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terça-feira, 18 de maio de 2010

Microfísica do Poder: Cap. XVII - A Governamentalidade

GEF/UEM – Grupo de Estudos Foucaultianos da UEM
Orientação: Prof. Dr. Pedro Navarro
Organização: Adriana Beloti
Discussões realizadas em: 07/04/2010.

Cap. XVII: A GOVERNAMENTALIDADE[1]

A partir de uma análise histórica de alguns dispositivos de segurança, Foucault procedeu a uma análise da população, o que o levou à questão do governo, tema discutido no capítulo XVII da obra Microfísica do Poder. Por suas reflexões é possível percebermos que o poder esteve, a todo o momento, permeando suas observações e, neste texto, desde a teoria de Maquiavel, que tem como norte O Príncipe, até às propostas anti-Maquiavel, ou seja, a arte de governar.
Dos tratados de conselhos aos príncipes da Idade Média e da Antiguidade greco-romana aos tratados da arte de governar, do século XVI ao XVIII, surgem os problemas do governo: “problema do governo de si mesmo”, “problema do governo das almas e das condutas”, “problema do governo das crianças”, “problema do governo dos Estados pelos príncipes”. De acordo com Foucault (2007, p. 278), trata-se da “problemática geral do governo em geral”. Desses problemas de governo têm-se os três tipos de governo: “cada um se referindo a uma forma específica de ciência ou de reflexão. O governo de si mesmo, que diz respeito à moral; a arte de governar adequadamente uma família, que diz respeito à economia; a ciência de bem governar o Estado, que diz respeito à política” (2007, p. 280).
Até o início do século XVIII, a arte de governar foi, de certa forma, travada por algumas situações. Passada essa fase de entraves e bloqueios, conseguiu, enfim, um processo de desbloqueio e de avanços, dados alguns fatores sociais e históricos, em específico, por sua relação com a emergência do problema da população. Num primeiro momento, a população “permitirá eliminar definitivamente o modelo da família e centralizar a noção de economia em outra coisa”. A família deixa de ser modelo de governo e passa a ser instrumento fundamental para o governo da população. “Portanto, aquilo que permite à população desbloquear a arte de governar é o fato dela eliminar o modelo da família” (FOUCAULT, 2007, p. 289).
A população aparece como objetivo e instrumento do governo não sendo mais vista como força do soberano. São os interesses individuais e coletivos que se tornam, nessa perspectiva, o alvo e o instrumento fundamental do governo. A população se torna objeto do governo em relação a suas observações, seu saber, sendo considerada por este para que consiga “governar efetivamente de modo racional e planejado”. Nas palavras de Foucault (2007, p. 290), “em suma, a passagem de uma arte de governo para uma ciência política, de um regime dominado pela estrutura da soberania para um regime dominado pelas técnicas de governo, ocorre no século XVIII em torno da população e, por conseguinte, em torno do nascimento da economia política”.
Questões relacionadas à soberania e à disciplina não foram extintas. Ao contrário. Conforme pondera Foucault (2007, p. 291), “a idéia de um novo governo da população torna ainda mais agudo o problema do fundamento da soberania e ainda mais aguda a necessidade de desenvolver a disciplina. Devemos compreender as coisas não em termos de substituição de uma sociedade de soberania por uma sociedade disciplinar e desta por uma sociedade de governo. Trata-se de um triângulo: soberania-disciplina-gestão governamental, que tem na população seu alvo principal e nos dispositivos de segurança seus mecanismos essenciais”. Em síntese, o filósofo afirma que procurou mostrar a profunda relação histórica entre os movimentos de governo, população e economia política, movimentos que passaram da soberania, como força única e exclusiva do soberano, ao aparecimento da população, como objetivo e instrumento do governo e, por fim, à economia política como ciência e técnica de intervenção.
Vale ressaltar aqui o que Foucault, ao final de todas essas discussões, afirma entender por governamentalidade (2007, p. 291-292):
1 – o conjunto constituído pelas instituições, procedimentos, análises e reflexões, cálculos e táticas que permitem exercer esta forma bastante específica e complexa de poder, que tem por alvo a população, por forma principal de saber a economia política e por instrumentos técnicos essenciais os dispositivos de segurança.
2 – a tendência que em todo o Ocidente conduziu incessantemente, durante muito tempo, à preeminência deste tipo de poder, que se pode chamar de governo, sobre todos os outros – soberania, disciplina, etc. – e levou ao desenvolvimento de uma série de aparelhos específicos de governo e de um conjunto de saberes.
3 – o resultado do processo através do qual o Estado de justiça da Idade Média, que se tornou nos séculos XV e XVI Estado administrativo, foi pouco a pouco governamentalizado.
Por fim, esse filósofo (2007) destaca que “o importante para nossa modernidade, para nossa atualidade, não é tanto a estatização da sociedade mas o que chamaria de governamentalização do Estado” (p. 292). Para ele, o Estado, da forma que existe hoje, deve-se à sua governamentalidade, tanto interior quanto exterior, às suas táticas gerais de governamentalidade. “Este Estado de governo que tem como alvo a população e utiliza a instrumentalização do saber econômico, corresponderia a uma sociedade controlada pelos dispositivos de segurança” (p. 293).

[1] FOUCAUTL, M. Microfísica do poder. Tradução Roberto Machado. 24. ed. Rio de Janeiro: Edições Graal, 2007. p. 277 – 293.

Microfísica do Poder: Cap. IX - Poder - Corpo

GEF/UEM – Grupo de Estudos Foucaultianos da UEM
Orientação: Prof. Dr. Pedro Navarro
Organização: Adriana Beloti
Discussões realizadas em: 24/03/2010.

Cap. IX: PODER – CORPO[1]

Neste capítulo, Foucault discorre sobre o poder, reafirmando sua concepção de poder: positivo, produtivo, que produz saberes, que é material e que se exerce; uma prática social que é constituída historicamente. Nesse sentido, toma o corpo como objeto de análise em relação ao poder.
Questionado sobre o sistema político descrito em Vigiar e Punir, Foucault (2007) pondera que o corpo, em determinados momentos e sociedades, tem um poder real e essencial: “Numa sociedade como a do século XVII, o corpo do rei não era uma metáfora, mas uma realidade política: sua presença física era necessária ao funcionamento da monarquia” (p. 145), ou seja, o corpo, físico e presente, era um dos mecanismos pelos quais o poder se exercia.
Por outro lado, em relação à república “una e indivisível”, o corpo já não funciona como o corpo do rei na monarquia, pois “não há um corpo da República. Em compensação, é o corpo da sociedade que se torna, no decorrer do século XIX, o novo princípio” (FOUCAULT, 2007, p. 145). De acordo com o filósofo, não há vontades tidas como universais que constituem os corpos da sociedade, “não é o consenso que faz surgir um corpo social, mas a materialidade do poder se exercendo sobre o próprio corpo dos indivíduos” (p. 146).
Foucault, nas discussões sobre o poder e o corpo, se opõe às tendências marxistas e para-marxistas. À primeira, por não delimitar os efeitos do poder ao nível da ideologia, além disso, considera que seria mais materialista estudar sobre o corpo, sobre os efeitos do poder sobre o corpo. Esse posicionamento está articulado a sua própria concepção de poder. À segunda perspectiva, se opõe devido à grande importância e valor dado à noção de repressão. Pois, para ele, “se o poder só tivesse a função de reprimir, se agisse apenas por meio da censura, da exclusão, do impedimento, do recalcamento, à maneira de um grande super-ego, se apenas se exercesse de um modo negativo, ele seria muito frágil. Se ele é forte, é porque produz efeitos positivos a nível do desejo – como se começa a conhecer – e também a nível do saber. O poder, longe de impedir o saber, o produz” (FOUCAULT, 2007, p. 148).
Em suas reflexões, Michel Foucault observa, ainda, a psicanálise e sua relação poder-corpo. Para ele, a “psicanálise desempenhou um papel liberador e em certos países ainda desempenhava um papel político positivo de denúncia da cumplicidade entre os psiquiatras e o poder” (FOUCAULT, 2007, p. 150). Por suas atuações, essa disciplina se caracteriza, ainda, pelo controle, pela normalização e pela disciplinarização, estabelecendo uma constante relação entre o corpo e o poder, sendo que esse se exerce, também, por aquele e o domina.
Por fim, tomando como norte o papel do intelectual, que para Foucault não deve ultrapassar o fornecimento de instrumentos para análise e nunca ser aquele que diz o que deve ser feito, esse filósofo ainda pondera sobre o complexo conjunto que coordena o poder do corpo, analisando, por exemplo, como as atividades filantrópicas e sociais e, depois, a medicina se marcam como mecanismo de controle dos corpos da sociedade. Segundo Foucault (2007, p. 152), “o interessante não é ver que projeto está na base de tudo isto, mas em termos de estratégia, como as peças foram dispostas”. Portanto, um dos princípios é analisar como o poder é exercido, como os micro-poderes se exercem nos/pelos corpos sociais.

[1] FOUCAUTL, M. Microfísica do poder. Tradução Roberto Machado. 24. ed. Rio de Janeiro: Edições Graal, 2007. p. 145 – 152.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

A Ordem do Discurso

No encontro realizado no dia 28/04, discutimos "A Ordem do Discurso", obra na qual é reproduzida a aula inaugural de Foucault no Collège de France. Neste livro, o filósofo nos alerta sobre os poderes que controlam as práticas discursivas na sociedade.
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Orientação: Prof. Dr. Pedro Navarro
Organização: Andréa Zíngara, Bruno Franceschini e Shirlei Doretto
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A Ordem do Discurso
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Ao ocupar a cadeira no Collège de France, onde Foucault substituiria Jean Hyppolite e lecionaria História dos Sistemas de Pensamentos, o filósofo fala de sua hesitação e temor ao ter que proferir seu discurso, possivelmente por estar ocupando o lugar daquele que foi seu “mestre”.
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“No discurso que devo fazer hoje e nos que precisarei fazer aqui, durante anos talvez, gostaria de poder deslizar-me sub-repticiamente. Mais do que tomar a palavra, eu gostaria de ser envolvido por ela, e levado bem além de qualquer começo possível. Gostaria de perceber que no momento de falar uma voz sem nome tivesse me precedido há muito tempo” (Foucault, p. 8).

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Assim nasce “A ordem do Discurso”, momento em que Michel Foucault nos coloca a par dos perigos que o discurso acarreta, nos direcionando para o seu método de análise da relação entre as práticas discursivas e as diversas formas de poder que as permeiam. Em nosso resumo apontaremos, em forma de tópicos, os principais aspectos do empreendimento do filósofo a propósito do discurso.

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• Em todas as sociedades a produção de discursos é regulada, selecionada, organizada e redistribuída conjurando poderes e perigos.

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• Procedimentos Exteriores de controle e delimitação do discurso:

- Interdição

- Separação/Rejeição

- Vontade de Verdade

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• Procedimentos Internos de controle e delimitação do discurso:

- Comentário

- Princípio de Autoria

- Disciplinas

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• Imposição de regras aos sujeitos do discurso:

- Ritual

- Doutrinas

- Apropriação social dos Discursos

- Temas Filosóficos relativos aos processos de delimitação dos discursos

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• Três direções que o trabalho de elaboração teórica deverá seguir:

- Princípio de descontinuidade

- Princípio de especificidade

- Princípio da exterioridade

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Referência
FOUCAULT, M. A Ordem do Discurso. Tradução Adalberto Oliveira Souza.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

GEF comemora aniversário do Prof. Pedro Navarro

No último encontro do GEF, dia 12 de maio de 2010, os integrantes do Grupo fizeram uma festinha de aniversário surpresa para seu líder, o Prof. Pedro Navarro. Após manter o encontro do dia 12, mesmo sabendo ser seu aniversário, o Professor Pedro não podia esperar que fóssemos mesmo discutir teoria e deixar de comemorar uma data tão especial? Parabéns, Pedro! Segue aí uma foto para os que não puderam participar.
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