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domingo, 11 de setembro de 2011

Os limites da vida: da biopolítica aos cuidados de si

Orientação: Prof. Dr. Pedro Navarro
Organização: Bruno Franceschini

Os limites da vida: da biopolítica aos cuidados de si
PORTOCARRERO, V. Os limites da vida: da biopolítica aos cuidados de si. In: ALBUQUERQUE JUNIOR, D. M. de.; VEIGA-NETO, A.; SOUZA FILHO, A. (orgs). Cartografia de Foucault. Belo Horizonte: Autêntica, 2008.


Neste texto, Vera Portocarrero discute um importante conceito que perpassa o trabalho de Michel Foucault: a noção de vida. O homem e a vida enquanto objetos de estudo são trabalhos pelo filósofo em três grandes instâncias de sua ontologia, a saber: a arqueologia, a genealogia e a estética de si. Em cada uma dessas instâncias, Foucault procurou problematizar a questão da vida sob diferentes vieses.
Num primeiro momento, em sua empreitada arqueológica, Foucault buscou na biologia, na economia e na história as condições de existência e de possibilidade da vida enquanto objeto de saber, aquilo que propiciou ao homem à possibilidade de tornar-se “objeto das ciências empíricas”.
Já na perspectiva genealógica, Foucault procura pensar acerca das relações de poder que incidem sobre a vida e o homem com vistas a descrever de que modo a articulação das ciências biológicas “com outros campos de saber e de práticas (como as pedagógicas, militares, industriais, médicas, por exemplo)” produzem saberes sobre os indivíduos, objetivam-no.
Por fim, na última fase dos trabalhos de Foucault, a vida e o homem remontam à Grécia antiga, onde a vida era tomada “como obra de arte”. Nessa fase, Foucault baseia-se nos conceitos de askesis e da parrhesia, os quais dizem respeito aos cuidados de si, às “experiências modificadoras da existência do indivíduo, cuja finalidade é transformar o ser mesmo do sujeito.”.
Nessas práticas do cuidado de si, o sujeito subjetiva-se de modo a relacionar-se melhor consigo mesmo, procurando harmonizar os conceitos morais da sociedade com os conceitos éticos estabelecidos por ele, haja vista que nesse processo de transformação, o sujeito procura “ter acesso à verdade e estabelecer para si um modo de vida ético, belo, brilhante e heróico”.
Desse modo, a autora levanta alguns questionamentos acerca da noção de vida nos trabalhos de Foucault:
A) As condições de existência das formas modernas de objetivação do sujeito pelos saberes;
B) As formas de objetivação pelos poderes;
C) As condições de possibilidade de formas de subjetivação ativas realizadas por meio de experiências de transformação do modo de vida do indivíduo por si mesmo, afastada dos procedimentos modernos de normalização.
Sobre o primeiro e segundo tópicos, é preciso compreender a arqueologia e a genealogia foucaultiana. A respeito da primeira, Foucault pretendeu pensar sobre a singularidade de um acontecimento, a irrupção de um saber, em especial de um saber sobre o homem e a vida. Já a genealogia está voltada à compreensão de como houve investimento de poder para a constituição de uma determinada singularidade para a ocorrência de um acontecimento.
Na perspectiva de uma genealogia sobre a vida e o homem, o trabalho com o conceito de biopolítica se mostra importante, uma vez que a genealogia, de forma ampla, compreende o poder disciplinar e o exercício desse poder que individualiza o sujeito, já a biopolítica, parte integrante da genealogia, diz respeito ao poder “que se exerce sobre a vida das populações” e que “opera com controles precisos, regulações de conjunto e mecanismos de segurança para exigir mais vida, majorá-la, geri-la.”
É nesse ponto que há um encontro entre o governo de si e o governo dos outros, haja vista que o sujeito, em um momento, está investido por uma rede de poder a qual tem legitimidade para distinguir o normal-anormal, e, em outro momento, o sujeito precisa governar a si mesmo sendo, desta forma, estabelecida pelo sujeito uma relação de resistência, como expõe Portocarrero:

“Pois uma relação de poder se articula sobre dois elementos que lhe são indispensáveis: primeiro, que o outro (aquele sobre cuja vida se exerce) seja inteiramente reconhecido e mantido, até o fim, como sujeito de ação; segundo, que se abra, diante da relação de poder, todo um campo de respostas, reações, efeitos e invenções possíveis.”

Assim, Foucault observa que o governo de si e dos outros é exercido pelas práticas de confissão, quando o sujeito tem de dizer a verdade, em especial em relação ao sexo. A esse respeito, o filósofo, segundo a autora, elaborou “a genealogia do homem e do desejo – um trabalho histórico e crítico, que estabelece um elo entre sexo, subjetividade e verdade”.
Quanto à subjetividade e à verdade, Foucault retoma ao conceito de aphrodisia e à moral judaico-cristã de modo a encontrar “o arcabouço fundamental da moral sexual européia moderna”, em especial, o filósofo procurava trabalhar os conceitos de moral e de ética, conceitos estes intimamente ligados às formas de subjetivação e aos cuidados de si.
A moral está relacionada aos valores e regras estabelecidos pelas instituições sociais às quais os indivíduos submetem-se ou não às condutas e os valores estabelecidos socialmente. Já a ética está voltada ao modo pelo qual o sujeito estabelece para si o seu próprio estilo de portar-se perante aos códigos morais estabelecidos. Portanto, no pensamento foucaultiano, o sujeito é livre para pensar sobre como comportar-se. A essa liberdade do sujeito para governar a si mesmo, está imbricada, também, a questão do discurso e da verdade, a parrhesia.
O conceito de parrhesia está ligado à questão da verdade, a qual era verificada com base na “correspondência entre o discurso e o modo de vida com o qual aquele que fala se acha comprometido”. Ao fazer a arqueogenealogia dos saberes sobre a vida e o homem enquanto objetos de poder e de saber que determinavam a conduta dos indivíduos, bem como das técnicas de si, quando o sujeito efetua mudanças em seu comportamento visando certa melhora no seu modo de agir.
A questão da parrhesia, para Foucault, serviu de base para a formulação de certos aspectos teóricos como as modalidades enunciativas, em especial, naquilo que diz respeito à questão de quem está autorizado a dizer a verdade e sob quais circunstâncias. Nessa perspectiva, a autora finaliza o texto evidenciando o objetivo das problematizações de Foucault, as quais estavam voltadas à emergência de certos acontecimentos até então sem importância, irrompem e passam a ser discursivizados, a ser problematizados, como a questão da loucura.

Entre a vida governada e o governo de si

Orientação: Prof. Dr. Pedro Navarro
Organização do resumo: Andréa Zíngara Agosto de 2011



Entre a vida governada e o governo de si
Márcio Alves da Fonseca

No artigo intitulado Entre o governo da vida e o governo de si, Márcio Alves da Fonseca (2008) traz à tona a problemática do tema do “governo” que, por sua vez, rege toda analítica do Poder vislumbrada nos escritos do filósofo Michel Foucault. Segundo Fonseca (idem), é em torno desse tema que Foucault, partindo de duas abordagens, trata dos mecanismos de poder que efetivam o “governo da vida” e das práticas que regem o “governo de si”.
Nas primeiras abordagens sobre o poder presentes principalmente em Vigiar e Punir e em alguns cursos ministrados no Collège de France, Foucault tratou basicamente da constatação da insuficiência de um modelo de análise essencialista do poder que era caracterizado como repressão, como um poder disciplinar ou que era confundido com a ordem instaurada pela lei.
No entanto, a partir do primeiro volume da História da sexualidade e do curso Em defesa da sociedade, é evidenciado nos escritos de Foucault, um movimento de ampliação dos instrumentos teóricos utilizados por ele ao analisar o poder. Assim, contra a concepção do poder como repressão, o filósofo o define como relações de força naquele texto e pensa as relações de poder a partir da matriz teórica consistente no embate de forças ou na guerra neste último. Disso constata-se que o poder é percebido como um conjunto de mecanismos que incide e atua sobre a vida, logo a necessidade de se estudar os mecanismos de segurança e de controle da vida através de uma biopolítica.
Se com o biopoder havia um corpo específico que era objeto e sujeito das estratégias de poder, com a biopolítica esse corpo passa a ser o corpo coletivo das populações. A normalização nesse caso irá se referir aos mecanismos de regulação que atuam sobre os processos gerais da vida. Com isso, ressalta Fonseca (idem), chega-se ao tema do problema da “vida como objeto de governo”, fase em que podemos constatar estudos de Michel Foucault acerca do poder pastoral e das “artes de governar”.
Entretanto, relembra o autor do artigo, na terceira fase dos escritos de Foucault vislumbramos estudos voltados para o “governo de si” que não deixa de ter relação com “o governo da vida”, mas que pode também ser contrário a ele. Fonseca (idem) aponta para o fato de que não se trataria de uma mudança de trajeto por parte do filósofo do poder, mas de uma inflexão na qual se alojaria um “lugar de implicação” entre as duas abordagens.
Ao indagar-se acerca de como compreender o significado dessa implicação entre o governo da vida e o governo de si em Foucault, o autor sugere partir da noção de “crítica” desenvolvida pelo filósofo francês na qual encontraríamos uma resposta. Para tanto, Fonseca (idem) discorre primeiramente sobre o conceito de crítica presente em uma conferência proferida por Foucault em maio de 1978 intitulada Qu’est-ce que la critique e em segundo lugar, tenta identificar esse conceito no modo pelo qual Foucault opera sua filosofia.
Partindo do próprio texto da conferência, Fonseca (idem) explica que Foucault definiu “crítica” como uma atitude e que por isso só pode existir em relação à outra coisa, diferente dela própria. O filósofo proferiu ainda, nessa conferência, que existem vários caminhos possíveis para se construir a história da “atitude crítica”. Assim, parte da ideia disseminada pelas práticas da pastoral cristã na qual todo e qualquer indivíduo deveria ser governado e deixar-se governar em sinal de obediência, objetivando sua salvação.
A arte de governar os homens, descrita acima, era principalmente associada à vida religiosa; no entanto houve uma expansão de tal arte para além dessa esfera, ou seja, não se tratava mais de governar apenas a vida do cristão, mas como governar as crianças, os pobres, as cidades e mesmo o próprio corpo? A essas indagações, Foucault teria lançado uma questão fundamental e indissociável, a saber, “como não ser governado?” A tal atitude, a tal maneira de pensar, como por exemplo, como não ser governado de tal ou tal maneira, por meio de tais ou quais princípios, etc., que Foucault chamaria “crítica”.
Sempre em relação à conferência, Foucault indicaria três pontos precisos e historicamente localizados da atitude crítica, os quais seriam exemplos da “arte de não ser governado”: o primeiro, relacionado à arte de governar religiosa; o segundo, relacionado à arte de governar do direito; e o terceiro, relacionado à arte de governar que estaria associada ao domínio do conhecimento.
No primeiro, a crítica se expressaria como forma de não-aceitação da interpretação das Escrituras pela Igreja. Há, dessa forma, um movimento de retorno às Escrituras nas quais se encontraria a verdade autêntica que seria superior ao que dizia a Igreja. Já no segundo, a crítica se faria presente quando da valorização do direito natural face às leis em detrimento do direito público (espécie de justiça com as próprias mãos). Finalmente, no terceiro ponto, se teria uma atitude crítica quando não se aceitasse uma “verdade” simplesmente pelo fato de ter sido formulada por uma autoridade, mas aceitar como verdade aquilo a respeito do que se pode encontrar.
Ainda sobre o conceito de “crítica”, o próprio Foucault, segundo Fonseca (idem), apontaria para uma aproximação de sua formulação do conceito com aquela de Kant a propósito das Luzez na qual o pensador alemão definiu crítica como algo oposto ao estado de menoridade à qual se submeteria a humanidade face ao governo de um outro. Para esse pensador, seria o “esclarecimento” a chave de acesso à saída desse estado de menoridade em direção à emancipação, caráter este também vislumbrado em Foucault ao preconizar a crítica como expressão concreta de uma vontade de não ser governado.
Diante do exposto, Fonseca (idem) considera correto afirmar que em ambos pensadores o problema que se coloca seria o da “autonomia”; seja nas Luzes de Kant seja no conceito de crítica de Foucault. Afirma também que a retomada da questão da crítica pela filosofia se daria pela indagação acerca da razão, já que houve para este como para aquele, uma suspeita desta ter sido responsável pelos excessos de poder experimentados pela história do Ocidente moderno.
Disso decorre que Foucault, segundo Fonseca (idem), engaja-se em certa prática histórico-filosófica, isto é, recorre ao conteúdo histórico no intuito de desubjetivar a filosofia e ao mesmo tempo liberar esse conteúdo pela interrogação sobre os efeitos de poder produzidos pela verdade.
Retomando o segundo passo proposto por Fonseca quanto à identificação do conceito de crítica no modo pelo qual Foucault opera sua filosofia, o autor explica que no conjunto de trabalhos de Foucault, seguindo as próprias palavras deste, ele não teria procurado tratar propriamente de uma “pesquisa pela legitimidade dos modos históricos do conhecer”, mas que foi antes uma tentativa de verificar diferentes conjuntos de elementos nos quais haveria conexões entre mecanismos de coerção e conteúdos de conhecimento.
Quanto aos mecanismos, estes podem ser conjuntos de leis, de regulamentos, de dispositivos de materiais ou de fenômenos de autoridade. Os conteúdos de conhecimento serão apreendidos em sua heterogeneidade e selecionados conforme os efeitos de poder que carregam em si. Assim, entende-se que Foucault não buscou, em seus trabalhos, indagar o que seria verdadeiro ou falso, real ou ilusório, científico ou ideológico, mas identificar as conexões entre os mecanismos de coerção e os conteúdos de conhecimentos descritos anteriormente, perguntando-se o que faz com que determinado elemento de conhecimento possa assumir efeitos de poder ou o que faz com que certo elemento de coerção possa ter a forma de um elemento racional.
Com tudo, uma análise pautada no binômio “saber-poder”, explica Fonseca (idem), deve descrever um nexo entre saber e poder o qual permite entender a constituição histórica de certa aceitabilidade de um sistema seja da doença mental, da penalidade, da sexualidade, etc. (no caso dos trabalhos de Foucault). Isso seria adotar um procedimento arqueológico de análise, ou seja, uma história arqueológica que procura somente as condições da aceitabilidade; apreender nos sistemas sua positividade e singularidade.
Por singularidade não se deve entender, no pensamento de Foucault, como aquela com base em um princípio de unidade ou identidade, mas como efeito de multiplicidade de relações, em uma rede causal. Para tanto, uma análise arqueológica completa-se com o procedimento da genealogia que por sua vez, procura restituir as condições de aparecimento de uma singularidade a partir de seus múltiplos elementos determinantes.
Para exemplificar esse procedimento de análise, Fonseca (idem) cita Paul Veyne que faz referência, em seu artigo Un archéologue scetique (2001), à História da Loucura na Idade Clássica de Foucault para explicar que diferentemente da compreensão da obra pelos historiadores franceses que acreditavam que Foucault apenas teria mostrado como a loucura era concebida em diferentes épocas, teria explorado, primeiramente, uma concepção de verdade diferente daquela entendida como relacionada a um referente; em segundo lugar que para o autor da História da loucura todo fato histórico é um singularidade, daí o fato de não se ter procurado uma verdade sobre a loucura, já que para ele não existem verdades gerais; e terceiro lugar, os fatos humanos não se originariam de uma racionalidade entendida como seu molde comum.
Assim, ao final de seu artigo, Fonseca (idem) nos explicita em que consiste a perspectiva da história arqueológica empreendida por Foucault. Se para o pensador francês não se deve partir do pressuposto da existência de verdades gerais, a tarefa que ele propõe então é a de realizar o discernimento e a explicitação da singularidade dos acontecimentos que seria mais do que explicar seus sentidos. Acontecimento que pode ser considerado como a irrupção de uma singularidade não-necessária, mas que ainda nos atravessa; acontecimentos passados, mas que estão, no entanto, presentes na nossa atualidade. Daí a importância de não só identificar esses acontecimentos por meio de uma história arqueológica, mas de fazer a sua genealogia.
Nesse âmbito, a história arqueológica se caracteriza como aquela que identifica e descreve a singularidade dos objetos históricos, liberando-se dos universais antropológicos que preconizam a existência de uma suposta identidade, de uma origem, de um sujeito fundante, de uma razão ou de uma verdade; e uma história genealogicamente dirigida, percorre a formação de uma determinada singularidade, acentuando as relações de poder que lhe são constituintes no intuito de perceber o modo como tais singularidades modelaram o presente.
Após esse percurso necessário, Fonseca (idem) finaliza afirmando que ao entendermos a noção de crítica como a definiu Foucault, isto é, como a vontade decisória de não ser governado, e ao identificarmo-na na articulação entre os procedimentos da arqueologia e da genealogia, chegamos à questão presente na história sobre a ética, que consiste na tarefa moral de como organizar a própria existência, isto é, o “governo de si”. Logo, entre a vida governada e o governo de si, não haveria uma linha divisória que separaria esses domínios, mas sim uma fronteira onde se alojaria a crítica que por sua vez desempenharia o papel de remeter, incessantemente, um ao outro.


REFERÊNCIA
FONSECA, M. A. Entre a vida governada e o governo de si. In: ALBUQUERQUE JUNIOR, D. M. de.; VEIGA-NETO, A.; SOUZA FILHO, A. (orgs). Cartografia de Foucault. Belo Horizonte: Autêntica, 2008. (p. )

domingo, 3 de julho de 2011

Programação - Segundo semestre

O GEF encerrou, no dia 29/06, os trabalhos do primeiro semestre com a discussão do texto Poder e Saber (Ditos e Escritos - Volume 4).
Para o segundo semestre, a programação das leituras é, até o momento, a seguinte:
Entre a vida governada e o governo de si (FONSECA, Márcio Alves da)
Os limites da vida: da biopolítica aos cuidados de si. (PORTOCARRERO, Vera)

Esses textos estão presentes no livro
CARTOGRAFIAS DE FOUCAULT
Durval Muniz de Albuquerque Júnior, Alfredo Veiga-Neto e Alípio de Souza Filho (orgs.) Belo Horizonte: Autêntica, 2008.
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Quanto ao retorno, os encontros serão retomados, no dia 03/08, às 18h, no LAAP (Bloco H-35).

Bom descanso a todos!

A vida dos homens infames

Texto organizado por Alessandro Alves e Daniela Polla

“No momento em que se instaura um dispositivo para forçar a dizer o ‘ínfimo’, o que não se dizia, o que não merece nenhuma glória, o ‘infame’ portanto, um novo imperativo se forma, o qual vai discutir o que se poderá chamar a ética imanente ao discurso literário do Ocidente”


A Vida dos Homens Infames


No texto “A Vida dos Homens Infames”, Michel Foucault realiza uma espécie de reconstituição da conjuntura de poder – e do uso social deste – que regia os discursos oficiais e que acabou influenciando a literatura, bem como mobilizando uma série de outros discursos. Para tanto, o autor parte da seleção de textos como, por exemplo, petições, cartas régias, documentos de internamentos, entre outros, objetivando realizar não uma obra histórica, mas “uma antologia de existências”.
Inspirado pela leitura de um registro de internamento do início do século XVIII, Foucault resolve produzir um tipo de herbário de vidas singulares, de estranhos poemas. Ele justifica sua escolha de corpus pelas emoções e “impressões físicas” que documentos como o citado lhe provocavam. Porém, segundo ele, as impressões primeiras que o motivaram ficavam de fora das análises. Por conta disso, a ideia da realização de uma compilação de “poemas-vidas”, realizada em “A Vida dos Homens Infames”.
Para a seleção dos documentos, o autor coloca que quis que se tratassem sempre de existências reais. Portanto, todos os traços de literatura ou imaginação foram banidos. Além disso, revela-se a busca pelo maior número de relações possíveis com a realidade, bem como o desejo de falar sobre personagens sem traços de grandeza. Neste sentido, Foucault afirma que tratará de vidas reais que existiram em poucas palavras ou frases. De acordo com ele, “esses discursos realmente atravessaram vidas; essas existências foram efetivamente riscadas e perdidas nessas palavras” (FOUCAULT, 2006, p. 207).
Essas existências simples e, de certa forma, cinzas e obscuras, teriam permanecido esquecidas, não fosse sua relação com o poder. “O que as arranca da noite em que elas teriam podido, e talvez sempre devido, permanecer é o encontro com o poder” (FOUCAULT, 2006, p. 207). O texto nos apresenta aqui o fato dessas vidas simples e sem grandeza serem destinadas a não figurar nos discursos, sendo que somente puderam deixar rastros – mesmo que muito breves e por vezes enigmáticos – a partir de sua relação com o poder naquela época estabelecido.
Neste ponto do texto Foucault pressente críticas e afirma que podem até mesmo dizer que ele não quebra as barreiras, que não atravessa o discurso e que trata sempre sobre as relações de poder. Porém, rebate essas asserções revelando que o ponto mais intenso das vidas retratadas nos discursos analisados é justamente quando se encontram com o poder, fato que leva o autor mais uma vez a se debruçar sobre este ponto.
Estes “poemas-vidas” somente existiram por esse choque com o poder, que quis simplesmente aniquilá-las, bani-las, apagá-las. Os relatos destas vidas nos chegam apenas por acaso. É dessa infâmia que o autor nos quer falar. Assim, apesar de

Aparentemente infames, por causa das lembranças abomináveis que deixaram, dos delitos que lhe atribuem, do horror respeitoso que inspiraram, eles de fato são homens da lenda gloriosa, mesmo se as razões dessa fama são inversas àquelas que fazem ou deveriam fazer a grandeza dos homens. Sua infâmia não é senão uma modalidade da universal fama. (FOUCAULT, 2006, p. 210).


Após uma pausa, Foucault coloca que não faz uma grande compilação sobre a infâmia, que reuniria arquivos de todas as partes do mundo. Ao contrário, seleciona somente documentos que datam de 1660 até 1760, basicamente com a mesma fonte: arquivos do internamento, das petições ao rei e das cartas régias com ordem de prisão. Escolha justificada por uma familiaridade do autor com estes textos, bem como pelo fato do filósofo vislumbrar aí apenas o começo do estudo e, “em todo caso, um acontecimento importante em que se cruzam mecanismos políticos e efeitos de discurso.” (FOUCAULT, 2006, p. 211).
Os textos estudados, do século XVII e XVIII, possuem um tom diferenciado e próprio. Segundo Foucault, esses discursos

Têm um brilho, eles revelam no meandro de uma frase um esplendor, uma violência que desmente, ao menos aos nossos olhos, a pequenez do caso ou a mesquinhez bastante vergonhosa das intenções. As vidas mais dignas de pena aí são descritas com sd imprecações ou com a ênfase que parecem convir às mais trágicas. Efeito cômico, sem dúvida; há alguma coisa de irrisório ao se convocar todo o poder das palavras, e através delas a soberania do céu e da terra, em torno de desordens insignificantes ou de desgraças tão comuns (FOUCAULT, 2006, p. 211).

Após isso, aparece um exemplo de uma petição ao rei. Em seguida, o autor coloca que a grandiosidade e o rebuscamento da linguagem nesses textos é diretamente proporcional ao uso do poder estabelecido para impor os castigos solicitados.
Neste ponto do texto nos é apresentada a forma primeira com a qual o cristianismo tomava o poder sobre os fatos do dia-a-dia: a confissão. Apesar de falar do cotidiano, os discursos não eram registrados textualmente e se apagavam no momento mesmo do exercício da confissão. Mas, a partir do final do século VII, o mecanismo da confissão ficou ultrapassado e foi substituído pelos meios administrativos. Assim, o método religioso perdeu espaço para o mecanismo de registro e não mais do perdão.
Com a referida inversão, a forma de passagem do cotidiano ao discurso passou da confissão para as denúncias, as queixas, a inquirição, os relatórios. Tudo é registrado por escrito e passa a compor uma espécie de banco de dados. O que temos, então,

É um tipo de relações completamente diferente que se estabelece entre o poder, o discurso e o cotidiano, uma maneira totalmente diferente de o reger e de o formular. Nasce, para a vida comum, uma nova forma de mise em scène.” (FOUCAULT, 2006, p. 213).

Os instrumentos dessa novidade das relações entre poder, discurso e cotidiano são conhecidos: as petições, as cartas régias e os registros de internamentos diversos. O autor nos fala da intensidade e de certa beleza com as quais são revestidas as imagens dos homens que nos chegam com o rosto da infâmia, embora afirme o fato de esses documentos evocarem a ideia de um monarca absoluto. Nesta parte do texto Foucault nos revela que as “ordens do rei” contidas nos documentos analisados raramente partiam do próprio, como uma imposição de cima para baixo. Ao contrário, na maior parte do tempo eram solicitadas pela família, pelos amigos ou pelos vizinhos dos acusados, eventualmente por um membro representativo da sociedade. Apesar disso, o pedido não era concedido sem antes um procedimento de inquirição, destinado a avaliar a pertinência da demanda.
Ao considerar as características absolutistas do poder monárquico, percebe-se o fato de que, sabendo jogar o jogo do poder estabelecido, qualquer um pode ser, para o outro, um monarca, fazendo toda uma cadeia política cruzar o cotidiano dos homens infames.
Assim, torna-se especialmente relevante o fato de estas novas relações surgirem, fazendo circular uma infinidade de novos discursos. Houve, dessa forma, um apelo para se pôr em discurso “agitações e cada um dos pequenos sofrimentos.” (FOUCAULT, 2006, p. 216). Isto tudo nos propicia a percepção de que, durante muito tempo, apenas gestos grandiosos e dignos de admiração figuravam nos textos escritos; com o cotidiano atravessado por mecanismos do poder político tem-se o comum e o detalhe podendo fazer parte dos discursos.
Em sua forma inicial, estes discursos a respeito do dia-a-dia somente puderam circular em função do rei. Caso contrário, o banal não poderia ser dito. Surge desta remissão ao monarca, a forma singular, cativa ou suplicante desses discursos. Sendo assim,
Cada uma dessas pequenas histórias do dia-a-dia devia ser dita com a ênfase dos raros acontecimentos que são dignos de reter a atenção dos monarcas. Nunca, mais tarde, a morna administração policial nem os dossiês da medicina ou da psiquiatria encontrarão semelhantes efeitos de linguagem. (FOUCAULT, 2006, p. 217).


Além disso, o autor nos lembra que os autores destes textos do cotidiano vinham de condições muito baixas, sendo pouco ou nada alfabetizados, ocorrendo com isso a mistura de um vocabulário destinado ao tratamento de um rei com palavras inapropriadas ou violentas. A isto, Foucault chamou de disparate. Ocorre, para ele, um disparate entre a coisa dita e a maneira de dizê-las; o mesmo disparate se dá na relação dos que pedem, suplicam com aqueles que detêm todo o poder. Porém, esses discursos guardam “toda uma turbulência popular, toda uma miséria e um violência, toda uma ‘baixeza’ como se dizia, que nenhuma literatura nessa época teria podido acolher.” (FOUCAULT, 2006, p. 218).
Neste sentido, o autor alerta para o fato de todo este disparate ser apagado um dia. Isto porque o poder não mais se dará de forma absolutista e sim por meio de uma rede fina, diferenciada e contínua na qual atuam diversas instituições. Assim sendo, os homens infames passarão a ser vistos como ‘negócios’, crônicas ou casos.
Dando início ao encerramento do texto, Foucault nos fala da importância da massa ter podido falar de si mesma, mesmo por meio dos documentos analisados. Para ele, esta maquinaria do poder constituída nesses discursos dos homens infames, contribuiu para a constituição de novos saberes. O que ele afirma é que na virada dos séculos XVII e XVIII a relação entre discurso, cotidiano, vida e verdade se entrelaçam de forma a abarcar também a literatura.
Retoma-se neste ponto a ideia de que por muito tempo o cotidiano figurou nos discursos somente sob a forma de “chiste” ou do fabuloso, fato este que mudou graças às relações entre poder, cotidiano e discurso, vigentes nos séculos XVII e XVII. Com isso, passa-se a usar o discurso para fazer aparecer o que não aparece, o que se dá pela instauração de um dispositivo que força a dizer o ínfimo, constituindo o novo imperativo da literatura do Ocidente.
Assim, a literatura engaja-se a esta conjuntura social - apesar de não se reduzir a ela – na medida em que substitui o fabuloso pelo fictício e contribuiu para que o cotidiano fosse posto em discurso. Porém, ela vai além disso: a literatura busca e apresenta o cotidiano por baixo dele mesmo, fazendo dizer o inconfessável.

REFERÊNCIAS
FOUCAULT, M. A Vida dos Homens Infames. In: FOUCAULT, M. Estratégia, Poder-Saber. 2ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2006. (p. 203-222)

História na introdução de A Arqueologia do Saber

A História e o Discurso em Michel Foucault

Pedro Navarro

1)Fase arqueológica (história) dos saberes em 3 livros:

História da Loucura (o louco),
História da Clínica (o doente, o discurso médico),
As palavras e as coisas (o homem em relação ao trabalho – história das riquezas, da economia -, o homem em relação à linguagem – filologia, gramática -, o homem em relação à vida – biologia).

2)Exposição do método de análise dos discursos:

A Arqueologia do Saber

3)Noção de história apresentada por oposições:

História Global versus História Geral
cronologia vs diferentes temporalidades
continuidade vs descontinuidade
sujeito fundante vs descentramento do sujeito
documento (verdade) vs monumento (interpretação)
unidade vs série

4)Proposta metodológica:

Recorta-se uma série enunciativa para verificar as relações entre os elementos dessas séries e o modo como elas significam, constroem, produzem sentidos sobre esses acontecimentos. Isola-se a instância do acontecimento buscando relacioná-lo não à atividade fundadora de um autor, de uma obra, da tradição ou espírito de época, mas a outros enunciados.

5)A suspensão das unidades do discurso (tradição, influência, desenvolvimento e evolução, mentalidade ou espírito, livro, obra, autor) e renúncia aos temas da origem e já-dito.

6)Distinção entre descrição lingüística e análise arqueologia

7)O enunciado como acontecimento

terça-feira, 7 de junho de 2011

A sombra do paradoxo: Epistémê e acontecimento

Orientação: Prof. Dr. Pedro Navarro
Organização: Bruno Franceschini

A sombra do paradoxo: Epistémê e acontecimento
QUEIROZ, André. Foucault: o paradoxo das passagens. Rio de Janeiro: Pazulin, 1999.

A Arqueologia do Saber foi escrita de modo a rebater as críticas surgidas de “As Palavras e as Coisas”, de 1966, a qual suscitou diversas críticas à Michel Foucault por conta de delimitação precisa das epistémês “como o espaço de definição e da configuração de certos saberes em determinadas épocas” (p.40).
Ao confrontar essas críticas e esclarecer os objetivos da análise arqueológica, Foucault, em “A Arqueologia do Saber”, procurou delimitar as regras de formação dos saberes, das práticas discursivas em conceitos tais como: enunciado, formação discursiva e arquivo, os quais têm por função a descrição do “nível de penetração” e da “razão de ser” de um discurso, de uma prática discursiva.
A preocupação em pontuar esses conceitos é justificada pela “crítica à continuidade e ao antropologismo” (p. 41) apresentado em “As Palavras e as Coisas”. Assim, a Arqueologia tem por mote definir os parâmetros da análise arqueológica com vistas à “eliminar as hipóteses de uma (sua) predisposição à descontinuidade.” (p. 41). Para Foucault, segundo Queiroz (1999), o método proposto na Arqueologia está fundado nas regras de formação, na regularidade discursiva, nos “a priori” históricos e nos arquivos.
A crítica à noção de epistémê é um tanto quanto curiosa, porque este conceito é praticamente excluído na Arqueologia. Se, em As Palavras e as Coisas, Foucault a epistémê diz respeito, nas palavras de Machado (apud Queiroz, 1999), à “existência necessária de uma ordem, de um princípio de ordenação histórica dos saberes anterior à ordenação do discurso.” (p.42), Já na Arqueologia, Foucault trabalha este conceito como o “conjunto de relações que podem unir formações discursivas que dão lugar a figuras epistemológicas” (p.47). Ou seja, A Arqueologia procura, na descrição dos “a priori” históricos, a “profundidade anterior aos discursos, a cientificidade destes, mas contemporâneo aos processos de formação dos discursos” (p. 43).
É neste entremeio que, segundo Queiroz (1999, p. 44), está o paradoxo foucaultiano acerca da epistémê, posto que a epistémê, num primeiro momento, é “solo de regência do que é possível (saberes, enunciados, formações discursivas)”, no entanto, surge o questionamento sobre a inserção destes aspectos “num solo epistemológico datado e não nas regiões dos seus limites”, ocorrendo, deste modo, o questionamento quanto à descontinuidade das epistémês com relação aos aspectos de globalidade e de profundidade deste conceito. Para Foucault, “a descontinuidade encerrada em solos de simultaneidade e uma quase impossibilidade lógica de pensarmos as mutações históricas... ou como Foucault preferia dizer: os acontecimentos.”. Ao tratar do descontínuo, das multiplicidades, das dispersões, é que o filósofo, delimita os conceitos de epistémê e de acontecimento na análise arqueológica e reformula o que fora apresentado em As Palavras e as Coisas e na A Arqueologia do Saber.

Retornar à História

Orientação: Prof. Dr. Pedro Navarro
Organização: Bruno Franceschini

Retornar à História
FOUCAULT, M. Arqueologia das Ciências e História dos sistemas de pensamento. 2 ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005.

Em “Retornar à História”, Foucault trata das implicações do Estruturalismo e da História na estratégia de reformulação do conceito de acontecimento. Um aspecto tratado no texto diz respeito ao propósito inicial dessa corrente filosófica: a oferta de “um método mais preciso e mais rigoroso às pesquisas históricas” (p. 282). Assim, o Estruturalismo procurava fazer uma história “rigorosa e sistemática” (p. 282), como exemplificado no texto:
a) método estrutural em Etnologia;
b) Linguística - fonética histórica;
c) aplicação do Estruturalismo à Literatura.
No entanto, às aplicações do método estrutural à essas ciências não foram bem sucedidas, uma vez que o aspecto histórico não havia sido considerado em sua dimensão. Foucault questiona então alguns entraves deste método, tais como: “Como é possível fazer história, se não se leva em conta o tempo? Mas há mais. Como se poderia dizer que a análise estrutural é histórica, se ela privilegia não somente a simultaneidade sobre o sucessivo, mas, por outro lado, o lógico sobre o causal?” (p. 285)
Foucault ainda aponta outra brecha deixada pelo Estruturalismo ao mostrar a consideração da estrutura e das regras de coerção em detrimento à prática humana. Sobre as influências do movimento marxista na corrente estruturalista, o filósofo traz a releitura empreendida por Althusser acerca do Marxismo.
A análise althusseriana mostrou a finalidade da História até o século XX: a reconstrução do “passado dos grandes conjuntos nacionais, conforme os quais a sociedade industrial capitalista se dividia ou se agrupava.” (p. 286). Desse modo, a História, na ideologia burguesa, foi fundamental para mostrar a unidade desses conjuntos nacionais necessários para a manutenção do Capitalismo, porque o sistema ideológico no qual a História estava inscrita servia para reforçar a “totalidade do passado nacional” (p. 286).
Porém, para a compreensão do papel da História “ela deve ser preferencialmente compreendida como a análise das transformações das quais as sociedades são efetivamente capazes” (p. 287). Em perspectiva foucaultiana, é preciso considerar, a partir de agora, a mudança e o acontecimento, e não mais o tempo e o passado, como Foucault propõe a prática de uma “história serial”, a qual tem por objetivo estudar, “a partir de um conjunto de documentos dos quais ela dispõe”, e estabelecer, com base nesses documentos, um certo número de relações, “assim, a história serial faz emergir diferentes estratos de acontecimentos, dos quais são visíveis, imediatamente conhecidos até pelos contemporâneos, e em seguida, debaixo desses acontecimentos que são de qualquer forma a espuma da história, há outros acontecimentos invisíveis, imperceptíveis para os contemporâneos, e que são de um tipo completamente diferente.” (p. 291).
No que se refere a isto, Foucault (2008, p. 5) atesta que
não se trata de colocar tudo num certo plano, que seria o do acontecimento, mas de considerar que existe todo um escalonamento de tipos de acontecimentos que não têm o mesmo alcance, a mesma amplitude cronológica, nem a mesma capacidade de produzir efeitos. O problema é ao mesmo tempo distinguir os acontecimentos, diferenciar as redes e os níveis a que pertencem e reconstituir os fios que os ligam e que fazem com que se engendrem, uns a partir dos outros.

Dessa forma, os acontecimentos pertencem a níveis diferenciados e podem se constituir como fatos comuns ou mesmo extraordinários, contudo, estão sempre apontando para as diferentes temporalidades que compõem a história, ou seja, enquanto relações discursivas, estes se justapõem, sobrepõem, interpelam, atualizam e coexistem.
Em oposição à História Tradicional, aquela na qual o historiador buscava a causa ou o sentido escondido por trás de um determinado fato visível, assim, a história serial permitiu ao historiador a descoberta, no interior da História, tipos de durações diferentes.
Foucault finaliza o texto tecendo comentários sobre a necessidade da substituição da “noção de tempo pela noção de duração múltipla” (p. 293). Ou seja, não há uma corrente evolutiva que engloba todos os acontecimentos sociais, ocorre, “na verdade, durações múltiplas, e cada uma delas é portadora de um certo tipo de acontecimentos.” (p. 294).
Há ainda a ressalva a não-consideração da interpretação por parte dos historiadores e dos estruturalistas, porque “eles tratam o documento do ponto de vista de suas relações internas e externas” (p. 294). Nesse movimento de descrição apenas, os estruturalistas e os historiadores falham em definir as transformações e os tipos de acontecimentos e suas durações, respectivamente, pois não atentam ao “aparecimento das descontinuidades na História e o aparecimento de transformações regradas e coerentes.” (p. 295).

segunda-feira, 16 de maio de 2011

GEF participa de congresso em Assis



O GEF esteve presente no I CITED (I Colóquio Internacional de Texto e Discurso) realizado na UNESP, em Assis (SP), entre os dias 16 e 20 de maio. Durante o evento, o grupo participou do simpósio "DISCURSO E SUJEITO: PERSPECTIVAS FOUCAULTIANAS", sob a coordenação do Prof. Dr. Pedro Navarro. As pesquisas apresentadas e as discussões realizadas estavam centradas nos três eixos estudados por Foucault: ser-saber, ser-poder e a estética de si aplicados à diferentes materialidades analíticas e sujeitos.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Resumo: Retornar à História (Michel Foucault)

Organização: Bruno Franceschini
Orientação: Prof. Dr. Pedro Navarro

Retornar à História

FOUCAULT, M. Arqueologia das Ciências e História dos sistemas de pensamento. 2 ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005.

Em “Retornar à História”, Foucault trata das implicações do Estruturalismo e da História na estratégia de reformulação do conceito de acontecimento. Um aspecto tratado no texto diz respeito ao propósito inicial dessa corrente filosófica: a oferta de “um método mais preciso e mais rigoroso às pesquisas históricas” (p. 282). Assim, o Estruturalismo procurava fazer uma história “rigorosa e sistemática” (p. 282), como exemplificado no texto:
a) método estrutural em Etnologia;
b) Linguística - fonética histórica;
c) aplicação do Estruturalismo à Literatura.
No entanto, às aplicações do método estrutural à essas ciências não foram bem sucedidas, uma vez que o aspecto histórico não havia sido considerado em sua dimensão. Foucault questiona então alguns entraves deste método, tais como: “Como é possível fazer história, se não se leva em conta o tempo? Mas há mais. Como se poderia dizer que a análise estrutural é histórica, se ela privilegia não somente a simultaneidade sobre o sucessivo, mas, por outro lado, o lógico sobre o causal?” (p. 285)
Foucault ainda aponta outra brecha deixada pelo Estruturalismo ao mostrar a consideração da estrutura e das regras de coerção em detrimento à prática humana. Sobre as influências do movimento marxista na corrente estruturalista, o filósofo traz a releitura empreendida por Althusser acerca do Marxismo.
A análise althusseriana mostrou a finalidade da História até o século XX: a reconstrução do “passado dos grandes conjuntos nacionais, conforme os quais a sociedade industrial capitalista se dividia ou se agrupava.” (p. 286). Desse modo, a História, na ideologia burguesa, foi fundamental para mostrar a unidade desses conjuntos nacionais necessários para a manutenção do Capitalismo, porque o sistema ideológico no qual a História estava inscrita servia para reforçar a “totalidade do passado nacional” (p. 286).
Porém, para a compreensão do papel da História “ela deve ser preferencialmente compreendida como a análise das transformações das quais as sociedades são efetivamente capazes” (p. 287). Em perspectiva foucaultiana, é preciso considerar, a partir de agora, a mudança e o acontecimento, e não mais o tempo e o passado, como Foucault propõe a prática de uma “história serial”, a qual tem por objetivo estudar, “a partir de um conjunto de documentos dos quais ela dispõe”, e estabelecer, com base nesses documentos, um certo número de relações, “assim, a história serial faz emergir diferentes estratos de acontecimentos, dos quais são visíveis, imediatamente conhecidos até pelos contemporâneos, e em seguida, debaixo desses acontecimentos que são de qualquer forma a espuma da história, há outros acontecimentos invisíveis, imperceptíveis para os contemporâneos, e que são de um tipo completamente diferente.” (p. 291).
No que se refere a isto, Foucault (2008, p. 5) atesta que
não se trata de colocar tudo num certo plano, que seria o do acontecimento, mas de considerar que existe todo um escalonamento de tipos de acontecimentos que não têm o mesmo alcance, a mesma amplitude cronológica, nem a mesma capacidade de produzir efeitos. O problema é ao mesmo tempo distinguir os acontecimentos, diferenciar as redes e os níveis a que pertencem e reconstituir os fios que os ligam e que fazem com que se engendrem, uns a partir dos outros.

Dessa forma, os acontecimentos pertencem a níveis diferenciados e podem se constituir como fatos comuns ou mesmo extraordinários, contudo, estão sempre apontando para as diferentes temporalidades que compõem a história, ou seja, enquanto relações discursivas, estes se justapõem, sobrepõem, interpelam, atualizam e coexistem.
Em oposição à História Tradicional, aquela na qual o historiador buscava a causa ou o sentido escondido por trás de um determinado fato visível, assim, a história serial permitiu ao historiador a descoberta, no interior da História, tipos de durações diferentes.
Foucault finaliza o texto tecendo comentários sobre a necessidade da substituição da “noção de tempo pela noção de duração múltipla” (p. 293). Ou seja, não há uma corrente evolutiva que engloba todos os acontecimentos sociais, ocorre, “na verdade, durações múltiplas, e cada uma delas é portadora de um certo tipo de acontecimentos.” (p. 294).
Há ainda a ressalva a não-consideração da interpretação por parte dos historiadores e dos estruturalistas, porque “eles tratam o documento do ponto de vista de suas relações internas e externas” (p. 294). Nesse movimento de descrição apenas, os estruturalistas e os historiadores falham em definir as transformações e os tipos de acontecimentos e suas durações, respectivamente, pois não atentam ao “aparecimento das descontinuidades na História e o aparecimento de transformações regradas e coerentes.” (p. 295).

Resumo: Alguma Arqueologia (André Queiroz)

Organização do resumo: Andréa Zíngara
Orientação: Prof. Dr. Pedro Navarro


(...) Podemos então perguntar o que é a “arqueologia”, se não é nem uma teoria nem uma metodologia. Minha resposta é que é alguma coisa como a designação de um objeto: uma tentativa de identificar o nível no qual precisava situar-me para fazer emergir esses objetivos que eu tinha manipulado durante muito tempo sem saber sequer que eles existiam, e portanto sem poder nomeá-los.
Michel Foucault



Alguma Arqueologia insere-se no livro intitulado Foucault: o paradoxo das passagens de André Queiroz, cujo título já suscitaria discussão. No entanto, em poucas páginas o leitor é situado a propósito desse paradoxo principalmente relacionado ao estatuto da noção de descontinuidade presente em dois textos de Michel Foucault, A história da Loucura (1961) e As palavras e as Coisas (1966).
Vale lembrar que na fase chamada “arqueológica” o filósofo francês trata da história dos saberes. Suas pesquisas resultaram em três obras, talvez as mais polêmicas, a saber, História da Loucura (idem), O nascimento da Clínica (1963) e As palavras e as Coisas (idem) as quais inspirariam ou “exigiriam” a escrita de uma quarta obra, A arqueologia do saber (1969), na qual Foucault procura esclarecer alguns conceitos até então mal interpretados por uma parcela de intelectuais de seu tempo. Nela também o filósofo deseja, segundo Lecourt (1996), libertar-se dos aspectos “estruturalistas” da episteme vislumbrada, sobretudo na obra de 1966.
Segundo Queiroz (1999), a pesquisa arqueológica de Foucault caracteriza-se pelo fato deste colocar-se fora do eixo da continuidade, para além do estigma do progresso científico, ou da inteligibilidade da história. Sua arqueologia não consiste, porém, em um método e tampouco em uma teoria, pois conforme o próprio filósofo ela “é alguma coisa como a designação de um objeto: uma tentativa de identificar o nível no qual precisava situar-me para fazer emergir esses objetivos que eu tinha manipulado durante muito tempo sem saber sequer que eles existiam, portanto, sem poder nomeá-los” (p. 33).
Se seu empreendimento não constitui um método nem uma teoria, ele configura-se, pelo menos, como uma trajetória na qual se observa, conforme Queiroz (idem), um sem-número de passagens. Assim, o projeto maior desse empreendimento seria o de opor-se às histórias totalizantes, contínuas e retrospectivas; opor-se à história das ideias e das ciências para apoiar-se em uma arqueologia que se define por sistemas de simultaneidade e por série de mutações necessárias e suficientes para circunscrever o limiar de uma positividade nova . Todavia, sua obra não foi assim interpretada por boa parcela de leitores, já que Foucault teria sido alvo de duras críticas, sendo tachado de “estruturalista” e até mesmo apontado como alguém que teria recusado a história.
O autor de Alguma arqueologia chama atenção para o fato de que ficar entre uma determinada análise conceitual e uma renovação de procedimentos técnico-conceituais, isto é, novos postulados de pesquisa, é ficar restrito ao nível dos temas e das ideias, dos fantasmas da quase-continuidade que por sua vez é regida pelos avanços de uma história como discursividade de um espaço sem fissura. Mas, essa quase-continuidade é rompida pela análise foucaultiana que se desarticula do nível dos temas e das ideias, e se coloca ao nível dos estratos, das formas, do arquivo, excluindo o tema geral do conhecimento.
As passagens às quais se refere o autor dizem respeito aos textos das referidas obras sobre os quais os pressupostos críticos de Foucault se articulam, ainda que ele não fale a partir dos mesmos instrumentais, conforme explica Queiroz (idem, p. 33-34).
Um grande equívoco acerca dos discursos sobre a loucura é denunciado em História da Loucura (1961), já que aí os mesmos são destituídos de uma história retrospectiva que pretendia que passado e presente se articulassem por meio de argumentos que invocam precursores e continuidades. Assim, a loucura como doença mental pode ser, segundo Foucault, historicizada, datada e localizada a partir do século XIX.
Já em O nascimento da Clínica (1963) contemplam-se críticas às análises que assimilam a medicina moderna à medicina clássica, quando Foucault apoia-se no “a priori” concreto de cada época e na disposição arqueológica que caracteriza as práticas médicas em suas descontinuidades. Rompe, mais uma vez, com a pretensa continuidade.
Como não seria diferente, em As palavras e as Coisas (1966), Michel Foucault persiste em mostrar as descontinuidades ou rupturas arqueológicas (transformações que se referem ao regime geral de uma ou várias formações discursivas) que promovem os deslocamentos dos saberes. Em busca de uma análise das experiências empíricas da vida, do trabalho e da linguagem, o autor busca situar a emergência das ciências humanas que deslocaram o saber do espaço da representação clássica. Descarta-se, assim, a teoria geral das representações para dar lugar à noção de epistémê (ordem histórica dos saberes).
Nesse ponto, Queiroz atenta-se para o fato de que se deve questionar a propósito de alguns aspectos dessas passagens ao indagar: da História da Loucura à As Palavras e as Coisas, a descontinuidade empreendida por Foucault tem o mesmo estatuto?
Para tanto, o autor explica que no Renascimento havia uma ambiguidade na percepção da loucura que era percebida como crítica ou trágica tendo sido a primeira predominante; Nela a loucura era desprovida de seu saber ou de suas verdades fundamentais. Na idade clássica o louco era assimilado à desordem ética do libertino, do herege, do promíscuo. Esse louco torna-se o “outro” da razão, aquele que desrespeita as leis do mundo e que é considerado como que “culpado” pela sua condição e como punição, o isolamento. Finalmente, na modernidade, o louco ficaria também apartado, já que havia perdido sua razão; no entanto, é percebido mais como vítima do que agente de seu infortúnio e de sua dor, diferentemente do louco da idade clássica que passa a ser visto como útil para a demanda de mão-de-obra do capitalismo, não havendo razão, dessa forma, para ficar internado.
Nesse panorama, destaca-se que na dimensão fundamental da loucura observa-se a descontinuidade nas práticas de poder sobre o louco, no entanto o espaço onde se dá sua experiência fundamental deveria ser pensado como um elemento de continuidade. A própria loucura se sobreporia à história de sua captura, logo a descontinuidade não se daria por completo.
Em As Palavras e as Coisas (1966), o conhecimento baseado no visível é rejeitado para dar lugar à ordem do empírico. A epistémê é uma ordem histórica dos saberes. Aqui o homem aparece como objeto do saber, como ser que trabalha, vive e fala, está preso à produção e à linguagem. Todavia, essas problematizações e novos saberes puderam emergir graças ao deslocamento da epistémê clássica da representação que deu lugar a uma nova epistémê.
Ao comparar o pensamento do filósofo Michel Foucault nas duas obras, Queiroz (1999) conclui ou deixa concluir que nesta última não há resquícios de uma continuidade fundamental como aquela presente em A história da loucura, uma vez que a partir do plano da epistémê, o qual rege os objetos e todos os saberes, vislumbra-se um plano de simultaneidades que delimitam o que pode ou não ser pensado e a partir dele permanece atado ao presente de sua época.
O autor ressalta ainda que a arqueologia foucaultiana, caracterizada principalmente pela crítica a um modelo historicizante característico das histórias das ideias e das ciências, esbarra no paradoxo de seu próprio discurso já que se percebe uma “quase-continuidade” da loucura, pensada como “experiência fundamental”, em A história da loucura que seria incoerente com a descontinuidade radical constatada da epistémê, levando a pensar que o estatuto da descontinuidade não pode ser o mesmo.


Referências
LECOURT, D. A Arqueologia e o Saber. In: ROUANET, S. P.; MERQUIOR, J.G. (orgs.) O homem e o discurso. A arqueologia de Michel Foucault. 2ª.ed. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2008, p. 43-66.
QUEIROZ, A. Alguma Arqueologia. In: ______. Foucault: o paradoxo das passagens. Rio de Janeiro: Pazulin, 1999. p. 29-38.
Referências consultadas
GREGOLIN, M.R.V. O enunciado e o arquivo: Foucault (entre)vistas. In: SARGENTINI, V.; NAVARRO-BARBOSA, P. (orgs). Foucault e os domínios da linguagem: discurso, poder, subjetividade. São Carlos: Claraluz, 2004, p. 23-44.
MACHADO, R. Uma Arqueologia do Saber. In: ______. Foucault: a ciência e o saber. 4ª. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2009. p.111-142.

1)Por que alguma (coisa ou quantidade indefinida) arqueologia? Se a arqueologia foucautiana é indefinida ou incompleta, onde, exatamente, estaria sua inconsistência, ou sua incompletude?
2)O paradoxo do qual trata Queiroz faz referência a que e de que/qual passagem (ens) fala o autor?
3)Em que consiste a fase arqueológica ou história dos saberes e quais são as obras de Foucault que representariam essa fase?
4)Foaucault é tachado de “estruturalista” e como alguém que teria recusado a história. No entanto, o filósofo se diz totalmente “anti-estruturalista”. Como é resolvido esse “impasse”?
5)Como Foucault define “positividade” e “a priori histórico”?

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

CICLO DE ESTUDOS: DISCURSO E SUJEITO

Na ocasião das defesas das dissertações que ocorrerão em março, o Programa de Pós-graduação em Letras da UEM (PLE) e o GEF estão organizando um ciclo de estudos que contará com a presença do Prof. Dr. Cleudemar Alves Fernandes (UFU), da Prof.ª Dr.ª Maria do Rosário Gregolin (UNESP) e do Prof. Dr. Sírio Possenti (UNICAMP). Os temas a serem abordados são: a questão do sujeito em AD e o Discurso e a produção de subjetividade. As palestras acontecerão no Bloco G-34 - sala 203, nos seguintes dias:
- 10/03/2011 (19h às 21h)
- 22/03/2011 (14h às 18h)

As inscrições serão feitas na secretaria do PLE (Bloco G-34 - Térreo) do dia 28 de fevereiro ao dia 10 de março, das 08 às 11h e das 13h30min às 17h, e a taxa de inscrição é de R$ 15,00 (quinze) reais.

As vagas são limitadas e haverá emissão de certificados para os participantes, sendo a carga horária 6h.

Maiores informações:
PLE - 3011-4830
E-mail: sec-ple@uem.br

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Calendário de defesas de dissertação

O GEF está feliz em anunciar a defesa pública de dissertação de três de seus membros e convida todos a participarem deste momento:

O membro do GEF e já doutorando pela Unicamp Jefferson Voss defenderá, no dia 11 de março, sexta-feira, às 9h, no auditório do PLE (Bloco G-34, sala 203), o seu trabalho de dissertação intitulado "O Conceito de Formação Discursiva de Foucault e o Tratamento de Objetos da Mídia: sobre a responsabilidade social na publicidade impressa brasileira". Este trabalho foi orientado pelo Prof. Dr. Pedro Navarro e a banca será formada pelo Prof. Dr. Sírio Possenti (UNICAMP) e pela Profa. Dra. Sônia Benites (UEM).

No dia 21 de março, às 14h, será a vez do também membro do GEF e doutorando Vinícius Dorne defender o seu trabalho de dissertação intitulado "Práticas Discursivas Midiáticas na/sobre a identidade do jornalista sem diploma". A banca de defesa contará com a presença do líder do GEF e orientador do trabalho, Prof. Dr. Pedro Navarro, além da Profa. Dra. Maria do Rosário Gregolin (Unesp - Araraquara) e do Prof. Dr. Edson Carlos Romualdo (UEM).

Por fim, no dia 22 de março, às 9h, também no auditório do PLE, a companheira do GEF Adriana Beloti defenderá sua dissertação intitulada "A Revista Nova Escola e a construção de identidades do professor". Estarão presentes na banca o Prof. Dr. Renilson Menegassi (UEM), Prof. Dr. Cleudemar Fernandes (UFU) e o orientador do trabalho, Prof. Dr. Pedro Navarro.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Prorrogadas as inscrições para o I CITeD

Ainda se encontram abertas as inscrições para comunicadores em Simpósios no I Colóquio Internacional de Texto e Discurso (clique aqui). O evento acontecerá entre os dias 16 e 20 de maio de 2011 na UNESP de Assis e contará com a presença do Prof. Dominique Maingueneau, da Universidade de Paris 12 - Val-de-Marne. As inscrições prorrogadas vão até o dia 28 de fevereiro de 2011 e podem ser feitas diretamente no sítio do evento. Vale ressaltar que haverá um simpósio coordenado pelo líder do GEF, Prof. Pedro Navarro, e pelo Prof. Roberto Baronas, da UFSCar. O simpósio recebe o título de "Discurso e Sujeito: perspectivas foucaultianas" e busca integrar discussões sobre o sujeito nas três fases da obra de Michel Foucault.

Matrícula na UEM promove o primeiro encontro do GEF em 2011

No último dia 02, grande parte dos integrantes do GEF se reuniram na UEM para a matrícula semestral no Programa de Pós-Graduação em Letras. O encontro já serviu também para uma discussão preliminar sobre os rumos do Grupo durante o ano de 2011. Ficou decidido que as leituras e discussões se centrarão sobre os textos de Foucault da chamada terceira fase de sua obra - aquela que aborda os dispositivos de subjetivação.
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Ainda no encontro, pudemos conhecer dois novos integrantes do Grupo: Alessandro Alves da Silva e Daniela Polla. Ambos passaram no último processo seletivo para o Mestrado em Letras da UEM e serão orientados pelo líder do GEF, Prof. Dr. Pedro Navarro.
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Sobre os encontros do Grupo, já está acertado que o primeiro deles se dará na primeira semana de março. A data e horário ainda serão definidos.
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