia do Saber&lt;/b&gt;. Trad. Luiz Felipe Baeta Neves. 7. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2008&lt;/span&gt;. pp. 21-85.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR;font-size:11;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="center"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;A Formação dos Objetos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="center"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Foucault (2008b) nos oferece três direções para a análise da formação dos objetos. Elas competem a análise das:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;1 – Superfícies de emergência;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;2 – Instâncias de delimitação;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;3 – Grades de especificação (diferenciação);&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Contudo, Foucault insiste no fato de que elas não oferecem objetos que a ciência simplesmente relaciona, classifica, nomeia, elege e recobre: “O discurso é algo inteiramente diferente do lugar em que vêm se depositar e se suporpor, como uma simples superfície de inscrição, objetos que tenham sido instaurados anteriormente” (208, p. 48).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Esses planos de diferenciação aparecem isolados à primeira vista. Mas que relação podemos estabelecer entre eles? “E como podemos falar de um ‘sistema de formação’ se conhecemos apenas uma série de determinaçãoes diferentes e heterogêneas, sem ligações ou relações assinaláveis?” (2008, p. 48).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Deve-se, ao invés de tratar 1, 2 e 3 separadamente, estabelecer entre eles relações determinadas: entre os planos de especificação, entre as instâncias de delimitação e entre as grades de diferenciação: “São essas relações que, atuando no discurso psiquiátrico, permitiram a formação de todo um conjunto de objetos diversos” (p. 49).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;“Generalizemos: o discurso psiquiátrico, no século XIX, caracteriza-se não por seus objetos privilegiados, mas pela maneira pela qual forma seus objetos, de resto muito dispersos. Essa formação é assegurada por um conjunto de relações estabelecidas entre instâncias de emergência, de delimitação e de especificação. Diremos, pois, que uma formação discursiva se define (pelo menos quanto a seus objetos) se se puder estabelecer um conjunto semelhante; se se puder mostrar como qualquer objeto do discurso em questão aí encontra seu lugar e sua lei de aparecimento; se se puder mostar que ele pode dar origem, simultânea ou sucessivamente, a objetos que se excluem, sem que ele próprio tenha de se modificar” (2008, p. 49-50). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Observações e consequências:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Não se pode dizer qualquer coisa, já que há um sistema de relações que regulam a existência ou extinção dos objetos, mas isso não é um obstáculo: “o objeto não espera nos limbos a ordem que vai liberá-lo e permitir-lhe que se encarne em uma visével e loquaz objetividade; ele não preexiste a si mesmo, retido por algum obstáculo aos primeiros contornos da luz, mas existe sob as condições positivas de um feixe complexo de relações” (2008, p. 50).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;O conjunto de relações que determinam os objetos não definem a constituição interna do objeto, “mas o que lhe permite aparecer, justapor-se a outros objetos, situar-se em relação a eles, definir sua diferença, sua irredutibilidade e, eventualmente, sua heterogeneidade; enfim, ser colocado em um campo de exterioridade” (2008, p. 50-1).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Há relações primárias ou reais, relações secundárias ou reflexivas e então o sistema das relações discursivas. “O problema é fazer com que apareça a especificidade dessas últimas e seu jogo com as outras duas” (2008, p. 51).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;As relações discursivas não são nem interiores nem exteriores ao discurso. Elas estão no limite do discurso e “determinam o feixe de relações que o discurso deve efetuar para poder falar de tais ou tais objetos, para poder abordá-los, nomeá-los, analisá-los, classificá-los, explicá-los, etc. Essas relações caracterizam não a língua que o discurso utiliza, mas as circunstâncias em que ele se desenvolve, mas o próprio discurso enquanto prática” (2008, p. 51-2).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;“Em uma palavra, quer-se, na verdade, renunciar às ‘coisas’, [...] definir esses &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;objetos&lt;/i&gt; sem referência ao &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;fundo das coisas&lt;/i&gt;, mas relacionando-os ao conjunto de regras que permitem formá-los como objetos de um discurso e que constituem, assim, suas condições de aparecimento histórico; fazer uma história dos objetos discursivos que não os enterre na profundidade comum de um solo originário, mas que desenvolva o nexo das regularidade que regem sua dispersão” (2008, p. 53-4). &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="center"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;A Formação das Modalidades Enunciativas&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="center"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="center"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;A) Quem fala? &lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: Wingdings; mso-fareast-language: PT-BR; mso-ascii-font-family: 'Times New Roman'; mso-hansi-font-family: 'Times New Roman'; mso-char-type: symbolfont-family:Wingdings;" &gt;&lt;span style="mso-char-type: symbol;font-family:Wingdings;" &gt;à&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt; status de quem tem o direito a pronunciar o enunciado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;B) De onde se fala? &lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: Wingdings; mso-fareast-language: PT-BR; mso-ascii-font-family: 'Times New Roman'; mso-hansi-font-family: 'Times New Roman'; mso-char-type: symbolfont-family:Wingdings;" &gt;&lt;span style="mso-char-type: symbol;font-family:Wingdings;" &gt;à&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt; definir os lugares institucionais de onde o sujeito enunciador obtém seu discurso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;C) “As posições sujeito se definem igualmente pela situação que lhe é possível ocupar em relação aos diversos domínios ou gupos de objetos: ele é sujeito que questiona, segundo uma certa grade de interrogações explícitas ou não, e que ouve, segundo um certo programa de informação, é sujeito que observa, segundo um quadro de traços característicos, e que anota, segundo um tipo descritivo, está situado a uma distância perceptiva ótica cujos limites demarcam a escala da informação, deslocam o sujeito em relação ao nível perceptivo médio ou imediato, asseguram sua passagem de um nível superficial a um nível profundo, o fazem circular no espaço interior do corpo” (2008, p. 58).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;O status do enunciador, os lugares institucionais e as posições sujeito se dão na relação entre o discurso e um certo número de elementos distintos (vindos de outros lugares institucionais) que circundam a prática discursiva. Contudo, esse jogo de relações não é dado &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;a priori&lt;/i&gt;, mas se estabele na própria prática discursiva: “Pode-se dizer que esse relacionamento de elementos diferentes (alguns são novos, outros, preexistentes) é efetuado pelo discurso clínico; é ele, enquanto prática, que instaura entre eles todo um sistema de relações que não é ‘realmente’ dado nem constituído &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;a priori&lt;/i&gt;; e se tem uma unidade, se as modalidades de enunciação que utiliza, ou às quais dá lugar, não são simplesmente justapostas por uma série de contingências históricas, é porque emprega, de forma constante, esse feixe de relações” (2008, p. 60). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;“O discurso, assim concebido, não é a manifestação, majestosamente desenvolvida, de um sujeito que pensa, que conhece, e que o diz: é, ao contrário, um conjunto em que podem ser determinadas a dispersão do sujeito e sua descontinuidade em relação a si mesmo. É um espaço de exterioridade em que se desenvolve uma rede de lugares distintos. Ainda há pouco mostramos que não eram nem pelas ‘palavras’ nem pelas ‘coisas’ que era preciso definir o regime dos objetos característicos de uma formação discursiva; da mesma forma é preciso reconhecer, agora, que não é nem pelo recurso a um sujeito transcedental nem pelo recurso a uma subjetividade psicológica que se deve definir o regime de suas enunciações” (2008, p. 61). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR;font-size:11;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/544535753828386859-7400041564440472872?l=gefuem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gefuem.blogspot.com/feeds/7400041564440472872/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2010/09/resumo-foucault-m.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/7400041564440472872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/7400041564440472872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2010/09/resumo-foucault-m.html' title='A Arqueologia do Saber: As Regularidades Discursivas (Parte 2)'/><author><name>Jefferson Voss</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04299945059708219069</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-544535753828386859.post-5955963542768665880</id><published>2010-08-14T21:38:00.006-03:00</published><updated>2010-08-14T21:48:54.535-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Encontros do GEF'/><title type='text'>Arqueologia do Saber: As Regularidades Discursivas (Parte 1)</title><content type='html'>&lt;p style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="center"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;_RESUMO_&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="center"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;u&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="TEXT-DECORATION: none"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span id="SPELLING_ERROR_0" class="blsp-spelling-error"&gt;FOUCAULT&lt;/span&gt;, M. As Regularidades Discursivas. &lt;span id="SPELLING_ERROR_1" class="blsp-spelling-error"&gt;In&lt;/span&gt;: ________. &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;A Arqueologia do Saber&lt;/b&gt;. &lt;span id="SPELLING_ERROR_2" class="blsp-spelling-error"&gt;Trad&lt;/span&gt;. &lt;span id="SPELLING_ERROR_3" class="blsp-spelling-error"&gt;Luiz&lt;/span&gt; &lt;span id="SPELLING_ERROR_4" class="blsp-spelling-error"&gt;Felipe&lt;/span&gt; &lt;span id="SPELLING_ERROR_5" class="blsp-spelling-error"&gt;Baeta&lt;/span&gt; Neves. 7. &lt;span id="SPELLING_ERROR_6" class="blsp-spelling-error"&gt;ed&lt;/span&gt;. Rio de Janeiro: Forense &lt;span id="SPELLING_ERROR_7" class="blsp-spelling-error"&gt;Universitária&lt;/span&gt;, 2008&lt;/span&gt;. &lt;span id="SPELLING_ERROR_8" class="blsp-spelling-error"&gt;pp&lt;/span&gt;. 21-85.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="center"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;strong&gt;As Unidades do Discurso:&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="center"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.4pt; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Proposta inicial do capítulo: criticar as noções que organizam os saberes pela continuidade, permanência e originalidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.4pt; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR;font-family:lucida grande;" &gt;“Há, em primeiro lugar, um trabalho negativo a ser realizado: libertar-se de todo um jogo de noções que diversificam, cada uma à sua maneira, o tema da continuidade. Elas, sem dúvida, não tem uma estrutura conceitual bastante rigorosa: mas sua função é precisa” (2008, p. 23)&lt;/span&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.4pt; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Noções criticadas por Foucault por corroborarem com o tema da continuidade: tradição, influência, desenvolvimento e evolução, mentalidade e espírito de uma época, livro, obra, autor, temas da origem e do já-dito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;A suspensão do tema da continuidade permite-nos vislumbrar uma dispersão de acontecimentos discursivos. Cabe ao analista restituir-lhes a unidade evidenciando uma regularidade entre os mesmos:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.4pt; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;“Uma vez suspensas essas formas imediatas de continuidade, todo um domínio encontra-se, de fato, liberado. Trata-se de um domínio imenso, mas que se pode definir: é constituído pelo conjunto de todos os enunciados efetivos (quer tenham sido falados ou escritos), em sua dispersão de acontecimentos e na instância própria de cada um. Antes de se ocupar, com toda certeza, de uma ciência, ou de romances, ou de discursos políticos, ou da obra de um autor, ou mesmo de um livro, o material que temos a tratar, em sua neutralidade inicial, é uma população de acontecimentos no espaço do discurso em geral” (2008, p. 29-30).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.4pt; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR;font-family:lucida grande;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="center"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;strong&gt;As Formações Discursivas&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="center"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.4pt; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Proposta inicial do capítulo: definir a “relações que podem ser legitimamente descritas entre esses enunciados, deixados em seu grupamento provisório e visível” (2008, p. 35).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.4pt; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;A partir daí, o autor lança &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;quatro hipóteses&lt;/b&gt; sobre as propriedades que evidenciam, entre os enunciados, laços e relações que não sejam justificáveis pelas unidades já colocadas em suspenso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.4pt; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;1ª hipótese:&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt; os enunciados se agrupam a partir do objeto ao qual se referem. Há enunciados que “[...] diferentes em sua forma, dispersos no tempo, formam um conjunto quando se referem a um único e mesmo objeto” (2008, p. 36).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;A existência dos objetos é dada pelo como como os enunciados os recortam. Não existem objetos dados a priori e que, assim, consituem a existência dos discursos. Foucault nos lembra que “[...] a doença mental foi constituída pelo conjunto do que foi dito no grupo de todos os enunciados que a nomeavam, recortavam, descreviam, explicavam, contavam seus desenvolvimentos, indicavam suas diversas correlações, julgavam-na e, eventualmente, emprestavam-lhe a palavra, articulando em seu nome, discursos que deviam passar por seus” (2008, 36).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.4pt; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;2ª hipótese&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;: os enunciados se agrupam segundo a forma e o tipo de encadeamento destes enunciados. Na retomada que Foucault faz de suas reflexões em &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;O Nascimento da Clínica&lt;/i&gt;, ele nos mostra que houve épocas em que os enunciados médicos provinham de “[...] um &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;corpus&lt;/i&gt; de conhecimentos que supunha uma mesma visão das coisas, um mesmo esquadrinhamento do campo perceptivo, uma mesma análise do fato patológico segundo o espaço visível do corpo, um mesmo sistema de transcrição do que se percebe no que se diz (mesmo vocabulário, mesmo jogo de metáforas)” (2008, p. 38).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.4pt; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Esse tipo de encadeamento não funciona, contudo, de modo contínuo. Para Foucault, “[...] Se há unidade, o princípio não é, pois, uma forma determinada de enunciados” (2008, p. 38), mas um conjunto de regras que torna possível, simultaneamente, “[...] descrições puramente perceptivas, mas, também, observações tornadas mediatas por instrumentos, protocolos de experiências de laboratórios, cálculos estatísticos, constatações epidemiológicas ou demográficas, regulamentações institucionais, prescrições terapêuticas” (2008, pp. 38-9)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.4pt; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;3ª hipótese&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;: os enunciados podem ser agrupados segundo o sistema dos conceitos permanentes e coerentes que se encontra em jogo num conjunto de enunciados. Contudo, Foucault mostra que muitos conceitos dados em uma mesma unidade de enunciados podem ser dessemelhantes entre si e até mesmo incompatíveis, tendo em vista os saberes que os entrecortam em certo momento da história. Conforme diz Foucault, “[...] talvez fosse descoberta uma unidade discursiva se a buscássemos não na coerência dos conceitos, mas em sua emergência simultânea ou sucessiva, em seu afastamento, na distância que os separa e, eventualmente, em sua incompatibilidade” (Ibidem, p. 40). Se assim o fizéssemos, “[...] Não buscaríamos mais, então, uma arquitetura de conceitos suficientemente gerais e abstratos para explicar todos os outros e introduzi-los no mesmo edifício dedutivo; tentaríamos analisar o jogo de seus aparecimentos e de sua dispersão” (2008, p. 40).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.4pt; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;4ª hipótese&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;: diz respeito às estratégias que, por meio da dispersão dos pontos de escolha, definem diferentes olhares e posicionamentos sobre um mesmo tema. Contudo, Foucault nos mostra, a partir daí, que há outras estratégias discursivas que trabalham de forma tangencial àquilo que está no eixo das continuidades. Assim, as escolhas temáticas que definem um objeto se mostram tanto dispersas quanto diversas e diversificadas, indicando diferentes parâmetros de existência de um objeto numa mesma época (o que pode nos remeter às múltiplas temporalidades): alguns deles são autorizados e validados, outros se localizam nas margens do dizível e são, por isso, clandestinos e ilegais; entretanto, não se pode negar que eles existam, rompam enquanto acontecimentos discursivos e eclodam na massa contínua dos agrupamentos discursivos dados como estáveis.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.4pt; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;Formação Discursiva&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="mso-fareast-language: PT-BR"&gt;: As formações discursivas seriam, pois, essa regularidade que pode ser descrita no caso em que, entre os enunciados, vislumbre-se o funcionamento de um sistema de dispersão, sistema esse que compreende “[...] os objetos, os tipos de enunciação, os conceitos, [e] as escolhas temáticas” (2008, p. 43) e a partir do qual se é possível conceber “[...] uma ordem, correlações, posições e funcionamentos, transformações” (2008, p. 43).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/544535753828386859-5955963542768665880?l=gefuem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gefuem.blogspot.com/feeds/5955963542768665880/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2010/08/arqueologia-do-saber-as-regularidades.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/5955963542768665880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/5955963542768665880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2010/08/arqueologia-do-saber-as-regularidades.html' title='Arqueologia do Saber: As Regularidades Discursivas (Parte 1)'/><author><name>Jefferson Voss</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04299945059708219069</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-544535753828386859.post-2088534231497577629</id><published>2010-06-25T13:30:00.004-03:00</published><updated>2010-06-25T13:39:06.471-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Encontros do GEF'/><title type='text'>Sobre "Remontemos de Foucault a Spinoza"</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; BACKGROUND: white" class="ecxspip"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-weight: bold;font-family:lucida grande;" &gt;Encontro do dia 12 de maio de 2010&lt;/span&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; BACKGROUND: white" class="ecxspip"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-weight: bold"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Organização do texto: Jefferson Voss&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="center"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;u&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="TEXT-DECORATION: none;font-family:lucida grande;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="center"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;_RESUMO_&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="center"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;u&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="TEXT-DECORATION: none;font-family:lucida grande;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Texto-base: PÊCHEUX, Michel. &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;Remontemos de Foucault a Spinoza&lt;/b&gt;. (Tradução de Maria do Rosário Gregolin)&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt; Edição original: &lt;/b&gt;PÊCHEUX, Michel. &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;Remontons de Foucault à Spinoza&lt;/b&gt;. In: &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;L’Inquietude du discours. Textes Choisis par D. Maldidier&lt;/i&gt;. Paris: Cendres, 1977.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.4pt; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Texto de 1977, dado no entremeio das publicações de &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Les Vérités de La Palice&lt;a style="mso-footnote-id: ftn1" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=544535753828386859#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="mso-special-character: footnote"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Times New Roman', 'serif'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-: AR-SAfont-size:12;" &gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/i&gt; (1975) e &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;L’etrange mirroir de l’Analyse du Discours&lt;a style="mso-footnote-id: ftn2" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=544535753828386859#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="mso-special-character: footnote"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Times New Roman', 'serif'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-: AR-SAfont-size:12;" &gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/i&gt; (1981), &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Remontemos de Foucault a Spinoza&lt;/i&gt; sintetiza os ideais políticos que atravessaram os trabalhos de Michel Pêcheux desde sua incursão na filosofia da linguagem e da sua fundação da análise do discurso. Pêcheux expõe, nesse texto, suas crenças no que diz respeito ao fazer científico e sua relação com a prática política. A fim de firmar sua posição, Pêcheux toma para análise o &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Tratado Teológico Político&lt;/i&gt; de Spinoza e a &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Arqueologia do Saber&lt;/i&gt; de Michel Foucault. O texto apresenta certo tom de crítica a Foucault, uma vez que, segundo Pêcheux, este se coloca numa frente &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;historicista&lt;/i&gt; que não se posiciona de forma militante na luta de classes e que rejeita a categoria de &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;contradição&lt;/i&gt;. Ao mesmo tempo, o texto começa a tecer uma retificação que já havia deixado marcas em &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Les Vérités de La Palice&lt;/i&gt;: Pêcheux passa a considerar de modo central a categoria de heterogeneidade discursiva e a des-instrumentalizar a análise do discurso de seu aparato científico/tecnológico provindo da linguística. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.4pt; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Pêcheux inicia sua fala argumentando sobre o estatuto dos cientistas da linguagem na prática política, enfatizando, em especial, o caso dos analistas do discurso. Segundo ele, a análise do discurso político deve estar estreitamente presa a uma posição na luta de classes: “Não podemos pretender falar de discursos políticos sem tomar simultaneamente posição na luta de classes, já que essa tomada de posição determina, na verdade, a maneira de conceber as formas materiais concretas sob as quais as ‘idéias’ entram em luta na história” (PÊCHEUX, 2010, p. 01)&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn3" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=544535753828386859#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="mso-special-character: footnote"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Times New Roman', 'serif'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-: AR-SAfont-family:lucida grande;font-size:12;"  &gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.4pt; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Passada essa fase introdutória do texto, em que, diga-se de passagem, Pêcheux elenca o objetivo principal de sua intervenção – discutir sobre a importância do “tomar partido” para a prática do cientista, o autor pontua então brevemente aquilo que, segundo ele, seriam as várias correntes da linguística e seus posicionamentos na luta de classes. A primeira delas é batizada de &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;lógico-formalista&lt;/b&gt;, ou seja, aquela que se debruça sobre as gramáticas e que possui uma prática a-histórica, neutralizando a participação da história na existência da língua e apagando, dessa forma, a luta de classes. Quanto à segunda corrente, se trata da de &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;mudança social na história&lt;/b&gt;, segundo a qual as línguas são organismos vivos e históricos que nascem, se desenvolvem e, eventualmente, morrem; quando à posição na luta de classes, Pêcheux a qualifica, dessa vez, como historicista, na medida em que contempla a essência social do homem e de sua evolução na história, mas também não trata do teor político que envolve a utilização da língua – o que faz com que essa corrente também não tome partido na luta de classes. A terceira corrente tratada por Pêcheux é a dos &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;riscos da fala&lt;/b&gt;. Ao que parece, essa corrente é a que estuda a língua segundo seu caráter dialógico, em que haveria um duelo (afrontamento) entre sujeitos posicionados&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn4" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=544535753828386859#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="mso-special-character: footnote"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Times New Roman', 'serif'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-: AR-SAfont-family:lucida grande;font-size:12;"  &gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.4pt; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Pêcheux tenta mostrar que as três práticas das três correntes fazem com que o teórico se sobreponha ao político. No caso da primeira e terceira corrente, há uma posição burguesa, e, no caso da segunda, uma posição reformista. Temendo essa dominação do caráter político da análise de discurso pelo teor universitário, Pêcheux propõe um “novo percurso em torno do marxismo” em que se volte às origens e se explicite os casos em que o fazer político esteja, ou não, aliado ao tom científico do trabalho acadêmico. Os nomes escolhidos para ilustrar ambos os casos são os de Baruch Spinoza e Michel Foucault.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.4pt; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Primeiramente, Pêcheux compara os dois filósofos em quatro pontos, a fim de mostrar que ambos se relacionam com o estudo do discurso. O primeiro ponto concerne à relação que estabelecem, Foucault e Spinoza, com a linguística. Pechêux mostra que ambos caracterizam o sentido como algo histórico e a significação como propriedade da língua. O segundo ponto se refere à relação entre enunciados, uma vez que tanto Foucault quanto Spinoza contemplam esse tema. O terceiro ponto é sobre a determinação do discurso pelas relações de lugar. Sobre esse ponto, Foucault trabalha as modalidades enunciativas. E um quarto ponto se refere ao regime de materialidade do imaginário. Para Spinoza, a posição ocupada pelo indivíduo flagra mudanças na forma como ele concebe o fenômeno social e o discursiviza e, por outro lado, para Foucault, é o campo de utilização do enunciado e de sua relação com outras proposições que mudam a concepção humana sobre a proposição. Pêcheux logo adverte que mesmo havendo certas semelhanças entre os dois pensamentos, há muito mais uma grande diferença: “pode-se dizer que com os meios teóricos de seu tempo, &lt;i&gt;Spinoza avança lá onde Foucault&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;permanece, hoje em dia, um pouco bloqueado&lt;/i&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-style: italic"&gt;” (PÊCHEUX, 2010, p. 07). O posicionamento de Pêcheux não fica por aí, ele logo se explica: “o trabalho de Spinoza constitui uma espécie de antecedente de uma teoria materialista das ideologias, sob uma forma rudimentar que contém, entretanto, o essencial, a saber, a tese segundo a qual quanto menos se conhecem as causas, mais se é submetido a elas” (PÊCHEUX, 2010, p. 08).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.4pt; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-style: italic"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;O primeiro ponto que denota uma certa “quedinha” de Pêcheux por Spinoza é seu rascunho primeiro de uma teoria materialista. Mais adiante, Pêcheux também pontua o fato de Spinoza preliminarmente trabalhar com a categoria de contradição. Spinoza mostrou que o “axioma de identidade” (“Se um predicado é verdadeiro para um objeto, ele é verdadeiro para tudo o que é idêntico a esse objeto, independentemente da expressão utilizada para referir a esse objeto”, Spinoza apud Pêcheux) não funciona para a categoria de ideologia. Isso sustenta a tese principal de Pêcheux quando da tecelagem do conceito de formação discursiva: o sentido das palavras mudam segundo a posição ocupada pelos indivíduos no jogo da luta de classes (na relação dessa posição com uma ideologia e na oposição a outras ideologias). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.4pt; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Foucault (“No meio do caminho tinha uma pedra”...) é quem fala muito e faz pouco: não trabalha com a categoria de contradição e faz um “marxismo paralelo”, intitulado, por Pêcheux, “reformismo teórico”. Dá-se a entender que o modo como Foucault concebe a formação discursiva por meio da regularidade dispersa admite, segundo Pêcheux, homogeneidade do discurso de uma dada época. Pêcheux entende, então, que deve-se conceber, ao invés dessa homogeneidade, a heterogeneidade de posições que entrecortam uma ideologia quando esta é atacada internamente pelas posições dominantes – “uma dominação que se manifesta na própria organização interna da ideologia dominada”. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.4pt; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Pêcheux ainda critica a simples tomada do conceito de formação discursiva para se criar tipologia de discursos organizados segundo posições homogêneas (e note-se que ele acusa Foucault de sustentar essa posição (!!!)). Para Pêcheux, “É necessário, ao contrário, definir a relação interna que ela estabelece com seu exterior discursivo específico, portanto, determinar as invasões, os atravessamentos constitutivos pelas quais uma pluralidade contraditória, desigual e interiormente subordinada de formações discursivas se organiza em função dos interesses que colocam em causa a luta ideológica de classes, em um momento dado de seu desenvolvimento em uma dada formação social” &lt;span style="mso-bidi-font-style: italic"&gt;(PÊCHEUX, 2010, p. 011-2)&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Pêcheux avança. Isso é sabido, principalmente comparando-se esse texto aos anteriores (antes de 1975). Cada vez mais se permite conceber a heterogeneidade como constitutiva dos discursos. Maldidier flagra, então, aquela aproximação de Pêcheux com Authier (dizem as más línguas que se aproximaram até demais!). Contudo, nesse texto, Pêcheux peca na leitura da obra de Foucault, parece não entender os objetivos de Foucault e a abrangência de suas análises: era um projeto bem maior! Resta-nos entender que Pêcheux retifica cada vez mais suas posições, até começar a perceber em Foucault um aliado. Isso pode ser checado em &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Só Há Causa Daquilo que Falha ou o Inverno Político Francês: início de uma retificação&lt;/i&gt; (anexo à edição inglesa de &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Les Vérités de La Palice&lt;/i&gt;) e em &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Discourse: Structure or Event?&lt;/i&gt;, conferência de 1983 pronunciada nos Estados Unidos no ano de seu suicídio.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Se a prática científica deve ser tão militante a ponto de ser também prática política, como pode o homem se despir de sua entrada na história para falar dos objetos que ele próprio constitui e que também o constituem? Fica o problema. Será que Pêcheux o resolveu?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="mso-element: footnote-list"&gt;&lt;br clear="all"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;hr align="left" size="1" width="33%"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="mso-element: footnote" id="ftn1"&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn1" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=544535753828386859#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="mso-special-character: footnote"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Times New Roman', 'serif'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-: AR-SAfont-family:lucida grande;font-size:10;"  &gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:85%;"&gt; PÊCHEUX, Michel. &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;Semântica e&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;Discurso&lt;/b&gt;: uma crítica à afirmação do óbvio. 4 ed. Campinas: Editora da Unicamp, 2009. Tradução de Eni Puccinelli Orlandi. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="mso-element: footnote" id="ftn2"&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn2" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=544535753828386859#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="mso-special-character: footnote"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Times New Roman', 'serif'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-: AR-SAfont-family:lucida grande;font-size:10;"  &gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:85%;"&gt; PÊCHEUX, Michel. &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;O Estranho Espelho da Análise do Discurso&lt;/i&gt; (Prefácio). In: COURTINE, Jean-Jaques. &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;Análise do Discurso Político&lt;/b&gt;: o discurso comunista endereçado aos cristãos. São Carlos: EDUFSCar, 2009. pp. 21-6. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="mso-element: footnote" id="ftn3"&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn3" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=544535753828386859#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="mso-special-character: footnote"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Times New Roman', 'serif'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-: AR-SAfont-family:lucida grande;font-size:10;"  &gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:85%;"&gt; Nota para discussão: Essa tomada de posição não acaba implicando uma leitura ideologizada do texto/discurso em análise?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="mso-element: footnote" id="ftn4"&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn4" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=544535753828386859#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="mso-special-character: footnote"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Times New Roman', 'serif'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-: AR-SAfont-family:lucida grande;font-size:10;"  &gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:85%;"&gt; Nota para discussão: Nesse ponto, parece que Pêcheux retoma e rediscute as altercações de Bakhtin sobre o objetivismo abstrato e o subjetivismo idealista, criticando também o próprio dialogismo proposto por Bakhtin. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/544535753828386859-2088534231497577629?l=gefuem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gefuem.blogspot.com/feeds/2088534231497577629/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2010/06/sobre-remontemos-de-foucault-spinoza.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/2088534231497577629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/2088534231497577629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2010/06/sobre-remontemos-de-foucault-spinoza.html' title='Sobre &quot;Remontemos de Foucault a Spinoza&quot;'/><author><name>Jefferson Voss</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04299945059708219069</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-544535753828386859.post-3513339608036885092</id><published>2010-05-18T09:29:00.002-03:00</published><updated>2010-05-18T21:17:45.329-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Encontros do GEF'/><title type='text'>Microfísica do Poder: Cap. XVII - A Governamentalidade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;GEF/UEM – Grupo de Estudos Foucaultianos da UEM&lt;br /&gt;Orientação: Prof. Dr. Pedro Navarro&lt;br /&gt;Organização: Adriana Beloti&lt;br /&gt;Discussões realizadas em: 07/04/2010.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cap. XVII: A GOVERNAMENTALIDADE&lt;a style="mso-footnote-id: ftn1" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=544535753828386859#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir de uma análise histórica de alguns dispositivos de segurança, Foucault procedeu a uma análise da população, o que o levou à questão do governo, tema discutido no capítulo XVII da obra Microfísica do Poder. Por suas reflexões é possível percebermos que o poder esteve, a todo o momento, permeando suas observações e, neste texto, desde a teoria de Maquiavel, que tem como norte O Príncipe, até às propostas anti-Maquiavel, ou seja, a arte de governar.&lt;br /&gt;Dos tratados de conselhos aos príncipes da Idade Média e da Antiguidade greco-romana aos tratados da arte de governar, do século XVI ao XVIII, surgem os problemas do governo: “problema do governo de si mesmo”, “problema do governo das almas e das condutas”, “problema do governo das crianças”, “problema do governo dos Estados pelos príncipes”. De acordo com Foucault (2007, p. 278), trata-se da “problemática geral do governo em geral”. Desses problemas de governo têm-se os três tipos de governo: “cada um se referindo a uma forma específica de ciência ou de reflexão. O governo de si mesmo, que diz respeito à moral; a arte de governar adequadamente uma família, que diz respeito à economia; a ciência de bem governar o Estado, que diz respeito à política” (2007, p. 280).&lt;br /&gt;Até o início do século XVIII, a arte de governar foi, de certa forma, travada por algumas situações. Passada essa fase de entraves e bloqueios, conseguiu, enfim, um processo de desbloqueio e de avanços, dados alguns fatores sociais e históricos, em específico, por sua relação com a emergência do problema da população. Num primeiro momento, a população “permitirá eliminar definitivamente o modelo da família e centralizar a noção de economia em outra coisa”. A família deixa de ser modelo de governo e passa a ser instrumento fundamental para o governo da população. “Portanto, aquilo que permite à população desbloquear a arte de governar é o fato dela eliminar o modelo da família” (FOUCAULT, 2007, p. 289).&lt;br /&gt;A população aparece como objetivo e instrumento do governo não sendo mais vista como força do soberano. São os interesses individuais e coletivos que se tornam, nessa perspectiva, o alvo e o instrumento fundamental do governo. A população se torna objeto do governo em relação a suas observações, seu saber, sendo considerada por este para que consiga “governar efetivamente de modo racional e planejado”. Nas palavras de Foucault (2007, p. 290), “em suma, a passagem de uma arte de governo para uma ciência política, de um regime dominado pela estrutura da soberania para um regime dominado pelas técnicas de governo, ocorre no século XVIII em torno da população e, por conseguinte, em torno do nascimento da economia política”.&lt;br /&gt;Questões relacionadas à soberania e à disciplina não foram extintas. Ao contrário. Conforme pondera Foucault (2007, p. 291), “a idéia de um novo governo da população torna ainda mais agudo o problema do fundamento da soberania e ainda mais aguda a necessidade de desenvolver a disciplina. Devemos compreender as coisas não em termos de substituição de uma sociedade de soberania por uma sociedade disciplinar e desta por uma sociedade de governo. Trata-se de um triângulo: soberania-disciplina-gestão governamental, que tem na população seu alvo principal e nos dispositivos de segurança seus mecanismos essenciais”. Em síntese, o filósofo afirma que procurou mostrar a profunda relação histórica entre os movimentos de governo, população e economia política, movimentos que passaram da soberania, como força única e exclusiva do soberano, ao aparecimento da população, como objetivo e instrumento do governo e, por fim, à economia política como ciência e técnica de intervenção.&lt;br /&gt;Vale ressaltar aqui o que Foucault, ao final de todas essas discussões, afirma entender por governamentalidade (2007, p. 291-292):&lt;br /&gt;1 – o conjunto constituído pelas instituições, procedimentos, análises e reflexões, cálculos e táticas que permitem exercer esta forma bastante específica e complexa de poder, que tem por alvo a população, por forma principal de saber a economia política e por instrumentos técnicos essenciais os dispositivos de segurança.&lt;br /&gt;2 – a tendência que em todo o Ocidente conduziu incessantemente, durante muito tempo, à preeminência deste tipo de poder, que se pode chamar de governo, sobre todos os outros – soberania, disciplina, etc. – e levou ao desenvolvimento de uma série de aparelhos específicos de governo e de um conjunto de saberes.&lt;br /&gt;3 – o resultado do processo através do qual o Estado de justiça da Idade Média, que se tornou nos séculos XV e XVI Estado administrativo, foi pouco a pouco governamentalizado.&lt;br /&gt;Por fim, esse filósofo (2007) destaca que “o importante para nossa modernidade, para nossa atualidade, não é tanto a estatização da sociedade mas o que chamaria de governamentalização do Estado” (p. 292). Para ele, o Estado, da forma que existe hoje, deve-se à sua governamentalidade, tanto interior quanto exterior, às suas táticas gerais de governamentalidade. “Este Estado de governo que tem como alvo a população e utiliza a instrumentalização do saber econômico, corresponderia a uma sociedade controlada pelos dispositivos de segurança” (p. 293).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn1" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=544535753828386859#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; FOUCAUTL, M. Microfísica do poder. Tradução Roberto Machado. 24. ed. Rio de Janeiro: Edições Graal, 2007. p. 277 – 293.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/544535753828386859-3513339608036885092?l=gefuem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gefuem.blogspot.com/feeds/3513339608036885092/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2010/05/microfisica-do-poder-cap-xvii.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/3513339608036885092'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/3513339608036885092'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2010/05/microfisica-do-poder-cap-xvii.html' title='Microfísica do Poder: Cap. XVII - A Governamentalidade'/><author><name>Adriana Beloti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15068823485628243828</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-544535753828386859.post-7110362444840045077</id><published>2010-05-18T09:27:00.003-03:00</published><updated>2010-05-18T21:17:23.528-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Encontros do GEF'/><title type='text'>Microfísica do Poder: Cap. IX - Poder - Corpo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;GEF/UEM – Grupo de Estudos Foucaultianos da UEM&lt;br /&gt;Orientação: Prof. Dr. Pedro Navarro&lt;br /&gt;Organização: Adriana Beloti&lt;br /&gt;Discussões realizadas em: 24/03/2010.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cap. IX: PODER – CORPO&lt;a style="mso-footnote-id: ftn1" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=544535753828386859#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste capítulo, Foucault discorre sobre o poder, reafirmando sua concepção de poder: positivo, produtivo, que produz saberes, que é material e que se exerce; uma prática social que é constituída historicamente. Nesse sentido, toma o corpo como objeto de análise em relação ao poder.&lt;br /&gt;Questionado sobre o sistema político descrito em Vigiar e Punir, Foucault (2007) pondera que o corpo, em determinados momentos e sociedades, tem um poder real e essencial: “Numa sociedade como a do século XVII, o corpo do rei não era uma metáfora, mas uma realidade política: sua presença física era necessária ao funcionamento da monarquia” (p. 145), ou seja, o corpo, físico e presente, era um dos mecanismos pelos quais o poder se exercia.&lt;br /&gt;Por outro lado, em relação à república “una e indivisível”, o corpo já não funciona como o corpo do rei na monarquia, pois “não há um corpo da República. Em compensação, é o corpo da sociedade que se torna, no decorrer do século XIX, o novo princípio” (FOUCAULT, 2007, p. 145). De acordo com o filósofo, não há vontades tidas como universais que constituem os corpos da sociedade, “não é o consenso que faz surgir um corpo social, mas a materialidade do poder se exercendo sobre o próprio corpo dos indivíduos” (p. 146).&lt;br /&gt;Foucault, nas discussões sobre o poder e o corpo, se opõe às tendências marxistas e para-marxistas. À primeira, por não delimitar os efeitos do poder ao nível da ideologia, além disso, considera que seria mais materialista estudar sobre o corpo, sobre os efeitos do poder sobre o corpo. Esse posicionamento está articulado a sua própria concepção de poder. À segunda perspectiva, se opõe devido à grande importância e valor dado à noção de repressão. Pois, para ele, “se o poder só tivesse a função de reprimir, se agisse apenas por meio da censura, da exclusão, do impedimento, do recalcamento, à maneira de um grande super-ego, se apenas se exercesse de um modo negativo, ele seria muito frágil. Se ele é forte, é porque produz efeitos positivos a nível do desejo – como se começa a conhecer – e também a nível do saber. O poder, longe de impedir o saber, o produz” (FOUCAULT, 2007, p. 148).&lt;br /&gt;Em suas reflexões, Michel Foucault observa, ainda, a psicanálise e sua relação poder-corpo. Para ele, a “psicanálise desempenhou um papel liberador e em certos países ainda desempenhava um papel político positivo de denúncia da cumplicidade entre os psiquiatras e o poder” (FOUCAULT, 2007, p. 150). Por suas atuações, essa disciplina se caracteriza, ainda, pelo controle, pela normalização e pela disciplinarização, estabelecendo uma constante relação entre o corpo e o poder, sendo que esse se exerce, também, por aquele e o domina.&lt;br /&gt;Por fim, tomando como norte o papel do intelectual, que para Foucault não deve ultrapassar o fornecimento de instrumentos para análise e nunca ser aquele que diz o que deve ser feito, esse filósofo ainda pondera sobre o complexo conjunto que coordena o poder do corpo, analisando, por exemplo, como as atividades filantrópicas e sociais e, depois, a medicina se marcam como mecanismo de controle dos corpos da sociedade. Segundo Foucault (2007, p. 152), “o interessante não é ver que projeto está na base de tudo isto, mas em termos de estratégia, como as peças foram dispostas”. Portanto, um dos princípios é analisar como o poder é exercido, como os micro-poderes se exercem nos/pelos corpos sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn1" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=544535753828386859#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; FOUCAUTL, M. Microfísica do poder. Tradução Roberto Machado. 24. ed. Rio de Janeiro: Edições Graal, 2007. p. 145 – 152.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/544535753828386859-7110362444840045077?l=gefuem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gefuem.blogspot.com/feeds/7110362444840045077/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2010/05/microfisica-do-poder-cap-ix-poder-corpo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/7110362444840045077'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/7110362444840045077'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2010/05/microfisica-do-poder-cap-ix-poder-corpo.html' title='Microfísica do Poder: Cap. IX - Poder - Corpo'/><author><name>Adriana Beloti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15068823485628243828</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-544535753828386859.post-1698415714909715565</id><published>2010-05-14T17:05:00.007-03:00</published><updated>2010-05-14T21:21:12.146-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Encontros do GEF'/><title type='text'>A Ordem do Discurso</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold;font-family:lucida grande;" &gt;No encontro realizado no dia 28/04, discutimos &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;"A Ordem do Discurso", obra na qual é reproduzida a aula inaugural de Foucault no Collège de France. Neste livro, o filósofo nos alerta sobre os poderes que controlam as práticas discursivas na sociedade.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;.&lt;br /&gt;Orientação: Prof. Dr. Pedro Navarro&lt;b&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%"&gt;Organização: Andréa Zíngara, Bruno Franceschini e Shirlei Doretto&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;color:#000000;"&gt;A Ordem do Discurso&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:lucida grande;" &gt;Ao ocupar a cadeira no Collège de France, onde Foucault substituiria Jean Hyppolite e lecionaria História dos Sistemas de Pensamentos, o filósofo fala de sua hesitação e temor ao ter que proferir seu discurso, possivelmente por estar ocupando o lugar daquele que foi seu “mestre”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: normal; MARGIN-BOTTOM: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: normal; MARGIN: 0cm 0cm 0pt 5cm" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;“No discurso que devo fazer hoje e nos que precisarei fazer aqui, durante anos talvez, gostaria de poder deslizar-me sub-repticiamente. Mais do que tomar a palavra, eu gostaria de ser envolvido por ela, e levado bem além de qualquer começo possível. Gostaria de perceber que no momento de falar uma voz sem nome tivesse me precedido há muito tempo” (Foucault, p. 8).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: normal; MARGIN: 0cm 0cm 0pt 5cm" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: normal; MARGIN-BOTTOM: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 150%; MARGIN-BOTTOM: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:100%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 150%; MARGIN-BOTTOM: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:100%;"&gt;Assim nasce “A ordem do Discurso”, momento &lt;?xml:namespace prefix = st1 /&gt;&lt;st1:personname st="on" productid="em que Michel Foucault"&gt;em que Michel Foucault&lt;/st1:personname&gt; nos coloca a par dos perigos que o discurso acarreta, nos direcionando para o seu método de análise da relação entre as práticas discursivas e as diversas formas de poder que as permeiam. Em nosso resumo apontaremos, em forma de tópicos, os principais aspectos do empreendimento do filósofo a propósito do discurso.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 150%; MARGIN-BOTTOM: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: normal; MARGIN-BOTTOM: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 150%; BACKGROUND: white" class="ecxspip" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;• Em todas as sociedades a produção de discursos é regulada, selecionada, organizada e redistribuída conjurando &lt;i&gt;poderes&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;perigos.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 150%; BACKGROUND: white" class="ecxspip" align="justify"&gt;&lt;em&gt;.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="LINE-HEIGHT: normal; MARGIN-BOTTOM: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;• Procedimentos &lt;i&gt;Exteriores&lt;/i&gt; de controle e delimitação do discurso:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="LINE-HEIGHT: normal; MARGIN-BOTTOM: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;- Interdição&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="LINE-HEIGHT: normal; MARGIN-BOTTOM: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;- Separação/Rejeição&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="LINE-HEIGHT: normal; MARGIN-BOTTOM: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:100%;"&gt;- Vontade de Verdade&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="LINE-HEIGHT: normal; MARGIN-BOTTOM: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p style="LINE-HEIGHT: normal; MARGIN-BOTTOM: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-BOTTOM: 0pt; BACKGROUND: white" class="ecxspip" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;• Procedimentos Internos de controle e delimitação do discurso:&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="LINE-HEIGHT: normal; MARGIN-BOTTOM: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;- Comentário&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="LINE-HEIGHT: normal; MARGIN-BOTTOM: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;- Princípio de Autoria&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="LINE-HEIGHT: normal; MARGIN-BOTTOM: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:100%;"&gt;- Disciplinas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="LINE-HEIGHT: normal; MARGIN-BOTTOM: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p style="LINE-HEIGHT: normal; MARGIN-BOTTOM: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-BOTTOM: 0pt; BACKGROUND: white" class="ecxspip" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;• Imposição de regras aos sujeitos do discurso:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-BOTTOM: 0pt; BACKGROUND: white" class="ecxspip" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;b&gt;- &lt;/b&gt;Ritual&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-BOTTOM: 0pt; BACKGROUND: white" class="ecxspip" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;- Doutrinas&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-BOTTOM: 0pt; BACKGROUND: white" class="ecxspip" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;- Apropriação social dos Discursos&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-BOTTOM: 0pt; BACKGROUND: white" class="ecxspip" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;- Temas Filosóficos relativos aos processos de delimitação dos discursos&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-BOTTOM: 0pt; BACKGROUND: white" class="ecxspip" align="justify"&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p style="LINE-HEIGHT: normal; MARGIN-BOTTOM: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="LINE-HEIGHT: normal; MARGIN-BOTTOM: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="LINE-HEIGHT: normal; MARGIN-BOTTOM: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;• Três direções que o trabalho de elaboração teórica deverá seguir:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="LINE-HEIGHT: normal; MARGIN-BOTTOM: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;- Princípio de descontinuidade&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="LINE-HEIGHT: normal; MARGIN-BOTTOM: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;- Princípio de especificidade&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="LINE-HEIGHT: normal; MARGIN-BOTTOM: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:100%;"&gt;- Princípio da exterioridade&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Referência&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;FOUCAULT, M. &lt;i&gt;A Ordem do Discurso. &lt;/i&gt;Tradução &lt;st1:personname st="on" productid="Adalberto Oliveira"&gt;Adalberto Oliveira&lt;/st1:personname&gt; Souza. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/544535753828386859-1698415714909715565?l=gefuem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gefuem.blogspot.com/feeds/1698415714909715565/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2010/05/ordem-do-discurso.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/1698415714909715565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/1698415714909715565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2010/05/ordem-do-discurso.html' title='A Ordem do Discurso'/><author><name>Bruno Franceschini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06992527797626559473</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_0SP2DbHcLm4/TUolDW_PWgI/AAAAAAAAAoI/5leymeaM2yo/s220/Sem%2Bt%25C3%25ADtulo%2B-%2BC%25C3%25B3pia.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-544535753828386859.post-8173602161732053193</id><published>2010-05-13T14:26:00.006-03:00</published><updated>2010-05-14T21:22:19.604-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notícias'/><title type='text'>GEF comemora aniversário do Prof. Pedro Navarro</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;No último encontro do GEF, dia 12 de maio de 2010, os integrantes do Grupo fizeram uma festinha de aniversário surpresa para seu líder, o Prof. Pedro Navarro. Após manter o encontro do dia 12, mesmo sabendo ser seu aniversário, o Professor Pedro não podia esperar que fóssemos mesmo discutir teoria e deixar de comemorar uma data tão especial? Parabéns, Pedro! Segue aí uma foto para os que não puderam participar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 161px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5470809983567500610" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_rZWknuFuuBg/S-w4scgzlUI/AAAAAAAAADM/Wd1DjxH3W4M/s320/11111.JPG" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/544535753828386859-8173602161732053193?l=gefuem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gefuem.blogspot.com/feeds/8173602161732053193/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2010/05/gef-comemora-aniversario-do-prof-pedro.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/8173602161732053193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/8173602161732053193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2010/05/gef-comemora-aniversario-do-prof-pedro.html' title='GEF comemora aniversário do Prof. Pedro Navarro'/><author><name>Jefferson Voss</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04299945059708219069</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_rZWknuFuuBg/S-w4scgzlUI/AAAAAAAAADM/Wd1DjxH3W4M/s72-c/11111.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-544535753828386859.post-8873972957480526123</id><published>2010-04-09T11:52:00.005-03:00</published><updated>2010-04-09T12:01:28.893-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notícias'/><title type='text'>Líder do GEF irá compor Mesa-Redonda do 58º Seminário do GEL</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O Prof. Dr. Pedro Navarro, líder do Grupo de Estudos Foucaultianos da UEM, será um dos componentes da Mesa-Redonda "Linguagem e Discurso: novos objetos, novas perspectivas, novas abordagens", a ser apresentada na ocasião do 58º Seminário do Grupo de Estudos Linguísticos de São Paulo - GEL. O evento é um dos mais importantes do país na área de Estudos Linguísticos e agrega pesquisadores de todas as regiões do Brasil. Ao lado do Prof. Pedro Navarro, estarão, na mesma mesa redonda, a Profa. Dra. Eni Orlandi (UNICAMP) e o Prof. Dr. Pedro de Souza (UFSC). O evento ocorrerá nos dias 21, 22 e 23 de julho de 2010 na UFSCar, em São Carlos - SP. Para ter acesso à programação completa do evento, acesse: &lt;a href="http://www.gel.org.br/"&gt;http://www.gel.org.br/&lt;/a&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/544535753828386859-8873972957480526123?l=gefuem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gefuem.blogspot.com/feeds/8873972957480526123/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2010/04/lider-do-gef-ira-compor-mesa-redonda-do.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/8873972957480526123'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/8873972957480526123'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2010/04/lider-do-gef-ira-compor-mesa-redonda-do.html' title='Líder do GEF irá compor Mesa-Redonda do 58º Seminário do GEL'/><author><name>Jefferson Voss</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04299945059708219069</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-544535753828386859.post-3522118095563582919</id><published>2010-04-06T12:14:00.003-03:00</published><updated>2010-04-07T09:09:01.308-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Encontros do GEF'/><title type='text'>“Verdade e Poder”</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“Microfísica do Poder” – Michel Foucault&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Cap I - “Verdade e Poder”&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No encontro de 03 de Março de 2010, o GEF debruçou-se sobre a entrevista apresentada no Cap I - “Verdade e Poder” do livro “Microfísica do Poder”. Frente a diversos questionamentos, Foucault (2008) ressalta algumas noções essenciais para a compreensão da proposta do método arqueogenealógico, tais como&lt;span style="color:#ff0000;"&gt; descontinuidade, enunciado, discurso, acontecimento, historicidade, verdade e a relação saber/poder&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, o filósofo retrata que a história não obedece a “esquemas suaves” e “continuistas”, numa espécie de entrelaçamento de blocos homogêneos dotados de coesão, mas que a história se constrói na &lt;em&gt;&lt;strong&gt;descontinuidade&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, operada por mudanças que fundam um novo “regime” no discurso e no saber. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tais transformações operam, consequentemente, numa mudança nas regras de formação dos &lt;strong&gt;“ENUNCIADOS”&lt;/strong&gt; aceitos como cientificamente verdadeiros. Cabe ao analista observar o que rege tais enunciados, como se regem entre si, constituindo um conjunto de proposições aceitas como verdadeiras e verificáveis por procedimentos científicos. Verificar como se dá o exercício “interno” do “PODER”, os efeitos desse poder que circulam entre os enunciados, trata-se do “Regime Discursivo”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esses pensamentos conduzem a reflexão da dicotomia entre &lt;strong&gt;“estrutura” (pensável) e “acontecimento” (irracional)&lt;/strong&gt;: nem tudo é mera repetição, sempre há lugar para o “novo”, para uma nova ordem nos saberes que, consequentemente, constroem um novo regime de verdade, um novo exercício do poder. No entanto, segundo o filósofo, tal visão não é a deslocar tudo para o campo do “acontecimento”, mas perceber que há um “escalonamento de tipos de acontecimentos diferentes”, com diferentes alcances, amplitudes cronológicas e capacidades de produzir efeitos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ainda na entrevista, cabe salientar que o &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;“poder”&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; em Foucault (2008, p. 06) não deve ser visto como algo global, ligado somente à soberania, mas como um exercício concreto, presente em todas as relações, nas malhas mais finas da sociedade. Dessa forma, o poder não está ligado à repressão, à uma força que diz somente “não”, mas firma-se como uma rede produtiva: “produz coisas, induz ao prazer, forma saber, produz discurso”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Assim, conforme ressalta Foucault (2008), &lt;em&gt;&lt;strong&gt;não há poder sem saber, não existe verdade fora ou sem poder.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; “Cada sociedade tem seu regime de verdade, sua ‘política geral’ de verdade: isto é, os tipos de discurso que ela acolhe e faz funcionar como verdadeiros; os mecanismos e as instâncias eu permitem distinguir os enunciados verdadeiros dos falsos, a maneiras como se sancionou uns e outros; as técnicas e os procedimentos que são valorizados para a obtenção da verdade; o estatuto daqueles que têm o encargo de dizer o eu funciona como verdadeiro.” (FOUCAULT, 2008, p. 12). Em decorrência disso, vê-se a sociedade como uma arena na qual se acampa uma disputa pela “verdade” e “do papel econômico-político que ela desempenha”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Diante dessa perspectiva, o intelectual deve estar engajado em lutas específicas, locais, observando como se dá, como se constrói o regime de verdade, indispensável para as estruturas e funcionamento da sociedade. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/544535753828386859-3522118095563582919?l=gefuem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gefuem.blogspot.com/feeds/3522118095563582919/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2010/04/verdade-e-poder.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/3522118095563582919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/3522118095563582919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2010/04/verdade-e-poder.html' title='“Verdade e Poder”'/><author><name>Vinícius D. Dorne</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12087176364338394800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-544535753828386859.post-8739311838596828110</id><published>2010-03-31T13:34:00.003-03:00</published><updated>2010-03-31T13:49:35.228-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eventos'/><title type='text'>Próximos Eventos</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Seminário de Análise de Discurso Crítica&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;27 e 28 de maio de 2010 na Universidade Federal do Ceará&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Inscrições até 18 de abril de 2010 pelo e-mail: &lt;a href="mailto:seminario.adc.ufc@gmail.com"&gt;seminario.adc.ufc@gmail.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;II Fórum Internacional de Análise do Discurso: discurso texto e enunciação&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;08, 09 e 10 de setembro de 2010 no Rio de Janeiro, Faculdade de Letras da UFRJ&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Inscrições pelo site: &lt;a href="http://www.ciadrio.com.br/"&gt;http://www.ciadrio.com.br/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;I Congresso Internacional Texto-Imagem&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Entre os dias 20 e 24 de setembro de 2010 na UNIFESP, Guarulhos - SP&lt;br /&gt;Inscrições pelo e-mail: &lt;a href="mailto:textoimagemunifesp@uol.com.br"&gt;textoimagemunifesp@uol.com.br&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;II Seminário de Estudos Linguísticos da UNESP&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;13 a 15 de outubro de 2010 na UNESP de Araraquara - SP&lt;br /&gt;Mais informações pelo site: &lt;a href="http://www.fclar.unesp.br/poslinpor/eventos.php?id=poslinpor"&gt;www.fclar.unesp.br/poslinpor/eventos.php?id=poslinpor&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/544535753828386859-8739311838596828110?l=gefuem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gefuem.blogspot.com/feeds/8739311838596828110/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2010/03/proximos-eventos_31.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/8739311838596828110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/8739311838596828110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2010/03/proximos-eventos_31.html' title='Próximos Eventos'/><author><name>Jefferson Voss</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04299945059708219069</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-544535753828386859.post-4037814585657220414</id><published>2010-03-19T09:13:00.009-03:00</published><updated>2010-04-07T09:11:04.851-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensaios'/><title type='text'>O enunciado em perspectiva discursiva</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Por Pedro Navarro, líder do GEF - Grupo de Estudos Foucaultianos da UEM&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;O texto do Jefferson Voss toca em um aspecto central dos estudos da linguagem, orientados por uma perspectiva discursiva: o enunciado. Mesmo dentro dessa perspectiva não há um consenso, se considerarmos que Pêcheux, Foucault e Bakhtin definem enunciado a partir de um campo epistemológico com orientações filósóficas distintas. No quadro do materialismo histórico, Pêcheux considera o enunciado como um ponto de deriva à interpretação. Trata-se, para esse autor, de uma sequência linguística suscetível de se tornar sempre outra, uma vez que as palavras mudam de sentido conforme a formação ideológica que as determinam. Para Courtine, em sua tese sobre o discurso comunista endereçado aos cristãos, a Análise do Discurso não tem uma concepção clara de enunciado, sendo essa dada por Foucault, em sua &lt;em&gt;A arqueologia do saber.&lt;/em&gt; Ancorado nas teses de Foucault, Courtine traz para a Análise do Discurso uma discussão muito importante sobre a distinção entre formação e formulação dos sentidos. Nesse caso, a noção de enunciado, cunhada no interior de uma visada arqueológica, é recoberta por uma orientação materialista de linguagem. O enunciado, em Foucault, é quase, podemos afirmar, um conceito semiológico, uma vez que não se reduz ou somente se realiza por uma sequência linguísta: uma árvore genealógica ou uma tabela é um enunciado, dada a função enunciativa que lhe confere a possibilidade de falar sobre um objeto (referencial), ser assumido por um sujeito (modalidade enunciativa), recortar um domínio de coisas ditas alhures e algures (memória discursiva) e ser repetido (suporte materialidade). Em Foucault, o enunciado é a unidade mínima de análise, localizado entre as regras da língua e aquilo que é efetivamente dito pelos homens. Em relação ao arquivo (sistema de enunciabilidade), é a menor unidade de análise, que o analista recorta, coloca em relação a outras e define um quadro enunciativo que evidencia as relações e as regras de formação dos saberes. Para Bakhtin, o enunciado é também a unidade menor da comunicação, mas, nesse caso, trata-se, para o filósofo russo, daquilo por meio do qual os homens interagem entre si: o enunciado bakhtiniano é o que estabelce o dialogismo, uma vez que ele pede um sujeito respondente. Bom, é só um começo de conversa em torno dessa noção tão cara aos estudos linguísticos.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/544535753828386859-4037814585657220414?l=gefuem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gefuem.blogspot.com/feeds/4037814585657220414/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2010/03/o-enunciado-em-perspectiva-discursiva.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/4037814585657220414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/4037814585657220414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2010/03/o-enunciado-em-perspectiva-discursiva.html' title='O enunciado em perspectiva discursiva'/><author><name>Pedro Navarro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17165895516851967903</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-544535753828386859.post-3336141979712002069</id><published>2010-03-10T11:05:00.006-03:00</published><updated>2010-03-10T11:29:05.414-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>A Imagem Defendida e a Imagem Aniquilada: um olhar para representação da imagem sobre a educação nas capas da Revista Veja</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Por&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Maria Fernanda Curci Vicente -&lt;/strong&gt; Mestranda em Letras pelo Programa de Pós-Graduação em Letras (PLE) da UEM; membro integrante do GEF&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Dr. Pedro Navarro (Orientador) -&lt;/strong&gt; Líder do GEF - Grupo de Estudos Foucaultianos da UEM&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;RESUMO:&lt;/strong&gt; Baseados nos estudos teóricos metodológicos em análise do discurso para textos imagéticos recolhemos uma seqüência de quatro capas de artigos jornalísticos da revista Veja tendo como temática a imagem da educação brasileira enquanto construção de sentidos. As imagens produzem uma memória e uma cultura visual, criam um discurso e uma imagem específica que direcionam a forma da sociedade ver a escola e suas práticas. Esses olhares são representados em sentidos que aqui determinamos ou consideramos como temas: o institucional, profissional, o privado e o público. Considerando que o modo como o universo escolar ou educacional e construído e conceituado evidenciamos como a continuidade de um modelo de educação é preservado através dos discursos, foi possível investigar como os discursos sobre educação são significados, legitimados, reconhecidos e mantidos nas diversas materialidades discursivas, que em nosso trabalho se materializam no texto imagético, ou seja, os discursos sobre educação em textos imagéticos são moldados pela representação imagética que é cristalizada no imaginário social, imagens que constroem sentidos.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Palavras Chave:&lt;/strong&gt; texto imagético, discurso, representação, educação, texto verbal e não verbal.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;INTRODUÇÃO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Pensando em como a constituição de uma forma escolar ou educacional é afirmada na representação por meio de textos imagéticos e no quando essa materialidade cristaliza o imaginário social, buscamos compreender o jogo entre a representação produzida pela ótica da instituição que a vincula (revista Veja) por aquilo que é representado sobre o público e o privado na educação brasileira, dessa forma queremos discutir o quando um discurso se sobrepõe um ao outro, uma luta de poderes para definir à que identidade a educação deve pertencer e ser.&lt;br /&gt;As imagens como já dissemos produzem uma memória e uma cultura visual, acionam um discurso, uma imagem específica que direciona a forma de como a sociedade dever ver a escola, a educação e suas práticas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Barthes (1984) pode nos respaldar com seus estudos sobre a fotografia, nele fizemos algumas analogias em relação à imagem em capas de revistas, já que há instâncias homólogas as da fotografia. Chamaríamos de operator o fotógrafo, então quem seria o operator de capas de revistas? o editor o designer visual? a instituição revista como um todo; o spectator-espectador que seriam os leitores e o spectrum o fotografado, a imagem em si construída. Cada uma dessas instâncias corresponde a um nível ideológico, por isso elas só podem ser entendidas caso se leve em conta o contexto sócio- histórico da situação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;A imagem é uma criação assim como a fotografia, a construção da imagem envolve procedimentos técnicos, culturais e ideológicos. Esses elementos nos permitem construir um raciocínio de que quem produz uma imagem da ênfase, recorta e deforma de acordo com um fim proposto e de acordo com o ideológico da instituição.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Um importante teórico para essa discussão é Michel Foucault, ao nos dizer que “interrogar a linguagem, não na direção a que ela remete, mas na dimensão que a produz” (FOUCAULT, 1995, P.129). Desse modo consideramos a imagem enquanto linguagem visual.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Em face do já exposto, este artigo tem como objetivo geral apresentar uma análise de uma seqüência de quatro capas temáticas da revista Veja sobre educação com o objetivo de mostrar aos leitores o que é, o que deve e o que deveria ser a identidade educacional no Brasil. Procuramos detectar que imaginário cultural está sustentado nessas capas, que crise identitária se revela ao pensarmos que hoje os conceitos sobre educação são multiformes e rompem com determinados conceitos como: escola para todos, pública e de qualidade, mas nas duas capas evidenciamos uma educação pautada nos setores privados mostrando que mesmo essa fragmentação de identidade do que deveria ser a educação há nelas um poder que se quer exercer, um poder econômico, político e cultural, uma mentalidade que se ancora, uma verdade de nossa época segundo os estudos Foucaultianos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;É o mesmo imaginário social que permite que a imagem se represente da maneira que é, isto nos possibilita uma tentativa de buscar determinar a forma de representação que a imagem da capa da revista se valeu para seus efeitos de sentidos. É criada uma identidade para a imagem que em determinado momento é exposta em meio a tantos processos identitários líquidos e fragmentados que a todo momento querem se consolidar. Stuart Hall em seus estudos sobre identidade nos esclarece que identificar uma cultura identitária, geralmente é possível quando uma identidade está em crise, ou em luta para se afirmar: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A identidade somente se torna uma questão quando está em crise, quando algo que se supõe como fixo, coerente e estável é deslocado pela experiência da dúvida e da incerteza (MERCER, 1990, p.43 apud HALL, 2006, P.9&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;O próprio tema educação é um exemplo plausível de uma identidade em constante crise, porque ela é pautada na história das épocas ou nas mentalidades vigentes ou daquelas que ainda querem se formar. Compreendemos então que o descentramento que constantemente sofre as identidades é devido os diversos embates do poder pela sua busca por legitimação de uma identidade ocasionadas por constantes transformações econômicas políticas e culturais (FOUCAULT, 2006).&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1 A IMAGEM É PARA SER COMPREENDIDA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Compreender a imagem através da ciência, da história, dos aspectos sociais e humanos que envolvem a imagem, o pintor e as pessoas retratadas buscando alinhar saberes e verdades da época que vão nos dizer de que forma essa imagem é escolhida, feita e para que, de modo a finalizar com a interrogação: que tipo de histórico se expressa no cotidiano e que estará sendo representado nas imagens, como a sociedade se organizam para que seja possível tais discursos. Essa reflexão nos possibilitou pensar na leitura de imagens enquanto algo marcado no tempo; essa conceituação nos foi possível decorrente dos estudos de Manguel (2001) sobre como as imagens devem ser lidas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Um texto imagético é um processo de escolha que faz nascer aquilo que ele queira em termos de sentido, dessa forma tudo na imagem é funcional, tudo nela é resultado de um trabalho técnico feito a dedo sobre os recursos chamados a constituírem o texto resultante, para uma melhor compreensão Foucault (1995):&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Eis o exemplo (...) de outra orientação possível. Para analisar um quadro, pode reconstituir discurso latente do pintor; pode-se querer reencontrar o murmúrio de suas intenções que não são, em última análise, transcrita em palavras, mas em linhas, superfícies e cores; pode-se tentar destacar a filosofia implícita que (...) forma sua visão do mundo. É possível, igualmente, interrogar a ciência, ou pelo menos as opiniões da época, e procurar reconhecer o que o pintor lhes tomou emprestado. A análise arqueológica teria outro fim; pesquisaria se o espaço, a distancia, a profundidade, a cor, a luz, as proporções, os volumes, os contornos, não foram na época considerada, nomeados, enunciados, conceitualizados em uma prática discursiva; e se o saber resultante dessa prática discursiva não foi, talvez, inserido em teorias e especulações, em formas de ensino e em receitas, mas também em processos, em técnicas e quase no próprio gesto do pintor (FOUCAULT 1995, P. 219-220).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Assim como Barthes (1990), Foucault (1995) chama a atenção para o fato de que, no texto imagético cada recurso compositivo utilizado resulta de uma escolha ditada por uma época, por uma intencionalidade, por uma filosofia, por uma ciência, por uma opinião, enfim, no dizer do autor, de uma prática discursiva. Isto impede que àquilo que é inerente a imagem, seu caráter de inteligibilidade e empirismo possa fazer da imagem algo analógico e óbvio em relação à realidade da qual ela seria copia fiel. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Cada recurso usado deve ser interrogado sobre as razões de sua presença e que efeitos de sentidos seriam produzidos e porque da presença dessa imagem e não de outra. Barthes (1990) fala da relação entre a geometria e o teatro; Focault (1995) o faz sobre a pintura. Mas esses conceitos também se estendem no sentido de que a geometrização proposta por Barthes se aplica a qualquer ícone, na fotografia, na propaganda, na charge em todas as imagens, geometrização entendida enquanto espacialidade ocupada e focos escolhidos em detrimento a outros.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Perguntamos então? como os leitores vem as imagens, como as interpretam? A imagem busca um sentido e quer cumprir seu objetivo, ela traz seus conceitos sobre algo, no entanto analisar uma imagem vai muito além dessas categorias. A análise do discurso muito tem a dizer sobre isso ao investigar os processos de constituição de uma dada discursividade busca descobrir o que mobiliza as opções feitas pelo criador da imagem detectando os possíveis efeitos de sentido resultantes dessas escolhas. Especificamente para os analistas do discurso o leitor reconstituiria os trajetos feitos pelo criador da imagem, ou seja, os processos de constituição como um todo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;1.1 O CORPUS IMAGÉTICO:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Capa 01&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5447007948505049938" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 248px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_rZWknuFuuBg/S5eo3qNfa1I/AAAAAAAAABo/-pIWCfCPmqI/s320/Capa+01.bmp" border="0" /&gt;Capa 02&lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5447008840847922066" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 248px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_rZWknuFuuBg/S5eprmcnE5I/AAAAAAAAABw/3CA-IGF8h_M/s320/Capa+02.bmp" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Capa 03&lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5447008845579465650" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 248px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_rZWknuFuuBg/S5epr4Ess7I/AAAAAAAAAB4/oP80Ocr9ROA/s320/Capa+03.bmp" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Capa 04&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5447008850383067650" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 248px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_rZWknuFuuBg/S5epsJ992gI/AAAAAAAAACA/GYL5G6XeckM/s320/Capa+04.bmp" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A imagem é um operador de memória se pensarmos nos estudos de Pêcheux (1999, p.52) diríamos que é “aquilo que, face em um texto que surge a ler, vem restabelecer os implícitos”. Em Foucault (1995) a memória e definida como um já dito e esse já dito sempre um jamais dito. Desse modo podemos considerar uma memória mobilizada e funcionando nessas capas pelo verbal e não verbal, essas imagens dos sujeitos nos remetem a uma interdiscursividade sobre os discursos econômicos, uma historicidade da própria enunciação, é ela que demarca todos os posicionamentos dos sujeitos nas capas, as duas primeiras capas (1e 2) em sua materialidade discursiva revela uma posição sujeito ideologicamente marcada Fernandes e Cabral nos explica:&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A imagem tomada como um operador de memória e considerada como um enunciado pode ocupar lugar no cerne da arqueologia foucaultiana, e remete-nos á noção de arquivo. Compreendido como conjunto de enunciados efetivamente produzidos em dada época, o arquivo é apresentado por Foucault (1995, p. 1249) como “lei do que pode ser dito, o sistema que rege o aparecimento dos enunciados como acontecimentos singulares”. Dessa feita, arqueologia é a descrição que interroga o já dito no nível de sua existência [...] descreve os discursos como práticas específicas no elemento do arquivo (Foucault, 1995, p.151) ainda com a palavra Foucault (1995, p.149), trata do que faz com que tantas coisas ditas por tantos homens há tantos milênios (...) tenham aparecido graças a um jogo de relações que caracterizam particularmente o nível discursivo” (FERNANDES E CABRAL, apud, Romão, Gaspar, 2008, p.281)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Nas capas evidenciamos uma educação discursivizada e reestruturada sob o signo do “homo economicus” uma forma de governamentalidade neoliberal (Foucault, 1979), por isso essa memória ainda é circulante já que o discurso contemporâneo nas suas diversas materialidades discursivas sobre a educação são ainda construídos sob a marca da herança da escola republicana do século XIX que respalda a educação enquanto a grande redentora e preparadora para as coisas do mundo, regate esse que a memória discursiva social possibilita.&lt;br /&gt;A capa da revista é “um dedo que revela mais daquele que a constrói do que sobre o objeto que ele discursiviza” (Joly, 2005. p. 83). Entre o sujeito e o objeto, o primeiro revela-se mais do que o segundo, esse sujeito segundo Aumont tem:&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Um valor ideológico o seu instrumento técnico, sendo a câmara [que fotografa, filma ou controe] um instrumento que veicula uma ideologia do visível (...) a captação de uma imagem já pressupõe uma prática discursiva, isto é impregnada de historicidade e do imaginário social da qual faz parte (AUMONT, 2001, P.182-183).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;A historicidade que permeia a imagem é visualizada na representatividade das capas que corresponde a um modelo cultural, político e econômico que constantemente busca através dos discursos firmar seu modelo e subjetivar a sociedade de tal modo, a partir dessa análise percebemos que lastros culturais embasam os discursos que circulam na sociedade.&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os estudos de Barthes (1990) sobre fotografia, cinema, pintura, teatro e música nos respondem sobre de que forma a imagem em si deve ser analisada e começamos com seu estudo sobre a distribuição espacial dos elementos na foto que se dispõe, ela demonstra a ênfase que se deseja hora nas pessoas em si, hora no texto verbal e não verbal, Barthes também analisa o papel que as cores cumprem em determinadas culturas, desse modo temos uma imagem que aparentemente aponta cenas ilustrativas sobre o que deve ser a educação por aquilo que ela não deve ser, com Barthes nos é possível compreender o sentido real da imagem, o que ela oferece em termos de conteúdo que se evidenciam através das formas utilizadas.&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Essas imagens ao resgatarmos o processo de sua constituição, reportagens mensais sobre educação em um determinado período muito evidenciam, são relações entre duas formações discursivas: dos discursos neoliberais e dos discursos das políticas de Estado, consideremos a imagem da capa quatro com a seguinte pergunta: a escola pública se apresenta na foto por quê? e de que forma? Se não há imagens e nem menções verbais sobre ela: representada na foto em que o aluno vai até o quadro escreve e pelos números apresentados que evidenciam que a maior quantidade de alunos nas escolas ainda está na escola pública, a própria conotação do aluno escrever errado remete que esses problemas só aconteceriam com os alunos da escola pública.&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na capa três o adjetivo bom e caro levam o leitor a pressupor que não é o ensino público que a imagem chama pra si e sim em função desses adjetivos e da forma com a imagem se posiciona demonstram que o sentido da imagem remete a educação privada, já que construiu uma imagem de sentido na qual o ensino público não é bom, porque ele não tem dinheiro, a maneira como os recursos visuais foram usados mostram o quanto um sentido não precisa estar na transparência da imagem para surgir ele é construído na própria interpretação que a imagem propõe.&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Essa interpretação ainda no nível imediatista da imagem está e não está na imagem ela nos conduz no seu deciframento, Foucault (2002) nos alertou que uma imagem pode ser semelhante ou possuir uma similitude no caso dessas capas as técnicas visuais e verbais levam a similitude dos sentidos ao afirmarem um discurso negando outro, mas sem se comprometerem, esse é um exemplo das inúmeras possibilidades que a imagem permite para seus efeitos de sentido. Essa situação imagética pode nos mostrar que o sentido que a imagem propõe tem em si uma discursividade e uma ideologia tomada para si, significam na sua própria representatividade imagética e verbal ao negar outros discursos, essas imagens logo têm uma especificidade, imagens específicas que revelam uma identidade.&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foucault ressalta o papel que uma formação discursiva pode exercer, ou seja, dita o que se pode dizer no embate pelo poder, ele ainda acrescenta que “não são as imagens ou as pessoas que se digladiam na luta por poder, mas sim discursos que se confrontam e delimitam que enunciados se pode produzir” (FOUCAULT, 2006, P.325).&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dondis (1997) em seu livro &lt;em&gt;A Sintaxe da Linguagem Visual&lt;/em&gt; nos explica que as técnicas de comunicação visual são empregadas de uma forma que a transmissão da mensagem possa ser a melhor forma possível e de acordo com seus interesses, baseadas na escolha de elementos que irão compor a imagem, para assim cumprir seus efeitos, a revista para respaldar sua formação discursiva cria discursos, discursos que são imagens. Dondis também escreve que o pensamento visual não é um sistema retardado, a informação é transmitida diretamente, na linguagem visual. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É o óbvio da imagem no seu caráter espontâneo e imediatista que possibilita inúmeros efeitos de sentidos, no entanto como já nos disse Foucault (2002) “Isso não é um cachimbo” (o óbvio nada mais é do que um efeito e a questão é decifrar esse efeito a fim de compreender a imagem em sua forma e conteúdo). Para uma melhor compreensão Dondis esclarece: [...] podemos observar que o propósito da fotografia não é apenas o de reproduzir o visível que o mundo nos oferece. Ela é atravessada pela questão da figuração, do invisível [...] (DUBOIS, 2004, p.64).&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Destacamos a possibilidade de traçar um paralelo entre a análise de um texto e de uma imagem, ambas as materialidades possuem nexos em comum, já que estamos lidando com a linguagem em suas diferentes materialidades, a partir dessa conceituação respaldamos nossa análise mostrando que o texto imagético é uma forma de linguagem.&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nas capas identificamos uma formação discursiva, na qual, o enunciador autoriza a retomada de enunciados específicos dos discursos neoliberais, aqueles que Deleuze (2005) chama de o vocabulário das sociedades ocidentais, os grandes adjetivos, os contrários, as funções extremistas, a competição, a grande instituição etc. Vocabulário que interdita outros enunciados como: pequeno, comunidade, coletividade, todos etc. As palavras em negrito nas evidenciam esse modo de enunciar.&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A imagem enquanto discurso muito nos traz em termos de análise, por exemplo, as vestes das pessoas nas capas evidenciam um ethos discursivo que segundo Maingueneau (2005) permite construir uma imagem de si e do outro para o leitor. Temos o discurso empresarial que se configura na própria imagem das roupas utilizadas, destacamos a capa um, onde aparece um senhor engravatado cobrindo o foco principal da imagem, ela nos remete a construir um sentido ligado ao mundo empresarial, poderíamos dizer que esse senhor representa um executivo da educação, um sujeito que mesmo sendo da educação se caracteriza como um executivo. Há também uma rede de implícitos que sustenta a memória discursiva do homem empresário meia idade, rico (o rei) que em nossa sociedade está representado imaginariamente como a figura do homem que tudo faz e que tudo resolve enquanto homem, empresário e rico, que ocupa um único lugar, o lugar que cabe apenas a um, desse modo esses discursos que estão respaldados pelo poder econômico e cultural vigente da sociedade recaem sobre a educação buscando instaurar esse discursos nela.&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Essa formação determinada pela memória discursiva que sustenta os sentidos oficiais sobre o que deve ser a educação interdita exatamente por sua semântica global mobilizada qualquer possibilidade de resistência, ao falar de educação dentro de uma perspectiva neoliberal expressa na própria construção da imagem, que trás consigo verdades e regimes de enunciabilidades, na medida em que existe um interdiscurso que credencia essa possibilidade, aquele que possibilita interpretar educação como um negócio como qualquer outro, ou seja, há um discurso engendrado que são aqueles da ordem enunciativa que colocam em cena os regimes econômicos e sua influência nas discursividades que exigem para si. O que pode e deve ser dito nesta materialidade evidencia o acontecimento histórico que está sempre já dito, já significando na ordem do enunciável, no interdiscurso mobilizado e o “rosto” da imagem precisa respaldar tudo isso.&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A relação das imagens com espectador também deve ser considerada porque não é algo abstrato, ao contrário dentre os múltiplos meios dessa imagem se materializar alguns contextos são observados, são esses contextos que regulam a relação do espectador com a imagem. O teórico Aumont denomina essa relação de “dispositivo, que se divide em: contexto social, contexto institucional, contexto técnico e contexto ideológico” (AUMONT, 2001, P. 15). A imagem então está imersa em contextos que influenciam sua subjetividade e seu processo de subjetivar as pessoas.&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Trilhamos também um trajeto temático nesse texto jornalístico e imagético que se resumem nas quatro capas formando um único texto, uma única imagem e um sentido específico, a partir da seleção do tema: sujeito autônomo, competitivo, o grande eleito, expresso na adjetivação que as capas trazem e no jogo de imagem proposto são eles que nos possibilitam circunscrever as palavras e expressões que em nossa análise permitiu dizer que essa maneira de enunciar verbal e não verbal corresponde a um discurso estabelecido, basta pensarmos em uma possível construção arquivista desse discurso que cerca o recorte enunciativo, isso nos mostra o que é o discurso neoliberal na sua discursividade e na sua materialidade lingüística, discursiva e imagética.&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os discursos neoliberais no campo educacional nos mobilizam a refletir sobre os sentidos advindos de uma memória discursiva que legítima e possibilita desse discurso e não outro em seu lugar. Diante do pouco espaço que temos para essa discussão no momento faremos uma análise mais reduzida do texto verbal sobre as regularidades enunciativas que estão nesses enunciados para evidenciarmos através desse dispositivo de análise Foucaultiano os regimes de enunciabilidades. Com o conceito chamado por ele de formação discursiva tornaremos possível a análise (FOUCAULT, 1995).&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para definir uma formação discursiva é necessário buscar as regra que estabelecem os enunciados e o lugar de onde eles vêm. Dessa forma temos que considerar: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;a) quem fala? Quem tem a competência para falar sobre determinados objetos?&lt;br /&gt;b) quais são os lugares institucionais de onde quem fala obtém seu discurso?&lt;br /&gt;c) quais as posições adotadas pelo sujeito que fala?&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Está evidente que o sujeito que enuncia nas capas ocupa posições e lugares para falar sobre determinado objeto, nas capas essas posições e lugares são ocupadas através de um discurso neoliberal que circula no campo educacional, esses sujeitos que ocupam falam de um lugar institucional que são os meios de comunicação e apresentam uma ideologia específica tanto por parte do sujeito que enuncia quanto da instituição revista e de sua posição, por causa dessas posições e lugares o sujeito constrói para si uma identidade sobre seu objeto (a escola, ou educação) e sobre suas relações com esse objeto. Percebemos claramente a divisão dos indivíduos nesses enunciados, Foucault chama isso de micro práticas de poder, onde cada indivíduo cumpre um papel para que o poder se exerça uns sobre os outros, que no caso, um sujeito autônomo de livre iniciativa que compete e que deve buscar o lugar mais alto e apenas para um indivíduo, também focalizamos a representação simbólica que repercute no imaginário das pessoas, uma autonomia que na verdade mascara o controle que os discursos neoliberais exercem, esses lugares dispersam os indivíduos, mas o poder é o mesmo e isto acontece exatamente pelos diversos status, lugares e posições de onde fala o sujeito e do que ele fala, a imagem no espaço que ela ocupa e nas formas que tem presencia esse lugar, essa posição e o status que os indivíduos e os discursos apresentam&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outro importante dispositivo criado por Foucault para análise de regimes enunciativos diz respeito à memória que é resgatada na própria dispersão dos enunciados a partir da qual nascem os sentidos historicamente estabelecidos. Os sentidos que esses sujeitos carregam estão materializados na própria formulação desses enunciados, porque resgatam enunciados já formulados alhures e que são retomados, esses enunciados podem ser visto quando vemos os sujeitos resgatarem um sentido de escola que seria aquele pertencente à escola como a libertadora e a grande preparadora sobre coisas a respeito do mundo, sobretudo em um mundo neoliberal e globalizante e que se quer assim refletidos no texto verbal e não verbal das capas dessa série enunciativa, essa memória resgatada na imagem e no texto verbal cumpre o papel de legitimar essa identidade escolar.&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para que os efeitos desses regimes enunciativos ocorram é necessário segundo Foucault o uso de certas estratégias que nada mais são do que os temas e teorias que constituem uma dada formação discursiva. Para analisar a formação das estratégias de um discurso, o autor propõe que se leve em conta:&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;I) o papel desempenhado pelo discurso estudado em relação aos que lhe são contemporâneos e vizinhos, observando o jogo de inclusão ou exclusão que os enunciados sofrem, para o surgimento de novas possibilidades de significações, vê-se que esses discursos resgatam o velho papel da escola, aquela que nos ensinará a viver, essa forma de discursivisar a escola e a educação mostram regimes enunciativos vigentes sobre como deve ser essa instituição e mesmo que esse resgate enunciativo não seja mais o mesmo está como diria Foucault deslocado, cumprindo uma função legitimadora para a nova ordem enunciativa que surge que é aquele ligada as sociedades capitalistas de nosso tempo, uma educação voltada para competitividade e exclusão dos indivíduos, no entanto isso é legitimado e amenizado, já que os regimes enunciativos sobre escola e educação ainda se mantém ligados aos sentidos de templo de redenção para ensinar as pessoas o que elas devem saber e garantir sua oportunidade, sobrevivência, e realização pessoal, todas as capas estão ancoradas nessa discursividade.&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;II) os regimes de apropriação do discurso que apontam para o fato de que o direito de falar está reservado, de fato, a um grupo determinado de indivíduos estabelecendo para eles o que eles devem dizer e não dizer, no caso um revista legitimada socialmente e com um posicionamento frente questões educacionais, ela ocupa um status que lhe dá o direito de falar, já que a memória dos sujeitos permite legitimar seu dizer.&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Partindo para um panorama geral de análise podemos constatar uma demarcação discursiva sobre a educação nesses sujeitos, está evidenciado uma prática discursiva voltada para o projeto neoliberal de educação, poder vigente que cerca a vida de nós todos, ele envolve centralmente segundo Silva (1994, p.250) “a criação de um espaço que é impossível pensar o econômico, o político, o social, o cultural fora das categorias que justificam o arranjo social capitalista”. Ele ainda enfatiza que nesse espaço hegemônico visões alternativas e contrapostas à ordem liberal/capitalista são reprimidas a ponto de desaparecer da imaginação e do pensamento, até mesmo daqueles grupos mais vitimizados pela ordem vigente (alunos da escola pública) que se realizam através dos discursos, a imagem da primeira capa analisada comprova isso.&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por causa dessa complexa subjetivação da escola enunciações ligadas ao discurso igualitário e de justiça social saem de cena na escola para dar lugar às noções redefinidas de produtividade, eficiência e qualidade como condições para uma escola moderna, a imagem não pode ser a sala de aula e sim uma formatura, um escritório, enfim, a prática escolar é apagada e o que importa são os resultados no futuro depois do processo escolar por qual passam os sujeitos na educação formal, esse apagamento nos abre muitas possibilidades de análises ligadas a seguinte questão: o que faz essa imagem ser apagada e porquê?&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CONCLUSÃO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Ler um texto imagético não se reduz à percepção da atividade intencional ou da finalidade do texto, mas se refere também á observação do conjunto de recursos de que se valeu o autor para produzir as significações que gerou e isso se dá ao analisarmos os elementos condicionantes que fazem com que ele se valha destes e não de outros recursos. Essa leitura permite o acesso à que cerceia as produções textuais verbais e não verbais, possibilitando aos leitores que se debruçam nesse tipo de análise determinar com que texto, ideologia, política e cultura a imagem se pactua, dessa forma poderemos dar conta de qual compromisso e interesse os textos e seus criadores compactuam.&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;REFERÊNCIAS&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;AUMONT, Jacques. &lt;strong&gt;A imagem&lt;/strong&gt;. Trad. Estela dos Santos Abreu E Cláudia C. Santoro. 7. Ed.Campinas, SP: Papirus, 2001.&lt;br /&gt;BARTHES, Roland. &lt;strong&gt;A câmara clara&lt;/strong&gt;: nota sobre a fotografia. Rio de janeiro: Nova Fronteira, 1984.&lt;br /&gt;DELEUZE, Gilles. &lt;strong&gt;Foucault&lt;/strong&gt;. São Paulo: Brasiliense, 2005.&lt;br /&gt;DONDIS, D. &lt;strong&gt;A sintaxe da linguagem visual&lt;/strong&gt;. Trad. Jefferson Luiz Camargo. 2. Ed. São Paulo: Martins fontes, 1997.&lt;br /&gt;DUBOIS, Philippe. &lt;strong&gt;O ato fotográfico&lt;/strong&gt;. 8. ed. Campinas, SP: Papirus, 2004.&lt;br /&gt;FOUCAULT, Michel. &lt;strong&gt;Microfísica do Poder&lt;/strong&gt;. Tradução e (org). Roberto Machado. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1979.&lt;br /&gt;__________________. &lt;strong&gt;O óbvio e o obtuso&lt;/strong&gt;: ensaios sobre fotografia, cinema, pintura, teatro e música. (trad. Lea Novaes). 2. Ed. São Paulo: Nova Fronteira, 1990.&lt;br /&gt;__________________. A arqueologia do saber. Trad. de Luiz Felipe Baeta Neves. Rio de janeiro: forense universitária, 1995.&lt;br /&gt;__________________.&lt;strong&gt;Isto não é um cachimbo&lt;/strong&gt;. Trad. Jorge Coli. Rio de janeiro: Paz e Terra, 2002.&lt;br /&gt;__________________. &lt;strong&gt;Estratégia, Poder – Saber&lt;/strong&gt;; organização e seleção de textos Manoel de Barros da Motta; tradução, Vera Lucia Avellar Ribeiro. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2006.&lt;br /&gt;GRANATO Alice. &lt;strong&gt;A chave do emprego&lt;/strong&gt;. VEJA. São Paulo, ano 45, n 12, p.54-56, 23 set.1998.&lt;br /&gt;HALL, Stuart. &lt;strong&gt;A identidade cultural na pós-modernidade&lt;/strong&gt;. Trad. Tomaz Tadeu da silva e Guacira Lopes Louro. 11. ed. Rio de Janeiro: DP&amp;amp;, 2006.&lt;br /&gt;JOLY, Martine. &lt;strong&gt;A análise da imagem&lt;/strong&gt;. 11 ed. Campinas, SP: Papirus, 2005.&lt;br /&gt;MAINGUENEAU, Dominique. &lt;strong&gt;Ethos, cenografia e incorporação&lt;/strong&gt;. In AMOOSSY, R. (Org) Imagens de si no discurso: a construção do ethos. Tradução Dílson Ferreira Cruz, Fabiana Komesu e Sírio Possenti. SP: Contexto, 2005. (a)&lt;br /&gt;MANGUEL, Alberto. &lt;strong&gt;Lendo imagens&lt;/strong&gt;: uma historia de amor e ódio. Trad. Rubens Figueiredo, Rosana Eichemberg e Cláudia Strauch. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.&lt;br /&gt;MANSO PAES, Thaís. &lt;strong&gt;O rei do ensino&lt;/strong&gt;. VEJA. São Paulo, ano 48, n.15, p. 74-77, 01 set.1999.&lt;br /&gt;MANSO PAES, Thaís. &lt;strong&gt;Por que o bom ensino é tão caro?&lt;/strong&gt; VEJA. São Paulo, ano 22, n 9, p.31-37, 02 fev. 1992.&lt;br /&gt;PÊCHEUX, Michel. &lt;strong&gt;O papel da memória&lt;/strong&gt;. Trad. de José Horta Nunes. In: ACHARD, Pierre. O Papel da memória. Campinas: Pontes, 1999.p.49-57.&lt;br /&gt;ROMÃO, Lucília Maria Souza e GASPAR, Nádea Regina. &lt;strong&gt;Discurso midiático&lt;/strong&gt;: sentidos de memória e arquivo. São Carlos: Pedro &amp;amp; João editores, 2008.&lt;br /&gt;SILVA, Tomaz Tadeu. O&lt;strong&gt; adeus às metanarrativas educacionais&lt;/strong&gt;. In: SILVA, T, T.(org). O sujeito da Educação: Estudos Foucaultianos. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994, p.247-258.&lt;br /&gt;WEINBERG, Mônica e PEREIRA, Camila. &lt;strong&gt;O inssino no Brasiu è ótimo&lt;/strong&gt;. VEJA. São Paulo, ano 82, n 18, p. 42-46, 20 ago. 2008.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/544535753828386859-3336141979712002069?l=gefuem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gefuem.blogspot.com/feeds/3336141979712002069/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2010/03/imagem-defendida-e-imagem-aniquilada-um.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/3336141979712002069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/3336141979712002069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2010/03/imagem-defendida-e-imagem-aniquilada-um.html' title='A Imagem Defendida e a Imagem Aniquilada: um olhar para representação da imagem sobre a educação nas capas da Revista Veja'/><author><name>Jefferson Voss</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04299945059708219069</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_rZWknuFuuBg/S5eo3qNfa1I/AAAAAAAAABo/-pIWCfCPmqI/s72-c/Capa+01.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-544535753828386859.post-7616853637784089404</id><published>2010-03-04T14:13:00.002-03:00</published><updated>2010-03-04T15:55:04.541-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eventos'/><title type='text'>Próximos eventos</title><content type='html'>&lt;em&gt;A seguir, listamos alguns dos próximos eventos que estão para ocorrer agora em 2010:&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;A todos os linguistas do país:&lt;br /&gt;Estão abertas as inscrições para o &lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;CONGRESSO INTERNACIONAL LINGUAGEM E INTERAÇÃO II&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;Será na UNISINOS e Jean Paul Bronckart estará presente - além de outros nomes internacionais.&lt;br /&gt;O link para o evento é o seguinte: &lt;a href="http://www.unisinos.br/congresso/linguagem-interacao/?sessao=apresentacao" target="_blank"&gt;http://www.unisinos.br/congresso/linguagem-interacao/?sessao=apresentacao&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Estão também abertas as inscrições para o &lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;I Colóquio Internacional de Estudos Linguísticos e Literários&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Estadual de Maringá - UEM. O evento ocorrerá entre os dias 09 e 11 de junho de 2010, em Maringá - PR.Para mais informações, acesso o link a seguir: &lt;a href="http://www.cielli.com.br/"&gt;http://www.cielli.com.br/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Outro evento importante com inscrições abertas é o &lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;IX Encontro do Círculo de Estudos Linguísticos do Sul - CESUL&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;Aí vão algumas datas importantes retiradas do site do evento:&lt;br /&gt;1) Inscrição de GTs – 01/02/2010 a 28/02/2010;&lt;br /&gt;2) Resultados das propostas para GTs – até 15/03/2010;&lt;br /&gt;3) Inscrição de trabalhos (comunicações e pôsteres) – 16/03/2010 a 30/04/2010;&lt;br /&gt;4) Divulgação dos trabalhos aprovados – até 30/05/2010;&lt;br /&gt;5) Pagamento da inscrição – 01/06/2010 a 15/06/2010;&lt;br /&gt;6) Envio de trabalhos para publicação nos anais – até 15/07/2010;&lt;br /&gt;7) Inscrição de participantes sem trabalho – 1-15/08/2010.&lt;br /&gt;Para mais informações, acesse &lt;a href="http://www.celsul.org.br/unisul/index.htm"&gt;http://www.celsul.org.br/unisul/index.htm&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Além disso, foram prorrogadas as inscrições para o &lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;58º Seminário do GEL - Grupo de Estudos Linguísticos de São Paulo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;As inscrições estarão abertas até o dia 10/04/2010.&lt;br /&gt;Para maiores informações sobre o evento acesse o sítio do GEL: &lt;a href="http://www.gel.org.br/"&gt;http://www.gel.org.br/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Chamadas de trabalhos também para o &lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;VI SENALE -Seminário Nacional sobre Linguagem e Ensino&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Ocorrerá em Pelotas - RS de 28 a 30 de abril de 2010. O sítio do evento pode ser acessado pelo seguinte link: &lt;a href="http://www.ucpel.tche.br/senale"&gt;www.ucpel.tche.br/senale&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/544535753828386859-7616853637784089404?l=gefuem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gefuem.blogspot.com/feeds/7616853637784089404/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2010/03/proximos-eventos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/7616853637784089404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/7616853637784089404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2010/03/proximos-eventos.html' title='Próximos eventos'/><author><name>Jefferson Voss</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04299945059708219069</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-544535753828386859.post-6628292994487904034</id><published>2010-03-04T11:06:00.001-03:00</published><updated>2010-03-04T15:20:42.713-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensaios'/><title type='text'>O Enunciado para Foucault e para Bakhtin</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;(Este ensaio faz parte do artigo intitulado A RESPEITO DE BAKHTIN E FOUCAULT: APROXIMAÇÕES E DISPARIDADES ENTRE OS CONCEITOS DE ENUNCIADO, de Jefferson Voss - membro integrante do Grupo de Estudos Foucaultianos da UEM)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Afastando-se um pouco do que pressupõem as considerações de Bakhtin e seu grupo acerca da interação verbal, da enunciação e do próprio enunciado, começaremos essa seção apontando o caráter polissêmico do termo enunciado quando utilizado pelas várias correntes de estudos linguísticos que o tomaram, vez ou outra, como objeto de estudo. Segundo o que nos lembram Beth Brait e Rosineide Melo,&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Além do trabalho desenvolvido pelas diferentes pragmáticas, também outros estudos considerados transfrásticos, de diversas procedências, procuram explicar a natureza do enunciado, apresentando-o, em geral, como uma espécie de texto. Outras propostas teóricas, entretanto, vão opor enunciado a texto, como é o caso da Lingüística Textual. Também nas diferentes Análises do Discurso, especialmente as de vertente francesa, o conceito de enunciado vai aparecer, em geral, em oposição a discurso. Não se pode deixar de mencionar que, por vezes, o enunciado é tido como o produto de um processo, isto é, a enunciação é o processo que produz e nele deixa marcas da subjetividade, da intersubjetividade, da alteridade que caracterizam a linguagem em uso, o que o diferencia de enunciado para ser entendido como discurso (2008, pp. 64-5).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como se pode notar, a acepção de enunciado não possui um sentido fixo e nem o poderia, principalmente se partirmos da noção de palavra dada por Bakhtin: a palavra está sempre carregada de um conteúdo ideológico ou vivencial, a posição ocupada por aqueles que a sustentam é que lhe dá significação. Portanto, havemos de considerar a noção de enunciado de forma que precisemos a intersecção que ela sofre quando sustentada por interlocutores determinados e operando segundo modalizações específicas. Tomemos o caso em particular de Bakhtin para que, logo adiante, tentemos articular as proximidades e disparidades com a proposta foucaultiana. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tendo-se como pressupostos a se considerar o fato de que toda enunciação pressupõe interação verbal entre interlocutores, podemos dizer, a partir de Voloshinov, que o enunciado é o resultado inegável e produto materializado da interação verbal: “O enunciado concreto [...] nasce, vive e morre no processo da interação social entre os participantes da enunciação. Sua forma e significado são determinados basicamente pela forma e caráter desta interação” (VOLOSHINOV apud BRAIT &amp;amp; MELO, 2005, p. 68). Para Bakhtin e seu grupo, não há enunciado que não pressuponha a interação verbal entre indivíduos socialmente organizados.&lt;br /&gt;Outra propriedade inerente ao enunciado é o elo que mantém com aquilo que já foi enunciado e aquilo que há de se enunciar. O enunciado é um elo na cadeia textual quando da formação de redes de memória e da própria evolução das formas linguísticas:&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Todo enunciado – desde a breve réplica (monoléxemática) até o romance ou o tratado científico – comporta um começo absoluto e um fim absoluto: antes de seu início há o enunciado dos outros, depois de seu fim, há os enunciados-respostas dos outros (ainda que seja como uma compreensão responsiva ativa muda ou como um ato resposta baseado em determinada compreensão. (BAKHTIN apud BRAIT &amp;amp; MELO, p. 61)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Sendo o enunciado esse elo numa cadeia enunciativa, pressupõe-se que haja algo anterior à própria enunciação e que, de alguma forma, estabelece relações com aquilo que é enunciado. O enunciado, pressupõe, então, reiteração de uma memória, seja ela social ou histórica. Permite-se delinear um traçado sobre essa diferenciação entre o que é e o que não é reiterável na enunciação quando, no capítulo 7 de Marxismo e Filosofia da Linguagem, Bakhtin diferencia e relaciona tema e significação. Segundo ele, o tema é, assim como a enunciação, algo individual e reiterável, no sentido de que é definido por condições históricas únicas e não-repetíveis. Por outro lado, a significação é reiterável e idêntica em cada enunciação, ao passo que seria um “aparato técnico para a realização do tema” (BAKHTIN, 1981, p. 129, grifo do original). Há, dessa forma, um sentido anterior à produção enunciativa e que está pressuposto na realização do ato de fala. Contudo, não podemos deixar de esclarecer que essa relação entre tema e significação não atesta a subordinação de um acontecimento linguístico a uma estrutura que define seu campo histórico de significação. Bakhtin coloca a significação como um estágio inferior da capacidade de significar, uma vez que somente o tema significa de maneira determinada, ou seja, não há uma determinação do tema pela significação. Para Bakthin,&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Não há nada na composição do sentido que possa colocar-se acima da evolução, que seja independente do alargamento dialético do horizonte social. A sociedade em transformação alarga-se para integrar o ser em transformação. Nada pode permanecer estável nesse processo. É por isso que a significação, elemento abstrato igual a si mesmo, é absorvida pelo tema, e dilacerada por suas contradições vivas, para retornar enfim sob a forma de uma nova significação com uma estabilidade e uma identidade igualmente provisórias (BAKHTIN, 1981, p. 136).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Como é possível se notar por essa citação, Bakhtin enfatiza a instabilidade e evolução das formas linguísticas quando imersas num contexto social. Para Bakhtin (1981), o enunciado tem como base um campo de significação comum à língua, mas rompe com essa significação e, por meio do tema, resignifica a palavra no diálogo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outro trecho da obra de Bakhtin que toca nessa questão de um a priori histórico que se manifestaria na produção do discurso aparece em suas colocações a respeito do caráter responsivo da enunciação. Bakhtin afirma que “[...] Toda enunciação, mesmo na forma imobilizada da escrita, é uma resposta a alguma coisa e é construída como tal” (Ibidem, p. 98), ou seja, pressupõe outras enunciações que a constituem, e acrescenta: “[...] Toda inscrição prolonga aquelas que a precederam, trava uma polêmica com elas, conta com as reações ativas da compreensão, antecipa-as” (Ibidem, p. 98). Dessa forma, o enunciado – produto material da interação verbal e não reiterável – implica memória e atualidade numa rede de sentidos em evolução constante. Apesar de ser constituído a partir de uma memória (numa ação responsiva), o tema do enunciado é assegurado pelas condições de enunciação e pelos interlocutores envolvidos, ou seja, o enunciado possui univocidade histórica e não pode ser reiterado completamente, pois cada enunciação caracteriza um contexto de interação verbal específico e produz um enunciado único. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Partindo-se dessa propriedade não reiterável do enunciado, tendo em vista a própria univocidade da enunciação, tentemos inscrever o método arqueológico de Foucault nos entremeios de nossa discussão. Primeiramente, é mister que toquemos nessa questão do caráter único e não-repetível do enunciado, uma vez que ela se encontra, de certa maneira, mas não da mesma forma, também presente na sistemática foucaultiana. Ao propor uma explanação do conceito de enunciado, Foucault diz que&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Pode-se [...] ter dois enunciados perfeitamente distintos que se referem a grupamentos discursivos bem diferentes, onde não se encontra mais de uma proposição, suscetível de um único e mesmo valor, obedecendo a um único e mesmo conjunto de leis de construção e admitindo as mesmas possibilidades de utilização (FOUCAULT, 2008, p. 91).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Em outras palavras, uma mesma proposição, em sua forma material, pode comportar mais de uma significação e definir enunciados diferentes no que concerne à função enunciativa desempenhada. Em alguma medida, pode-se, nesse ponto, traçar um paralelo entre esse pensamento foucaultiano e a diferenciação bakhtiniana entre tema e significação. Aquilo que para Bakhtin seria a significação (aparato tecnológico reiterável) definiria, para Foucault, a materialidade de uma proposição, a base significativa comum. Já o enunciado propriamente dito estaria, em Foucault, no domínio do que Bakhtin definiu como tema (algo individual e não-reiterável). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Contudo, Foucault (2008) define a materialidade como uma propriedade do enunciado e não como o enunciado produto da interação verbal. Diante de um texto, por exemplo, Bakhtin o chamaria de enunciado por este ter sido produto da interação verbal entre interlocutores diante de um universo social estabelecido; já Foucault o chamaria de enunciado por ali podermos evidenciar o desempenho de uma função enunciativa inscrita numa materialidade textual. A problemática levantada sobre o objeto é outra e o objeto de análise em si também o é. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao tentar definir o enunciado, Foucault começa por distingui-lo daquilo com o qual se pode confundi-lo. Na terceira parte de A Arqueologia do Saber (FOUCAULT, 2008), no capítulo intitulado Definir o Enunciado, Foucault distingue o enunciado de três outras unidades com as quais se poderia eventualmente compará-lo: a proposição, a frase e o speech act (ato de fala). Para o filósofo francês, não se deve resumir o valor do enunciado a uma estrutura proposicional, dado que uma mesma proposição pode abarcar enunciados distintos conforme o contexto enunciativo em que foi expressa. Nem mesmo se pode querer equiparar enunciado e frase já que, segundo Foucault, há muitos contextos em que não se exige uma simples frase para que o enunciado ocorra, como em uma tábua de logaritmos ou em uma tabela periódica. Tampouco se deve tomar o enunciado em uma relação sinonímica com um ato de fala, apesar de Foucault admitir ser esta a hipótese que, à primeira vista, parece mais verossímil. De acordo com o autor, um ato de fala ilocucionário pode exigir a existência de dois ou mais enunciados; além disso, os enunciados são condição de existência dos próprios atos de fala. Ao final do capítulo, Foucault conclui negando a unidade do enunciado:&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[...] Não é preciso procurar no enunciado uma unidade longa ou breve, forte ou debilmente estruturada, mas tomada como as outras em um nexo lógico, gramatical ou locutório. Mais que um elemento entre outros, mais que um recorte demarcável em um certo nível de análise, trata-se, antes, de uma função que se exerce verticalmente, em relação às diversas unidades, e que permite dizer, a propósito de uma série de signos, se elas estão aí ou não (2008, p. 98).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Essa negação à unidade do enunciado comprova a preocupação de Foucault em não tentar definir uma unidade passível de ser recortada para análise, uma vez que o processo analítico deveria levar em conta aquilo que é exterior e constitutivo da função enunciativa. Foucault admite ser o enunciado uma função de existência que pertence ao signo, o que lhe exige, de certa forma, uma materialidade específica, mas não entende o enunciado como um produto materializado ou como um elo na produção textual, senão como uma função enunciativa que precisa ser descrita levando-se em consideração seu exercício, suas condições de existência, as regras que a controlam e o campo em que se realiza (2008, p. 98). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nesse ponto de nossa discussão, é interessante que pontuemos as preocupações díspares as quais envolviam ambos os filósofos, Bakhtin e Foucault, quando da conceituação do termo enunciado. De um lado, Bakthin e seu grupo tentavam delinear uma corrente de pensamento linguístico-filosófico que priorizasse o estudo da enunciação enquanto produto vivo da interação entre indivíduos historicamente situados, isso a fim de mostrar como a palavra (discurso) não estava fadada somente à produção subjetiva ou à regência de uma estrutura objetivada. Por outro lado, a preocupação de Foucault era a de descrever como a circulação de saberes em uma sociedade abre margens à produção/transformação dos conhecimentos que delineiam um campo epistemológico. Para Bakthin (1981), o enunciado é prioritariamente material, já que aparece como produto da enunciação; o que define o enunciado são as condições históricas que definiram a enunciação da qual é produto: os outros enunciados aos quais responde, os interlocutores (reais, virtuais ou superiores) envolvidos na interação verbal, etc. Para Foucault (2008), no entanto, o desempenho da função enunciativa exige uma materialidade, mas o enunciado não é em si essa materialidade, uma vez que uma mesma materialidade pode pressupor uma gama de enunciados atuantes. Logo, o enunciado é, para Foucault, a materialização de uma ordem que age sobre as palavras e as coisas, lhes imprimindo um movimento particular na história; por isso a necessidade de descrever-lhe uma função (a função enunciativa) que aponte para os porquês de sua existência material. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O desempenho da função enunciativa exige, de acordo com Foucault (2008), um referencial como princípio de diferenciação (e não como um objeto), um sujeito enquanto posição que pode ser ocupada sob certas condições, um campo associado que é um domínio de coexistência para outros enunciados (e que não é, diga-se de passagem, um contexto real de formulação, ou uma situação na qual foi articulada uma proposição) e uma materialidade enquanto um status ocupado em certas possibilidades de uso ou de reutilização (FOUCAULT, 2008, p. 99-119).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nota-se, de antemão, um caráter menos pragmático que o bakhtiniano nessa definição dada por Foucault ao desempenho da função enunciativa. Se, para Bakhtin, é relevante pensar, por exemplo, no contexto real de formulação enquanto universo social que define a interação verbal entre os interlocutores, para Foucault o que importa é a análise da relação entre os enunciados num domínio de coexistência. Enquanto Bakhtin vê o surgimento da palavra em função do interlocutor (toda palavra serve de expressão a um em relação ao outro), Foucault pensa na existência da palavra como efeito de saberes postos em circulação numa dada época. A preocupação de Bakhtin era mesmo a de traçar uma teoria da linguagem que superasse parte do pensamento estruturalista. Já Foucault queria entender como se formam os saberes que dão emergência a esses trajetos teóricos que chegam a engendrar o que, depois, vem a se chamar estruturalismo ou qualquer outra coisa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(Jefferson Voss - Mestrando em Letras pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da UEM)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/544535753828386859-6628292994487904034?l=gefuem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gefuem.blogspot.com/feeds/6628292994487904034/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2010/03/o-enunciado-para-foucault-e-para.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/6628292994487904034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/544535753828386859/posts/default/6628292994487904034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gefuem.blogspot.com/2010/03/o-enunciado-para-foucault-e-para.html' title='O Enunciado para Foucault e para Bakhtin'/><author><name>Jefferson Voss</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04299945059708219069</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
